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Modelo GROW de coaching: roteiro para conversas de desenvolvimento

Em resumo

O modelo GROW organiza uma conversa de coaching em quatro momentos: objetivo, realidade, opções e caminho a seguir. Divulgado por John Whitmore no livro Coaching for Performance (1992), é um roteiro simples para chefias conduzirem conversas de desenvolvimento com servidores, fazendo perguntas em vez de dar respostas prontas.

Muitas conversas entre chefe e servidor terminam com o chefe dando a solução e o servidor concordando sem se comprometer. O modelo GROW propõe o contrário: conduzir a conversa por meio de perguntas, para que a pessoa chegue às próprias conclusões e se responsabilize por elas. É um roteiro simples, muito usado em coaching corporativo, e útil para chefias públicas que precisam desenvolver suas equipes sem tempo para longos programas. Veja a origem, as etapas e um passo a passo adaptado à rotina da prefeitura.

O que é o modelo GROW

GROW é um método para definir objetivos e resolver problemas, desenvolvido no Reino Unido e muito usado em coaching corporativo desde o fim dos anos 1980 e nos anos 1990. John Whitmore o publicou no livro Coaching for Performance, de 1992. A autoria do nome e da estrutura é disputada: relatos citam Graham Alexander e Max Landsberg (que o publicou em The Tao of Coaching, de 1996), e Alan Fine reivindicou coautoria. O método foi influenciado pelo trabalho de Timothy Gallwey, o Inner Game, que usava perguntas orientadoras em vez de instruções diretas. Por essas divergências, a autoria deve ser lida como atribuída a Whitmore, que o divulgou, com ressalvas.

O nome é uma sigla em inglês, com quatro ou cinco etapas, conforme a versão:

  • Goal (Objetivo): o que a pessoa quer alcançar, de modo claro o suficiente para saber quando chegou.
  • Reality (Realidade): como está a situação hoje e a distância até o objetivo.
  • Obstacles (Obstáculos), em algumas versões: o que está no caminho.
  • Options (Opções): alternativas para contornar os obstáculos.
  • Way forward (Caminho a seguir): passos concretos, com quem, quando e compromisso de agir.

As versões publicadas variam em rótulos e etapas, e cada profissional usa perguntas diferentes em cada momento.

Limites do modelo

Críticos observam que o foco em metas deixa pouco espaço para explorar dimensões mais amplas da vida, e que o modelo se adapta melhor a coaching esportivo e empresarial do que a orientação de carreira ou de vida. Defensores respondem que o modelo evoluiu para incluir objetivos mais amplos. Para o gestor público, a lição é usar o GROW como roteiro de conversa de desenvolvimento, sem substituir a avaliação de desempenho funcional nem decisões previstas em norma.

Por que serve ao setor público

A rotina de uma chefia pública é feita de urgências. É comum resolver pelo servidor em vez de ajudá-lo a resolver. O GROW oferece uma estrutura curta, que cabe em uma conversa de vinte a trinta minutos, e que fortalece a autonomia e a responsabilidade da pessoa, sem criar nova burocracia. Funciona bem para temas como organizar prioridades, preparar-se para uma nova função, lidar com um projeto difícil ou melhorar o relacionamento com a equipe.

Como aplicar em uma conversa, passo a passo

  1. Prepare o espaço. Marque horário, local reservado e avise o tema. Explique que a conversa é de desenvolvimento.
  2. Objetivo. Pergunte: o que você quer alcançar? Como saberá que chegou lá? Até quando? Ajude a transformar desejos vagos em metas observáveis.
  3. Realidade. Pergunte: como está hoje? O que já foi tentado? O que está funcionando? Peça fatos e exemplos, e evite julgamentos.
  4. Obstáculos e opções. Pergunte: o que atrapalha? Que alternativas existem? O que você faria se não houvesse limites? E se houvesse apenas os limites reais? Só então, se a pessoa pedir, ofereça sua experiência.
  5. Caminho a seguir. Pergunte: qual será o primeiro passo? Quando? Quem pode apoiar? O que pode impedir? Registre em duas ou três linhas.
  6. Combine o retorno. Marque um breve encontro para verificar o que mudou.
  7. Reflita sobre a conversa. Anote o que funcionou nas perguntas e o que você faria diferente.

Exemplo prático

Exemplo hipotético. Um coordenador conversa com uma analista que quer ser mais eficiente na elaboração de pareceres. No objetivo, ela define reduzir o tempo de resposta de cinco para três dias úteis em um mês. Na realidade, descreve que perde tempo procurando modelos e esperando informações de outros setores. Nos obstáculos, aparecem a falta de um modelo padrão e interrupções constantes. Nas opções, ela cita criar modelos, reservar duas manhãs sem interrupção e pedir as informações antecipadamente. O coordenador contribui com uma sugestão apenas quando ela pede. No caminho a seguir, ela escolhe começar pelos modelos na semana seguinte e marca retorno em quinze dias. A solução foi dela, e o compromisso também. O coordenador não prometeu nenhum resultado numérico, apenas combinou o acompanhamento.

Erros comuns

  • Dar a resposta cedo demais. Quem decide o que fazer, assume mais o compromisso.
  • Pular a realidade. Sem enxergar o ponto de partida, o plano fica irreal.
  • Fazer perguntas que escondem conselhos. “Você não acha que deveria…?” é recomendação disfarçada.
  • Aplicar a todas as situações. Problemas disciplinares ou de descumprimento exigem outros caminhos.
  • Esquecer o retorno. Sem acompanhamento, a conversa vira só um bom momento.

Perguntas frequentes

Quem criou o GROW?

A divulgação é atribuída principalmente a John Whitmore; a autoria é disputada, com nomes como Graham Alexander, Max Landsberg e Alan Fine citados.

Preciso ser coach certificado?

Não para usar o roteiro em conversas de desenvolvimento. Mas é importante se preparar, praticar a escuta e conhecer os limites do papel de chefe.

O GROW substitui a avaliação de desempenho?

Não. A avaliação funcional segue regras legais. O GROW é uma conversa de desenvolvimento complementar.

Quanto tempo dura uma conversa?

Em geral, de vinte a quarenta minutos, dependendo do tema. O importante é sair com o primeiro passo definido.

Fontes

  1. GROW model — Wikipedia, 11/10/2026
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