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Praças e calçadas mais vazias? Estudo com inteligência artificial mede como mudou a vida nos espaços públicos

Em resumo

Pesquisadores, entre eles Edward Glaeser, usaram visão computacional para comparar vídeos de espaços públicos de três cidades americanas em 1979-80 e 2008-10. A velocidade de caminhada subiu 15% e o tempo de permanência caiu pela metade. A ferramenta mostra como as prefeituras podem medir o uso dos espaços públicos.

Prefeituras investem em praças, calçadões e parques, mas raramente medem se as pessoas realmente usam esses lugares para conviver. Um grupo de pesquisadores, com participação do economista Edward Glaeser, tentou medir como mudou o comportamento nos espaços públicos urbanos ao longo de três décadas usando inteligência artificial. O estudo é Shifting Patterns of Social Interaction: Exploring the Social Life of Urban Spaces Through A.I., texto de trabalho do NBER de novembro de 2024, assinado por Arianna Salazar-Miranda, Zhuangyuan Fan, Michael Baick, Keith Hampton, Fabio Duarte, Becky Loo, Edward Glaeser e Carlo Ratti.

A ideia em resumo

Em 1980, o urbanista William Whyte observou à mão o comportamento de pedestres em praças e calçadas. Os autores retomaram a pergunta com tecnologia: analisaram, com visão computacional e aprendizado profundo, imagens de vídeo de 1979-80 e de 2008-10 de quatro espaços públicos em Nova York, Boston e Filadélfia. Mediram velocidade de caminhada, tempo de permanência, tamanho de grupos e formação de grupos.

O que a pesquisa mostrou

Os principais achados do resumo:

  • A velocidade média de caminhada aumentou 15%.
  • O tempo de permanência nesses locais caiu pela metade em todos eles.
  • A proporção de pessoas que caminham sozinhas ficou praticamente estável, de 67% para 68%.
  • A frequência de encontros em grupo diminuiu.

Para os autores, isso sugere que os moradores passaram a ver as ruas cada vez mais como vias de passagem, e menos como espaços sociais, com implicações para o papel dos espaços públicos no estímulo à convivência. O estudo também é um exemplo de método: uma observação que antes exigia equipes de pesquisadores com cadernos pode ser feita com vídeo e algoritmos em escala.

Há ainda um ponto de gestão: o que não se mede não se gerencia. Muitas prefeituras sabem quanto gastaram para construir uma praça, mas não sabem quantas pessoas a usam nem em que horários. Observar o uso real é uma forma barata de verificar se o investimento está cumprindo sua função social e de orientar a manutenção, a programação e a segurança do local.

Como aplicar no Brasil

O estudo trata de quatro lugares nos Estados Unidos e não diz nada sobre o Brasil. O que se aproveita é a pergunta e o método:

  1. Defina o que quer saber. Antes de qualquer tecnologia, escolha duas ou três perguntas: quanto tempo as pessoas ficam na praça? Quem usa em cada horário? Há grupos, crianças, idosos? Isso orienta tanto a observação manual quanto a automática.
  2. Comece com contagem simples. Duas pessoas treinadas, com ficha de observação, em horários fixos, já geram uma linha de base. Repita após cada intervenção (iluminação, bancos, sombra, feiras, programação cultural).
  3. Use a tecnologia com critério. Câmeras e algoritmos de análise de imagens tratam pessoas identificáveis. A LGPD exige finalidade determinada, necessidade e transparência (art. 6º), e o poder público pode tratar dados para políticas públicas nos limites do art. 7º, III. Prefira métodos que contem pessoas sem identificá-las e consulte o encarregado de dados e o jurídico antes de qualquer projeto.
  4. Ligue o resultado ao plano diretor. A política de desenvolvimento urbano busca ordenar as funções sociais da cidade e garantir o bem-estar dos habitantes (Constituição Federal, art. 182), e o plano diretor é o instrumento básico dessa política. Dados de uso de espaços públicos podem subsidiar sua revisão.
  5. Escute os usuários. Números mostram o que acontece, mas não por quê. Combine contagens com conversas com moradores, comerciantes e frequentadores.
  6. Divulgue os resultados e use-os para decidir onde investir em manutenção, segurança e programação.

Cuidados e limites

A matéria baseia-se no resumo do texto de trabalho, e o texto completo não foi lido. Não se sabe, pelo resumo, as causas da mudança: o estudo descreve o que mudou, não por que, e quatro locais de três cidades americanas não representam as cidades brasileiras. A queda de tempo de permanência pode ter muitas explicações, como tecnologia, medo, clima ou desenho dos locais. Monitorar pessoas com câmeras exige cuidado com privacidade e com o risco de vigilância indevida. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

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Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Shifting Patterns of Social Interaction: Exploring the Social Life of Urban Spaces Through A.I. — Harvard Kennedy School (NBER Working Paper w33185; Salazar-Miranda, Fan, Baick, Hampton, Duarte, Loo, Glaeser e Ratti), 01/11/2024
  2. Lei nº 13.709/2018 (LGPD), arts. 6º e 7º, III — Planalto, 14/08/2018
  3. Constituição Federal, art. 182 — Planalto, 05/10/1988
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