O teto remuneratório municipal é um dos controles mais importantes da folha de pagamento. Está no art. 37, XI, da Constituição Federal, e vale para servidores, agentes políticos, aposentados e pensionistas. Entender quem está sujeito e o que entra no cálculo evita descontos indevidos e apontamentos dos tribunais de contas.
O que diz o art. 37, XI
O texto determina que a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos, e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal.
O mesmo inciso estabelece sublimites. Nos Municípios, o limite é o subsídio do Prefeito. Nos Estados e no Distrito Federal há limites próprios por Poder. Por isso, em prefeituras e câmaras, o parâmetro prático do teto é o valor do subsídio do chefe do Executivo, fixado por lei local.
O que entra no cálculo
A Constituição fala em remuneração, subsídio, proventos, pensões e outras espécies remuneratórias, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza. A relação das parcelas excluídas do teto, como verbas de natureza indenizatória, depende da legislação e da jurisprudência. Por isso, a análise de cada rubrica deve seguir a lei local e a orientação do tribunal de contas competente.
A tese do STF para acumulações permitidas
No Tema 377, aprovado em 27 de abril de 2017, o STF fixou que, nos casos autorizados pela Constituição de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do art. 37, XI, considera cada vínculo isoladamente, e não a soma dos ganhos. O caso que originou a tese (RE 612.975) é de Mato Grosso, relatoria do ministro Marco Aurélio, e a tese está registrada no Tema 377, no portal do STF.
A tese vale para acumulações lícitas. Quando a acumulação for ilegal, ou quando a rubrica não estiver abrangida pela exceção, a regra geral continua. A análise exige cuidado e documentação.
Como aplicar no seu órgão
- Confirme o valor do subsídio do prefeito na lei local vigente e atualize o limite no sistema de folha a cada alteração.
- Faça um mapa das rubricas da folha, classificando as parcelas que a lei local inclui e exclui do teto.
- Verifique servidores com mais de um vínculo e confira se a acumulação é autorizada pela Constituição.
- Registre o cálculo do teto em memória de cálculo, para responder a auditorias.
- Em caso de excesso, dê ciência ao servidor e siga o procedimento do estatuto e do tribunal de contas.
Perguntas frequentes
Servidores de outros entes que atuam no município entram nessa conta?
A Constituição fala em percepção cumulativa ou não. A forma de verificar vínculos em entes diferentes e a aplicação do Tema 377 devem ser analisadas caso a caso, com apoio jurídico.
Quem fixa o subsídio do prefeito?
É fixado por lei de iniciativa da câmara municipal, observados os limites da Constituição (art. 29, V). Regras sobre o momento da fixação constam da Lei Orgânica e da orientação do tribunal de contas do estado. Consulte a lei vigente do seu município.
Atenção: este texto traz a base constitucional e legal geral. O estatuto e as leis de carreira de cada município (ou da câmara) definem prazos, fatores, procedimentos e vantagens específicos. Confira sempre a norma local antes de decidir.



