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Índia: infraestrutura pública digital, de Aadhaar ao UPI

Em resumo

A Índia construiu uma pilha de infraestrutura pública digital com identidade (Aadhaar), pagamentos (UPI) e troca de dados. Um estudo do FMI de 2023 associa o modelo a mais inclusão financeira e eficiência do gasto; um relatório de dezembro de 2025, feito por uma entidade ligada ao setor, traz dados mais recentes. O Brasil tem seu próprio caso, o Pix.

A infraestrutura pública digital da Índia, a chamada India Stack, é um dos casos mais estudados do mundo. Em vez de uma só plataforma, o país montou “blocos” que servem a muitos serviços: identidade, pagamentos e troca de dados. Um documento do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 31 de março de 2023, intitulado “Stacking up the Benefits”, descreve a combinação de identificação digital única, sistema de pagamentos e camada de troca de dados que sustenta o modelo.

O que é a India Stack

Segundo o FMI, a ideia central é o desenho em blocos compartilhados, que permitem interoperabilidade, reuso entre serviços e inovação no ecossistema. Entre os blocos, estão o Aadhaar (identificação), o UPI (pagamentos instantâneos), o DigiLocker (documentos digitais) e os agregadores de contas, citados em um relatório de dezembro de 2025.

O que o FMI diz sobre os resultados

O estudo afirma que a infraestrutura digital foi usada para fomentar inovação e concorrência, ampliar mercados, reduzir lacunas de inclusão financeira, aumentar a arrecadação e melhorar a eficiência do gasto público. É uma análise de política pública, e não uma auditoria de cada número. O mesmo artigo recomenda o desenho por blocos compartilhados e apoio à inovação em todo o ecossistema.

Dados mais recentes, com ressalva

Em 10 de dezembro de 2025, a Protean eGov Technologies e o Centro de Bens Públicos Digitais do IIM Bangalore divulgaram o relatório “State of Digital Public Infrastructure in India”. Segundo o texto, divulgado pela imprensa como comunicado:

  • O UPI responde por 49% dos pagamentos em tempo real do mundo.
  • Os agregadores de contas passaram de 2,2 bilhões de consentimentos, com 112 milhões de usuários vinculados.
  • Transferências diretas de benefícios apoiadas pelo Aadhaar cobrem 328 programas em 56 ministérios.
  • Os serviços financeiros estão mais maduros que a saúde digital.

A Protean é uma empresa que fornece infraestrutura digital, e o texto foi publicado como recebido. Por isso, os números devem ser lidos como informação do setor, e não como estatística independente.

O que dá para trazer ao Brasil

O Brasil já tem o Pix, que o Banco Central diz ter movimentado cerca de R$ 35,36 trilhões e 79,8 bilhões de operações em 2025. A lição da Índia não é copiar um produto, mas pensar em infraestrutura: serviços públicos que se apoiem em identidade, pagamento e dados já existentes (gov.br, Pix, Conecta gov.br), em vez de cada prefeitura criar o seu cadastro e sua forma de cobrança.

Cuidados de LGPD

Identidade única e transferências diretas concentram muitos dados e podem excluir quem não tem documento ou acesso. O Brasil precisa seguir a LGPD (Lei 13.709/2018): finalidade específica e mínimo necessário de dados (art. 6º, I e III) e informação pública sobre o tratamento (art. 23). Em programas sociais, vale testar o acesso de quem não tem celular ou conta bancária.

Como aplicar no seu município

  1. Aproveite o que já existe: login gov.br, Pix para cobrar taxas e emitir comprovantes.
  2. Evite cadastros novos que repitam dados já existentes em bases oficiais.
  3. Padronize como os sistemas da prefeitura trocam dados, para reuso.
  4. Teste com o público que tem mais dificuldade antes de ampliar.
  5. Publique indicadores simples: tempo de atendimento, custo por serviço, satisfação.

Fontes

  1. Stacking Up the Benefits: Lessons from India's Digital Journey — Fundo Monetário Internacional (FMI), 31/03/2023
  2. Protean and CDPG IIM Bangalore release State of DPI in India report — The Tribune (comunicado), 10/12/2025
  3. Pix bate recorde em 2025 e movimenta R$ 35,4 trilhões — Metrópoles, 07/02/2026
  4. Lei nº 13.709/2018 (LGPD) — Planalto, 14/08/2018
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