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Cidades e clima: o que o ex-prefeito de Nova York ensina sobre risco

Em resumo

No PolicyCast da Harvard Kennedy School, o ex-prefeito de Nova York Bill de Blasio defende priorizar obras de resiliência climática pelo número de pessoas, casas, empregos e serviços protegidos. Ele também alerta que padrões de drenagem podem ser superados e que a atenção política some rápido depois da crise.

As cidades e o clima estão no centro de um episódio do podcast da Harvard Kennedy School (HKS), o PolicyCast. O texto de apresentação de Performance and strategy: How American cities can prepare for an increasingly destructive climate, de 23 de novembro de 2022, resume a conversa do apresentador Ralph Ranalli com Bill de Blasio, prefeito de Nova York de 2014 a 2021 e pesquisador visitante do Instituto de Política da HKS naquele semestre.

A ideia em resumo

De Blasio era autoridade municipal no furacão Sandy (2012) e prefeito na tempestade Ida (2021). Sua tese é que a preparação exige escolhas difíceis de prioridade, coragem política para decisões impopulares no curto prazo e acompanhamento contínuo, porque o interesse público some quando a emergência passa.

O que a conversa trouxe

Segundo o resumo da página, os principais pontos foram:

  • Critério de prioridade: classificar projetos pelo número de pessoas, moradias, empregos, linhas de metrô e hospitais que protegem. Ele cita como exemplo prático uma orla reconstruída para funcionar também como barreira contra tempestades, e vê com ceticismo uma grande muralha contra o mar, cara e incerta.
  • Resistência local: obras de resiliência enfrentam oposição de vizinhanças, como no caso de um projeto que exigia a retirada de árvores. A preocupação com o tema cai rápido depois de cada desastre.
  • Padrões superados: o apresentador lembra que as galerias de Nova York suportam cerca de 1,5 polegada de chuva por hora, e que na tempestade Ida o Central Park registrou mais de 3,1 polegadas em uma hora. De Blasio conta que os bombeiros nunca tinham enfrentado resgates de pessoas se afogando em apartamentos de subsolo.
  • Fases e prestação de contas: a resiliência exige abordagem em etapas, ao longo de décadas, e acompanhamento por universidades, imprensa e organizações civis.

É um episódio de opinião de ex-gestor, não um estudo com dados novos. Os números acima são os ditos no episódio, conforme a transcrição publicada na página.

O que um episódio de podcast pode ensinar à gestão

Um podcast não substitui estudo técnico, mas tem valor como relato de quem decidiu sob pressão. O ponto mais útil para o gestor brasileiro é a combinação de três ideias: critério claro para escolher o que fazer primeiro, atenção a padrões de projeto que o clima já ultrapassou e mecanismos de cobrança que sobrevivam à troca de governo. Cada uma delas pode ser aplicada sem grandes verbas, apenas com organização e dados.

A fala do ex-prefeito sobre a oposição de vizinhos a obras também é relevante: a mesma comunidade que pede proteção pode resistir à intervenção que a oferece. Preparar a conversa com antecedência, com mapas de risco e alternativas, costuma reduzir o conflito mais do que explicar depois que a obra começou.

Outro ponto da conversa vale registro: o ex-prefeito distingue redução de emissões, que deve ser perseguida ao máximo, de resiliência, que exige fases ao longo de décadas. Para um município pequeno, isso significa separar o que se faz agora, com baixo custo (limpeza de galerias, mapas de risco, alerta à população), do que depende de obras maiores e de financiamento externo.

Como aplicar no Brasil

Muitos municípios brasileiros convivem com enchentes, deslizamentos e secas. Um roteiro inspirado na conversa:

  1. Mapeie o que está em risco. Liste áreas, famílias, escolas, unidades de saúde, vias e serviços essenciais expostos, com ajuda da defesa civil local.
  2. Crie um critério público de priorização. Pontue obras de drenagem, contenção e adaptação por pessoas e serviços protegidos, e publique a metodologia.
  3. Revise os parâmetros. Verifique se projetos de drenagem e de proteção usam dados de chuva recentes ou séries antigas.
  4. Ensaie situações novas. Faça simulados que incluam cenários sem precedente local, como alagamento de moradias em áreas baixas.
  5. Planeje em etapas. Inclua as obras no PPA, na LDO e na LOA em fases, com metas anuais, e proteja-as de mudanças de gestão com indicadores públicos.
  6. Converse antes da obra. Apresente à comunidade o risco, as alternativas e os custos, porque a resistência local é previsível.

Cuidados e limites

O contexto de Nova York (orçamento, financiamento federal, geografia) é muito diferente do da maioria dos municípios brasileiros. As responsabilidades de proteção e defesa civil, de uso do solo e de saneamento seguem normas federais, estaduais e municipais próprias, que devem ser conferidas com a procuradoria. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para ligar essas prioridades ao orçamento, veja o serviço de planejamento governamental, PPA, LDO e LOA, o de comunicação em situações de crise e o curso de planejamento de políticas públicas.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Performance and strategy: How American cities can prepare for an increasingly destructive climate (PolicyCast) — Harvard Kennedy School PolicyCast, 23/11/2022
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