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Equipe do prefeito: o caso de Boston e a mudança sistêmica

Em resumo

O caso Charting a Course for Boston, da Harvard Kennedy School, acompanha a prefeita eleita Michelle Wu, onze dias antes da posse, decidindo como organizar a equipe para entregar mudanças em vários órgãos: contratar assessores de alto perfil no gabinete ou atribuir o trabalho aos secretários.

Como montar a equipe do prefeito para entregar uma agenda de mudança? O caso Charting a Course for Boston: Organizing for Change, da Harvard Kennedy School (HKS), enfrenta a pergunta com a prefeita eleita de Boston, Michelle Wu. Publicado em 5 de março de 2024 (caso 2279.0, dez páginas), é de Jorrit de Jong, Martin Weiss e Lisa Cox, com financiamento da Bloomberg Harvard City Leadership Initiative.

A ideia em resumo

Michelle Wu foi eleita com a promessa de mudança sistêmica. Quatro dias depois da vitória de novembro de 2021, e onze dias antes de tomar posse, ela avaliava como começar a entregar uma agenda ampla. O desafio central era estruturar a equipe para promover mudanças profundas entre os departamentos da prefeitura.

O que o caso examina

O resumo público diz que o caso analisa os dois principais modelos organizacionais que ela considerou:

  • contratar assessores de alto perfil no gabinete do prefeito, que conduzem as agendas de mudança;
  • atribuir o trabalho aos chefes de departamento, que respondem pela execução na estrutura existente.

O caso também cobre como ela abordou as mudanças de sistema que via como centrais na campanha, e pergunta como os prefeitos podem estruturar papéis e equipes para obter resultados significativos. Os guias de uso estavam em preparação na data da página, e o texto completo não foi lido.

Por que isso importa para o gestor

A tensão entre equipe central e secretarias é um clássico da administração pública. Assessores no gabinete têm proximidade com o prefeito e liberdade para articular, mas podem enfraquecer a autoridade dos secretários e criar conflito. Já delegar tudo às secretarias respeita a hierarquia e a especialização, mas pode diluir prioridades transversais, como habitação, clima ou atendimento ao cidadão, que atravessam várias pastas.

Para prefeitos e secretários no Brasil, a lição é que o desenho da equipe é uma decisão estratégica, a tomar de forma consciente já na transição, antes que o dia a dia imponha o modelo por inércia. O caso é útil também para câmaras e autarquias que lideram agendas de mudança.

Outro aspecto relevante é o momento da decisão: onze dias antes da posse, quando o tempo é curto e a pressão por mostrar resultados é alta. Muitos prefeitos brasileiros passam por situação parecida: entre a eleição, em outubro, e a posse, em 1º de janeiro, há menos de três meses, e eles precisam definir secretariado, assessorias e prioridades quase ao mesmo tempo. Um desenho de equipe pensado cedo evita retrabalho e reduz o risco de a agenda de mudança se perder na rotina.

Há ainda o recorte do que o caso valoriza: Wu foi eleita com promessa de mudança sistêmica, ou seja, de alterar a forma como a prefeitura funciona, e não apenas de entregar projetos isolados. Mudanças desse tipo costumam atravessar orçamento, compras, atendimento e pessoal, e raramente cabem em uma única secretaria. Por isso o desenho da equipe, e não só a lista de prioridades, vira condição para a promessa sair do papel.

Como aplicar no Brasil

  1. Liste as 3 a 5 mudanças centrais. Escolha as promessas que exigem várias secretarias, e não as que cabem numa só.
  2. Escolha o modelo para cada mudança. Para temas transversais, considere uma coordenação no gabinete ou na secretaria de governo; para temas setoriais, o secretário responsável.
  3. Defina papéis por escrito. Quem decide, quem coordena, quem executa e a quem se presta conta, para evitar disputa de espaço.
  4. Respeite o quadro legal de cargos. Os cargos em comissão e funções de confiança, suas atribuições e limites são definidos por lei local; a estrutura precisa nascer dentro dela.
  5. Crie rotina de acompanhamento. Reunião periódica com painel de metas e entregas, ligando o gabinete às secretarias.
  6. Ajuste no primeiro semestre. Reveja o desenho após os primeiros meses, com base em entregas e conflitos reais.

Cuidados e limites

O caso não indica qual modelo é melhor: apresenta o dilema, e a decisão de Wu consta de materiais que não foram lidos. Boston tem estrutura de governo e legislação distintas das de um município brasileiro. A criação de cargos exige lei, e as nomeações devem respeitar os limites de despesa com pessoal, o que deve ser conferido pela equipe jurídica e financeira. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para desenhar a estrutura e acompanhar entregas, veja o serviço de reforma administrativa da prefeitura, o de adequação de cargos em comissão e funções de confiança e o sistema de gestão de projetos e metas de governo.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Charting a Course for Boston: Organizing for Change (Caso 2279.0) — Harvard Kennedy School Case Program, 05/03/2024
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