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Modelo de comunicação de Lasswell: como aplicar na prefeitura

Em resumo

O modelo de Lasswell organiza qualquer mensagem em cinco perguntas: quem diz o quê, por qual canal, para quem e com que efeito. É um roteiro simples para planejar a comunicação da prefeitura, desde que se lembre de que a comunicação real não é de mão única.

O modelo de comunicação de Lasswell propõe que, para entender ou planejar uma comunicação, basta responder a cinco perguntas: quem diz o quê, por qual canal, a quem e com que efeito. É um modelo antigo e simples, e por isso mesmo continua útil. Para o gestor municipal, funciona como roteiro rápido antes de lançar uma campanha, um comunicado ou uma resposta a uma crise. Aqui você vê a origem, o significado de cada pergunta, um passo a passo, uma ficha e os limites do modelo.

O que é o modelo de Lasswell

O modelo é associado ao cientista político americano Harold Lasswell e ao ensaio "The Structure and Function of Communication in Society", de 1948, publicado na coletânea organizada por Lyman Bryson, The Communication of Ideas (Nova York: Institute for Religious and Social Studies, 1948, p. 37-51). Segundo a Wikipedia, ele foi apresentado como uma forma de organizar o estudo científico do processo de comunicação, e cada pergunta aponta para uma área de análise.

  • Quem? O emissor. Estuda-se quem controla a mensagem e com que autoridade fala.
  • Diz o quê? O conteúdo. Estuda-se a mensagem em si.
  • Por qual canal? O meio: televisão, rádio, rede social, ofício, reunião, cartaz.
  • A quem? O público. Estuda-se quem recebe e como.
  • Com que efeito? O resultado: o que as pessoas entenderam, sentiram ou fizeram.

A mesma fonte lembra que Lasswell também descreveu funções sociais da comunicação, como vigiar o ambiente, correlacionar partes da sociedade e transmitir cultura. O modelo foi influenciado pelo contexto de sua época, marcado pelo estudo da propaganda nas guerras mundiais, e é frequentemente criticado por ser linear e por não considerar o ruído nem o retorno do público.

Por que funciona no setor público

A comunicação pública costuma falhar por falta de alguma das cinco respostas. Prefeituras falam de si (o quê) sem pensar em quem vai receber (a quem), escolhem o canal por hábito e medem o efeito pelo número de curtidas, e não pelo comportamento. O modelo obriga a olhar o ciclo completo e, principalmente, a terminar na pergunta mais importante: o que queremos que as pessoas entendam ou façam depois?

O limite é que a comunicação real é de mão dupla. O cidadão responde, reclama, repete e distorce. Por isso o modelo deve ser complementado por escuta: ouvidoria, atendimento, pesquisas e redes sociais ajudam a fechar o ciclo.

Como aplicar na prefeitura, passo a passo

  1. Comece pelo efeito. Escreva o que as pessoas devem saber, sentir ou fazer. Exemplo: agendar a vacinação até o fim do mês.
  2. Defina o público. Quem exatamente? Famílias com crianças pequenas, moradores de um bairro, comerciantes?
  3. Escolha quem fala. Quem tem credibilidade para esse público? Pode ser o prefeito, a secretária, a agente de saúde ou uma liderança local.
  4. Escreva a mensagem. Uma ideia central, com linguagem simples, e a ação que se espera.
  5. Escolha o canal. Onde esse público está e o que usa? Alto-falante, grupo de mensagens, rádio local, cartaz na unidade de saúde.
  6. Verifique a coerência. Emissor, mensagem, canal e público combinam entre si?
  7. Meça o efeito. Defina um indicador de comportamento, como agendamentos feitos.
  8. Escute e ajuste. Veja o retorno e corrija a mensagem ou o canal.

Modelo para preencher

Use a ficha abaixo antes de qualquer ação de comunicação. Adapte à legislação e à realidade do seu órgão.

Pergunta O que responder Cuidado
Com que efeito? O que o público deve saber ou fazer, com prazo Escolha uma única ação principal
A quem? Grupo específico e como ele se informa Evite "toda a população"
Quem diz? Porta-voz com credibilidade para esse grupo Respeite as regras de publicidade institucional
Diz o quê? Mensagem central em uma frase Linguagem simples e sem sigla
Por qual canal? Meios que o público realmente usa Combine um canal digital e um presencial
Como medir? Indicador de comportamento e data de checagem Curtidas não medem efeito

Exemplo prático

Exemplo hipotético. A secretaria de saúde quer aumentar a vacinação infantil em um bairro de baixa cobertura. O efeito desejado é que as famílias levem as crianças à unidade em uma semana definida. O público são pais e responsáveis do bairro. Quem diz: as agentes comunitárias de saúde, que conhecem as famílias. O quê: uma mensagem curta com dia, horário e local. O canal: visita domiciliar, grupo de mensagens da comunidade e cartaz na escola. O efeito é medido pelo número de crianças vacinadas na semana, comparado com o mês anterior. Todos os fatos são fictícios.

Erros comuns

  • Começar pelo canal. "Vamos fazer um vídeo" antes de saber o que se quer alcançar.
  • Público genérico. Falar com todos é falar com ninguém.
  • Mensagem institucional. Falar de feitos da gestão em vez de orientar o cidadão.
  • Medir só alcance. Visualizações não dizem se o comportamento mudou.
  • Esquecer o retorno. Sem escuta, o modelo vira discurso de mão única.

Perguntas frequentes

O modelo ainda vale na era das redes sociais?

Vale como roteiro de planejamento. Nas redes, o público também emite e responde, então a escuta tem de ser parte do processo.

Serve para comunicação interna?

Serve. O público é o servidor, o canal pode ser reunião, mural ou mensagem, e o efeito é a mudança de rotina.

Qual a diferença para os modelos mais recentes?

Os modelos posteriores incluem ruído, retorno e contexto. O de Lasswell é o mais simples e serve de ponto de partida.

Há regras para a comunicação oficial?

Sim. A publicidade institucional tem limites constitucionais (Constituição Federal, art. 37, § 1º: caráter educativo, informativo ou de orientação social, sem nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal). Nos três meses que antecedem a eleição, a Lei 9.504/1997 (art. 73, VI, b, e § 3º) proíbe autorizar publicidade institucional nas esferas administrativas cujos cargos estejam em disputa, salvo grave e urgente necessidade pública reconhecida pela Justiça Eleitoral e a propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado. Consulte a assessoria jurídica em cada caso.

Fontes

  1. Lasswell's model of communication — Wikipedia (apoio; cita o ensaio de 1948), 12/10/2026
  2. Constituição Federal, art. 37, § 1º — Planalto, 05/10/1988
  3. Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, art. 73 — Planalto, 30/09/1997
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