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Imagem do servidor público: o que pesquisa dos EUA mostra

Em resumo

O People Lab, da Harvard Kennedy School, pesquisou em 2025 e 2026 como os americanos veem quem trabalha no governo. A maioria tem visão favorável, mas inferior à que tem do setor privado, e a imagem de integridade pesa na confiança no governo e no interesse por carreiras públicas. O estudo traz pistas para a comunicação e o recrutamento de órgãos brasileiros.

O que as pessoas pensam de quem trabalha no governo afeta a confiança nos serviços e a vontade de jovens talentos de entrar na carreira pública. O People Lab, centro da Harvard Kennedy School (HKS) dedicado a estudar o setor público, publicou em junho de 2026 o white paper “How do Americans View Government Workers?”, dos autores Alec Wall, Jessica Lasky-Fink e Elizabeth Linos. Ele reúne os primeiros resultados de uma série trimestral de pesquisas sobre a imagem do servidor público, lançada em dezembro de 2025. O PDF completo traz método e números.

A ideia em resumo

A pesquisa mede quatro dimensões: calor humano, competência, integridade e inovação. Foram quatro estudos com amostras representativas dos Estados Unidos (3.765 respondentes no total), feitos entre dezembro de 2025 e março de 2026, com perguntas e experimentos de pesquisa. O texto trata de um país específico, mas o raciocínio vale para qualquer administração: estereótipos não são só questão de imagem; podem influenciar a confiança, a cooperação do cidadão e o recrutamento.

O que a pesquisa mostrou

  • A maioria tem visão favorável. Em março de 2026, 68% viam os servidores como competentes, 57% como íntegros e 51% como calorosos. Apenas 26% os viam como inovadores, e menos de um em cada cinco achava que o trabalho no setor público oferece espaço para discricionariedade (16%) ou criatividade (11%).
  • Setor público perde para o privado, em média, em calor humano, competência e inovação; em integridade, a diferença não foi significativa no estudo comparativo.
  • Os rótulos importam. Quando o grupo avaliado era chamado de “servidores públicos”, a nota de integridade (4,37 em escala de 1 a 7) foi bem maior do que quando era chamado de “burocratas” (3,08). Quem imaginava um “burocrata” também tendia a imaginá-lo mais como branco e de menor prestígio social (e, com diferença menos firme, como homem).
  • A ocupação muda a percepção. Os bombeiros foram vistos de forma favorável pelos diferentes grupos de respondentes, enquanto outras ocupações geraram avaliações muito díspares; os autores citam, por exemplo, o contraste entre policiais e bibliotecários.
  • Experiências também contam. Quem teve contato recente com a burocracia para pedir benefício ou licença tendia a ter visão mais negativa, o que sugere que o custo de lidar com o governo pesa na imagem.
  • Imagem e confiança andam juntas. Em março de 2026, 23% consideravam confiável o governo federal e 52%, o governo local. Quem tinha melhor opinião sobre a integridade dos servidores confiava mais nos dois níveis. Os autores deixam claro que a relação pode ocorrer nos dois sentidos.
  • Imagem e carreira. Entre pessoas de 18 a 55 anos, as percepções de calor humano, competência e integridade explicaram mais o interesse por trabalhar no setor público do que as crenças sobre salário, estabilidade ou benefícios, e a integridade foi a que mais pesou. Entre dezembro e março, a parcela interessada caiu 4 pontos percentuais, diferença que os autores tratam como indício, sem a mesma firmeza estatística dos demais achados.

O estudo também registra diferenças fortes por posição política dos respondentes, que variam por ocupação; elas dizem respeito ao contexto dos Estados Unidos e não são tratadas aqui.

Como aplicar no Brasil

  • Meça antes de supor. Inclua em pesquisas de satisfação com o atendimento duas ou três perguntas sobre como o cidadão vê a equipe (respeito, competência, honestidade) e acompanhe ao longo do tempo.
  • Cuide da linguagem institucional. Veja como a prefeitura, a câmara ou o órgão se refere às pessoas que trabalham nele, em campanhas, portal e notícias. Mostre o que as pessoas fazem e os resultados, não o cargo.
  • Conte histórias de integridade e inovação, dimensões que o estudo mostra como frágeis (inovação, a pior avaliada) ou decisivas (integridade, a que mais se liga à confiança e à carreira): processos abertos, correções feitas, melhorias que partiram do servidor.
  • Reduza o custo burocrático para o cidadão. A experiência com o serviço molda a imagem de quem o presta; simplificar e explicar em linguagem simples ajuda duas vezes.
  • Use essas pistas no concurso e no recrutamento: divulgue o impacto do trabalho, não só a estabilidade.

Cuidados e limites

Os dados são de pesquisas on-line com americanos, em um momento de debate intenso sobre o serviço federal daquele país. Eles não descrevem o Brasil, onde carreira, estabilidade, confiança e percepção do serviço público têm outra história. As relações medidas são associações, e os autores reconhecem que não é possível dizer, com a pesquisa, o que causa o quê. Os números de variação ao longo do tempo, como a queda do interesse, são de apenas duas rodadas. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

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Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. How do Americans View Government Workers? — Harvard Kennedy School, The People Lab, 01/06/2026
  2. Perceptions of Public Servants: How do Americans view government workers? (white paper, PDF) — Harvard Kennedy School, The People Lab, 01/06/2026
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