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Public Value Scorecard: medir valor público, apoio e capacidade

Em resumo

O Public Value Scorecard foi proposto por Mark Moore em 2003, como alternativa ao scorecard de Kaplan para organizações sem fins lucrativos, e desenvolvido no livro Recognizing Public Value (2013). Na prefeitura, ajuda a acompanhar três coisas ao mesmo tempo: valor entregue, legitimidade e capacidade operacional.

Como saber se uma prefeitura está criando valor para a população? O Public Value Scorecard, ou painel de valor público, é uma resposta de Mark Moore, da Harvard Kennedy School. Em vez de medir só lucro ou satisfação do usuário, o painel acompanha o valor entregue, o apoio que sustenta a ação e a capacidade de entregar. Veja a origem, como adaptar e uma ficha para uso.

O que é o Public Value Scorecard

A proposta aparece em um texto de Mark H. Moore de maio de 2003, "The Public Value Scorecard: A Rejoinder and an Alternative", publicado na série de documentos de trabalho do Hauser Center (HCNO Working Paper Series). O texto comenta o livro de Robert Kaplan sobre medição de desempenho em organizações sem fins lucrativos e sugere um caminho alternativo. A ferramenta foi desenvolvida depois no livro Recognizing Public Value, de 2013, publicado pela Harvard University Press.

No livro, Moore argumenta que modelos do setor privado, baseados na satisfação do cliente e no resultado financeiro, não se transferem diretamente para o governo. Ele propõe duas ferramentas ligadas:

  • Public Value Account (conta de valor público): identifica os valores que os cidadãos querem ver produzidos pelas agências, como cumprir missões definidas coletivamente, agir com justiça e satisfazer usuários e demais partes interessadas.
  • Public Value Scorecard: é o painel para gestores estratégicos, que acompanha as ações para construir legitimidade e apoio ao valor pretendido e as inovações necessárias na capacidade operacional.

O desenho mantém a lógica do triângulo estratégico de Moore, tratado em outra matéria do Observatório: valor, legitimidade e capacidade. Esta matéria não tem vínculo com a Harvard Kennedy School.

Por que ajuda no setor público

Muitos painéis de prefeituras medem atividade: número de atendimentos, obras entregues, reuniões realizadas. O painel de valor público pergunta mais: o que mudou para o cidadão? A comunidade reconhece e apoia? A equipe e os sistemas têm condições de sustentar o resultado? Quando uma das três dimensões vai mal, a gestão enxerga o que precisa de atenção.

O painel também reforça a transparência. Mostrar à população, à câmara e aos conselhos um conjunto simples de indicadores nas três frentes ajuda a prestar contas de forma compreensível. Ressalva: indicadores exigem dados confiáveis, fonte e data. Sem isso, o painel vira enfeite. E nenhum painel substitui as prestações de contas e relatórios exigidos em lei.

Como aplicar na prefeitura, passo a passo

  1. Escolha o foco. Um programa, uma secretaria ou a prefeitura inteira. Comece menor.
  2. Defina o valor público esperado. Uma ou duas frases sobre o efeito para as pessoas. Verifique com quem usa o serviço.
  3. Escolha indicadores de valor. Resultado para o cidadão: prazo, cobertura, qualidade, equidade. Prefira poucos.
  4. Escolha indicadores de legitimidade e apoio. Participação, confiança, reclamações tratadas, aprovação de conselhos e da câmara, transparência.
  5. Escolha indicadores de capacidade operacional. Equipe disponível, formação, sistemas funcionando, prazo de processos internos, execução do orçamento.
  6. Defina fonte, frequência e responsável. Cada indicador precisa de um dono e de uma data de atualização.
  7. Revise com a equipe. Em reuniões periódicas, veja onde o painel mostra descompasso e decida ações.

Modelo para preencher

Adapte à legislação e à realidade do seu órgão.

Dimensão Pergunta Indicador Fonte e data Meta Responsável
Valor público O que melhora para o cidadão?        
Legitimidade e apoio Quem apoia, aceita e confia?        
Capacidade operacional Temos condições de entregar de forma sustentável?        

Exemplo prático

Exemplo hipotético, para ilustrar. Uma prefeitura cria um canal digital para solicitações de serviços urbanos, como reparo de iluminação.

  • Valor: prazo médio de atendimento das solicitações e percentual resolvido, por região.
  • Legitimidade: número de solicitações por região, para ver se o canal chega a todos, e satisfação registrada pelo cidadão.
  • Capacidade: equipe disponível para triagem e tempo de resposta das áreas executoras.

O painel mostra que o prazo é bom nas regiões centrais, mas poucas solicitações vêm da zona rural. A equipe conclui que o problema é de legitimidade e acesso, e não de capacidade, e cria uma campanha de divulgação e um atendimento presencial itinerante.

Erros comuns

  • Medir só atividade. O número de atendimentos não prova que o cidadão ganhou algo.
  • Indicadores demais. Poucos indicadores bem acompanhados valem mais que dezenas esquecidos.
  • Dados sem fonte. Cada número precisa de fonte e data.
  • Esquecer a legitimidade. Um serviço bom sem apoio pode ser descontinuado.
  • Usar como instrumento de propaganda. O painel serve para decidir e prestar contas, e não para exibir só números favoráveis.

Quando usar e quando não usar

O painel é indicado quando a gestão quer acompanhar uma política ou um programa de forma equilibrada, e não apenas pelo volume de atividades. Se a prefeitura ainda não tem dados básicos de execução, comece por organizá-los antes de ampliar para legitimidade e capacidade. Cuide também da linguagem: indicadores que a população entende ajudam a prestar contas e a construir apoio, e os que só a equipe técnica entende pouco contribuem.

Perguntas frequentes

Qual a diferença para o Balanced Scorecard?

O Balanced Scorecard, de Kaplan e Norton, nasceu em empresas e é tratado em outra matéria. O de Moore responde à necessidade de medir valor público, legitimidade e capacidade no governo.

Preciso medir o apoio da população?

Medir o apoio ajuda, mas pode ser feito de modo simples, com participação em consultas, reclamações tratadas e avaliação dos serviços.

Serve para câmaras?

Serve. A câmara pode acompanhar valor entregue à população, legitimidade e capacidade institucional.

Em que se relaciona com o triângulo estratégico?

O painel traduz o triângulo em indicadores acompanháveis nas três dimensões.

Fontes

  1. The Public Value Scorecard: A Rejoinder and an Alternative — Harvard Kennedy School, 01/05/2003
  2. Recognizing Public Value — Harvard Kennedy School, 01/01/2013
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