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Servidores usam IA, mas faltam regras: o que dizem as pesquisas

Em resumo

Duas pesquisas recentes mostram que servidores públicos já usam IA, mas sem regras e treinamento suficientes. Um relatório da Apolitical (fevereiro de 2026) ouviu 5 mil servidores de 26 países; um índice patrocinado pelo Google (fevereiro de 2026) ouviu 3.335 em dez países, incluindo o Brasil. As amostras têm limites e os dados são autodeclarados.

Se a sua prefeitura ainda não tem regras para IA, é provável que os servidores já estejam usando por conta própria. É o que sugerem duas pesquisas divulgadas entre 2025 e 2026. O dado comum entre elas é que servidores públicos usam IA com frequência, mas as regras, a confiança e o treinamento ainda ficam atrás do uso.

O relatório da Apolitical

A Apolitical, plataforma de aprendizagem para servidores públicos, publicou em fevereiro de 2026 o relatório “Insights from the AI Readiness Check”, com dados coletados em 2025 junto a 5 mil servidores de 26 países. O teste é uma ferramenta gratuita de autoavaliação, oferecida pela própria plataforma.

Em um relatório anterior, de julho de 2025, a Apolitical afirmou que a maioria dos governos “está ficando para trás” na adaptação à IA. Segundo a cobertura do Government News: apenas 37% dos servidores responsáveis por projetos de IA disseram ter apoio para ampliar conhecimentos e habilidades, e 64% estavam otimistas com o uso futuro da IA no governo. O relatório recomenda uma abordagem centrada nas pessoas, esforço de todo o governo e foco em IA que apoia o servidor, em vez de apenas automatizar.

O índice de dez países, com o Brasil

Em 5 de fevereiro de 2026, o Center for Data Innovation divulgou um comunicado sobre o “Public Sector AI Experience Index”. A pesquisa ouviu 3.335 servidores em dez países: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Brasil, África do Sul, Índia, Singapura e Arábia Saudita. Os principais resultados:

  • Mais de 70% dos servidores usam IA, mas só 18% acham que o governo a usa “de forma eficaz”.
  • 80% dizem que a IA é empoderadora no dia a dia.
  • Onde há regras claras e apoio da liderança, 91% se sentem confiantes para usar.
  • O Brasil aparece no grupo dos “adotantes irregulares”, junto com Estados Unidos, Reino Unido e África do Sul.

Limites das pesquisas

  • Quem pagou: o índice é patrocinado pelo Google, informação que o próprio comunicado traz.
  • Autodeclaração: mede percepção e opinião, não qualidade de serviço ou resultado.
  • Metodologia: o comunicado não traz o tamanho da amostra por país nem margem de erro.
  • Amostras: a da Apolitical é de pessoas que procuraram o teste da própria plataforma, e pode não representar todos os servidores.
  • Correlação: clareza de regras ligada a mais confiança é uma associação, não prova de causa.

O que isso significa para o gestor

As pesquisas não dizem que o uso de IA é bom ou ruim. Dizem que ele já está acontecendo e que, sem regras, o risco recai sobre o servidor e sobre o cidadão, por exemplo, com o envio de dados pessoais a ferramentas sem contrato e com informações incorretas em documentos oficiais. A LGPD (Lei 13.709/2018) já se aplica a esses casos: exige finalidade específica e mínimo necessário de dados (art. 6º) e segurança (art. 6º, VII).

Como aplicar no seu órgão

  1. Pergunte antes de proibir: faça uma enquete anônima e simples sobre quais ferramentas as equipes já usam.
  2. Escreva uma regra curta (uma página): o que pode, o que não pode (nada de dados pessoais em ferramentas abertas), quem revisa.
  3. Ofereça uma ferramenta aprovada pelo órgão, com contrato e proteção de dados, para que ninguém precise improvisar.
  4. Treine por função: o que um assessor jurídico precisa saber é diferente do que precisa a ouvidoria.
  5. Reveja a cada seis meses: a tecnologia muda rápido.

Fontes

  1. Insights from the AI Readiness Check — Apolitical, 01/02/2026
  2. Governments' AI capability lagging behind — Government News, 11/07/2025
  3. Over 70% of public servants worldwide use AI while government frameworks are still evolving — Center for Data Innovation, 05/02/2026
  4. Lei nº 13.709/2018 (LGPD) — Planalto, 14/08/2018
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