O Selo UNICEF é um dos programas mais conhecidos de reconhecimento de municípios que cuidam de crianças e adolescentes. Na edição 2025-2028, aderiram 2.266 municípios brasileiros, o maior número da história do programa, o que equivale a cerca de 40% das cidades do país, segundo coluna publicada pelo próprio UNICEF Brasil na revista Exame em outubro de 2025.
Como funciona
O programa segue uma metodologia de quatro anos. Os municípios aderem de forma voluntária e gratuita, comprometem-se a colocar crianças e adolescentes no centro das políticas públicas e recebem apoio técnico, que inclui formação, monitoramento de indicadores e acompanhamento metodológico. A certificação internacional é concedida em 2028 às cidades que alcançarem os avanços esperados.
A prioridade da edição é a Amazônia Legal, o Nordeste e o norte de Minas Gerais, regiões em que os indicadores sociais de infância são mais frágeis. Os eixos citados na coluna incluem frequência escolar (Busca Ativa Escolar), imunização e proteção contra a violência, com atenção especial a crianças indígenas e quilombolas.
Exemplo estadual: Tocantins
O Correio da Manhã registrou que, pela primeira vez, os 139 municípios do Tocantins aderiram ao Selo, contra 73 no ciclo anterior. A reportagem atribui o resultado ao diálogo do governo estadual com prefeituras e secretarias municipais, que coordenou e orientou os gestores locais. Isso mostra um caminho para estados e associações municipalistas: apoiar a adesão e a execução, não apenas divulgar.
Resultados informados pelo programa
A coluna do UNICEF informa resultados do ciclo anterior, como: entre 2013 e 2022, o programa ajudou a manter mais de 100 mil crianças na escola; entre 2020 e 2023, a cobertura da segunda dose da tríplice viral subiu 17,7% nos municípios certificados (de 56,4% para 66,4%), contra 2,6% no país; e a evasão escolar caiu 47% nos 923 municípios certificados em 2024, ante queda de 38% no país entre 2019 e 2023. Atenção: são dados divulgados pelo próprio programa, em texto institucional, e não passaram por avaliação independente nesta apuração.
O que dá para replicar, mesmo sem aderir
- Escolha poucos indicadores e acompanhe todo mês. O programa trabalha com indicadores de frequência escolar, vacinação e violência; um painel simples já muda a conversa na secretaria.
- Crie um comitê intersetorial. Educação, saúde e assistência social precisam olhar os mesmos dados de crianças.
- Use a busca ativa. Localizar crianças fora da escola ou com vacina atrasada exige rotina e integração de cadastros.
- Defina metas para quatro anos. O ciclo de mandato favorece planejamento que atravessa mudanças de gestão.
- Documente tudo. Quem se prepara para certificação precisa de evidências e relatórios.
Antes de aderir, confirme com o UNICEF e com o governo do seu estado se o município está na área prioritária e quais são as regras do ciclo. A adesão do município para esta edição já ocorreu, e a próxima abertura depende da coordenação do programa.
Perguntas frequentes
Meu município pode aderir agora?
A adesão à edição 2025-2028 já foi apurada em 2025. Para saber se há nova janela ou como participar de ações do ciclo, procure o UNICEF e a coordenação estadual do Selo.
O Selo dá dinheiro ao município?
As fontes consultadas descrevem apoio técnico (formação, monitoramento de indicadores e acompanhamento metodológico) e adesão gratuita. Não há menção a repasse financeiro nessas fontes.
Por que acompanhar o programa mesmo sem aderir?
Porque a metodologia reúne áreas que costumam trabalhar separadas e usa indicadores públicos, o que pode ser replicado em um painel próprio.
Checklist de preparação
- Responsável político e responsável técnico indicados;
- Indicadores de frequência escolar, vacinação e violência levantados;
- Reunião mensal entre educação, saúde e assistência social;
- Rotina de busca ativa com fluxo e prazos;
- Relatório semestral com avanços e dificuldades.



