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Equipe de tecnologia compartilhada: lições de Singapura

Em resumo

Stephen Goldsmith, professor da Harvard Kennedy School, e Tony Yang descrevem como a agência de tecnologia de Singapura constrói capacidade técnica própria, coloca equipes dentro dos ministérios e oferece plataformas comuns. O artigo aponta benefícios e riscos, sem números de desempenho.

Muitas prefeituras têm um setor de tecnologia pequeno, sobrecarregado e dependente de fornecedores. Singapura seguiu outro caminho: criou uma agência central com engenheiros, designers e gerentes de produto e a espalhou pelo governo. A experiência é descrita por Stephen Goldsmith, professor da Harvard Kennedy School (HKS), e Juncheng “Tony” Yang em artigo da revista Government Technology (edição de inverno de 2026, publicada no site da revista em 4 de março de 2026 e listada na página da HKS). Serve de inspiração para uma equipe de tecnologia compartilhada entre órgãos.

A ideia em resumo

Os autores foram a Singapura esperando ouvir sobre inteligência artificial e gêmeos digitais e se impressionaram mais com a estrutura organizacional. A tese: o país constrói capacidade técnica própria e a distribui pelo governo e pelo restante da economia. A agência GovTech, criada em 2016, tem equipes que desenvolvem serviços digitais. Os autores apontam três vantagens: protótipos e escala mais rápidos, ferramentas compartilhadas entre órgãos e menor dependência de fornecedores ao longo do tempo.

O que a pesquisa mostrou

O artigo descreve a estrutura e os cuidados necessários:

  • Equipes dentro dos ministérios. A GovTech coloca times técnicos dentro dos órgãos e constrói plataformas comuns, o que, segundo os autores, facilita a colaboração entre áreas.
  • Base compartilhada. O projeto CODEX, de 2018, reúne um conjunto de ferramentas e módulos reutilizáveis para desenvolver serviços, uma arquitetura de dados com padrões comuns e fontes oficiais, e um ambiente de nuvem comercial seguro para os órgãos.
  • De pilotos a problemas reais. Os primeiros projetos eram experimentais (o texto cita um serviço de ônibus sob demanda encerrado em 2020). Depois, passaram a partir de necessidades concretas dos órgãos, e as equipes técnicas entram cedo nas conversas de política e operação.
  • Exemplo do porto. A GovTech apoiou a autoridade marítima na criação de um gêmeo digital das águas do porto, que mostra navios e clima em tempo real e simula emergências, combinando modelos acadêmicos e dados operacionais.

Os autores listam também os riscos: a responsabilização pública dificulta “falhar rápido”; alguns aplicativos não ganharam adesão, deixando custos perdidos e certo ceticismo; manter uma equipe numerosa e qualificada é caro; e é preciso disputar profissionais com grandes empresas de tecnologia. O artigo é qualitativo e não informa orçamento, quantidade de servidores nem indicadores de desempenho.

Como aplicar no Brasil

Poucos municípios têm escala para uma agência própria, mas é possível reproduzir parte da lógica:

  • Compartilhe equipe entre municípios. Os consórcios públicos (Lei 11.107/2005) permitem estruturar serviços comuns, como uma central de tecnologia, com regras claras de custeio e governança.
  • Escolha poucos serviços para resolver de ponta a ponta. Comece por problemas concretos, como protocolo, atendimento ou cadastro, com um responsável de cada área e um técnico de tecnologia desde o início.
  • Construa componentes reutilizáveis. Padronize cadastro de pessoa, endereço e processo, e reaproveite entre secretarias em vez de contratar sistemas isolados.
  • Defina padrões de dados e fontes oficiais. Quem é a fonte do cadastro de imóveis, de servidores, de beneficiários? Documente e proteja os dados conforme a LGPD.
  • Reduza a dependência de fornecedor. Exija documentação, código e dados em formato aberto nos contratos e mantenha ao menos um servidor com domínio técnico do que foi contratado.
  • Planeje a retenção de talentos. Trilhas de carreira, capacitação contínua e projetos desafiadores ajudam a reter quem tem formação técnica.

Um passo prático é medir primeiro. Antes de propor uma estrutura nova, levante quantos sistemas a prefeitura mantém, quanto gasta com licenças e suporte, quantos servidores de tecnologia existem e quais serviços dependem de um único fornecedor. Esse retrato mostra onde o compartilhamento traria ganho mais rápido.

Cuidados e limites

Singapura é uma cidade-estado com governo centralizado e recursos que a maioria dos municípios brasileiros não tem, e o artigo não apresenta números de resultados. Cada ente tem regras próprias de pessoal, de contratação e de proteção de dados, e consórcios exigem protocolo de intenções ratificado por lei (arts. 3º e 5º da Lei 11.107/2005) e contrato de rateio para a entrega de recursos pelos consorciados (art. 8º). O texto indica o modelo, não prova que ele seja a melhor escolha para outro contexto. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Boosting Digital Success with Cross-Agency Collaboration — Harvard Kennedy School (publicação de Stephen Goldsmith) / Government Technology, 04/03/2026
  2. Boosting Digital Success with Cross-Agency Collaboration (Government Technology, edição de inverno de 2026) — Government Technology, 04/03/2026
  3. Lei nº 11.107/2005 (consórcios públicos) — Planalto, 06/04/2005
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