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Prevenção da falta de moradia: perguntas de pesquisa de Harvard

Em resumo

O Government Performance Lab, da Harvard Kennedy School, reuniu 39 participantes em maio de 2026 e listou cinco áreas em que mais falta pesquisa sobre prevenção da falta de moradia: focalização, caminhos para a rua, relação com despejos, famílias que dividem casa e impacto das intervenções.

A prevenção da falta de moradia é uma política recente, e ainda há muito a descobrir sobre o que funciona. O Government Performance Lab (GPL), laboratório da Harvard Kennedy School (HKS), publicou em 1º de setembro de 2026 o documento Key Questions in Homelessness Prevention: Insights from a Research Convening, de Emma Kornetsky e Luis Camacho. Ele sintetiza as perguntas de pesquisa levantadas em um encontro realizado na HKS em 12 e 13 de maio de 2026, com 39 participantes, a maioria professores e pesquisadores de instituições acadêmicas.

A ideia em resumo

Os participantes identificaram cinco áreas interligadas em que a necessidade de pesquisa é maior:

  1. melhorar a focalização dos programas de prevenção, isto é, atingir quem tem mais risco;
  2. entender melhor os caminhos que levam à falta de moradia;
  3. esclarecer a relação entre despejo e falta de moradia;
  4. identificar formas de apoiar famílias que vivem de favor ou dividem moradia (“doubled up”);
  5. avaliar os impactos de diferentes tipos de intervenção.

O documento serve para ajudar pesquisadores a escolher perguntas prioritárias e orientar financiadores sobre investimentos que provavelmente melhorem a prevenção. Ele próprio afirma que não é uma agenda de pesquisa completa.

O que a publicação não traz

A página de apresentação lista as cinco áreas, mas não detalha as perguntas específicas de cada uma, nem traz resultados, exemplos ou números além do tamanho do encontro. O detalhamento está em um PDF que não foi lido. Por isso, esta matéria trata das áreas como pontos de atenção, e não como conclusões da pesquisa.

Por que isso importa para o gestor

Mesmo sem respostas prontas, a lista é um bom mapa de perguntas para um município que lida com população em situação de rua, despejos e déficit habitacional. Ela sugere que prevenir é diferente de atender quem já está na rua: exige olhar para o período anterior, quando a família ainda tem teto, mas está sob risco. Também sugere que o gestor precisa saber quais famílias entram em risco, por que caminhos e que apoio faz diferença.

No Brasil, esse olhar conversa com a assistência social, a habitação, a justiça (conflitos de locação e de posse) e os cadastros de programas. A integração de dados entre essas áreas é, em geral, o primeiro obstáculo.

Vale lembrar que o GPL atua com governos locais em projetos práticos, e este documento é parte desse esforço: aproximar quem pesquisa de quem decide. Para o gestor brasileiro, a mensagem é que boas perguntas precedem boas políticas, e que registrar dados desde já permite responder, mais tarde, o que funcionou no território.

Outra observação útil: a lista de áreas tem uma lógica de funil. Primeiro, saber quem está em risco e por onde as pessoas chegam à rua; depois, entender o papel do despejo e das famílias que moram de favor; por fim, testar o que realmente funciona. Gestores podem seguir a mesma ordem ao montar um programa local, sem esperar que a pesquisa acadêmica tenha todas as respostas.

Como aplicar no Brasil

  1. Mapeie os pontos de entrada. Identifique onde a prefeitura entra em contato com famílias em risco: CRAS, CREAS, saúde, aluguel social, defensoria, programas habitacionais, ações de despejo e reintegração de posse acompanhadas pelo município.
  2. Defina o que é “risco”. Combine critérios simples (atraso de aluguel, ordem de despejo, perda de renda, coabitação precária) para priorizar atendimento.
  3. Estude os caminhos. Analise, com dados anonimizados, o histórico de quem chegou à situação de rua para achar momentos de intervenção anteriores.
  4. Teste intervenções pequenas e meça. Experimente, por exemplo, orientação jurídica, auxílio temporário ou mediação, comparando com um grupo semelhante que não recebeu.
  5. Olhe a coabitação. Famílias que vivem na casa de parentes ou amigos costumam ficar invisíveis nas estatísticas; inclua-as nos cadastros.
  6. Proteja os dados. Cruze bases com respeito à LGPD, com finalidade definida e acesso restrito.

Cuidados e limites

O documento é uma síntese de perguntas e não um estudo de resultados; a realidade americana (mercado de aluguel, sistema de despejo, financiamento federal) é distinta da brasileira. Políticas de habitação, assistência social e proteção de dados são regidas por normas próprias, que devem ser verificadas com a equipe jurídica. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para estruturar indicadores e fluxos entre áreas, veja o serviço de integração de processos entre áreas, o de gestão de indicadores e resultados e o curso de inteligência artificial para a assistência social.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Key Questions in Homelessness Prevention: Insights from a Research Convening — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 01/09/2026
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