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Liderança em crise sem roteiro: o relato de um chefe de bombeiros

Em resumo

Joseph Pfeifer, chefe de bombeiros de Nova York no 11 de setembro e hoje senior fellow do Center for Public Leadership, da Harvard Kennedy School, resume liderança em crise em três verbos: conectar, colaborar e coordenar. Dois textos publicados pela Harvard Kennedy School reúnem seu relato e a discussão de um fórum sobre os 25 anos do atentado. Não é estudo empírico, mas traz lições práticas sobre informação, relações prévias e propósito.

O gestor municipal raramente enfrenta um evento da dimensão de 11 de setembro de 2001, mas enfrenta enchentes, deslizamentos, apagões e surtos, quando o roteiro não existe. Dois textos da Harvard Kennedy School (HKS) recolhem o que Joseph Pfeifer, ex-chefe de batalhão do corpo de bombeiros de Nova York e hoje senior fellow do Center for Public Leadership, aprendeu sobre liderança em crise: a reportagem de Susan A. Hughes, de 11 de setembro de 2026, sobre um fórum no Institute of Politics, e o perfil de Diana King na HKS Magazine, de 2026.

A ideia em resumo

Pfeifer foi o primeiro chefe dos bombeiros a chegar às Torres Gêmeas. Na HKS, em um programa para profissionais em meio de carreira, ele diz ter chegado a três conceitos para liderar sob pressão: conectar, colaborar e coordenar. A pergunta que ele leva às aulas é como liderar quando se é lançado a uma situação inesperada, sob grande pressão e sem roteiro. Trata-se de relato de experiência e de debate, não de pesquisa com amostra ou comparação.

O que os relatos mostram

  • Informação em tempo real. Pfeifer diz que daria qualquer coisa por cinco segundos de vídeo do desabamento da Torre Sul, porque não sabia que ela tinha caído. Por isso defende compartilhar dados críticos em tempo real. O perfil traz o relato de que quem assistia à televisão sabia mais do que as equipes dentro das torres.
  • Liderança compartilhada. Ele rejeita a hierarquia de ordens de cima para baixo e afirma que é preciso um grupo para liderar.
  • Relações antes da crise. Segundo a revista, ele encerrou uma rivalidade entre bombeiros e polícia com almoços regulares, que ajudaram a construir procedimentos conjuntos de resposta a terrorismo.
  • Inovação entre órgãos. Agências precisam colaborar em problemas novos, e as equipes, coordenar a implementação das soluções.
  • Humildade. O almirante Mike Mullen, que estava no Pentágono, disse no fórum que não conhecia a Al-Qaeda e que se pensa saber tudo, mas nunca se sabe.
  • Propósito. Pfeifer defende transformar a dor das vítimas e sobreviventes em propósito, porque sem propósito não há esperança e, sem esperança, não há ação.
  • Gente comum. A jornalista Nancy Gibbs lembrou histórias de pessoas sem cargo de liderança que tomaram decisões generosas e corajosas por conta própria.

Há ainda uma segunda camada: o próprio caminho de Pfeifer. Ele conta que a formação na HKS lhe deu um ano para pensar e pôr as experiências em perspectiva, e que o aprendizado com o centro de preparação para terrorismo e desastres de Nova York foi importante para que a situação melhorasse, ainda que não de uma hora para outra. A lição para quem gere equipes de resposta é investir em preparação contínua, e não só em reação.

Como aplicar no Brasil

  • Treine a conexão entre órgãos antes do desastre. Defesa Civil, bombeiros, saúde, assistência social, guarda e comunicação precisam se conhecer antes de uma chuva forte. Reuniões regulares e exercícios conjuntos custam pouco.
  • Defina como a informação circula. Combine canal único de alertas, quem informa quem, em qual formato e em quanto tempo. A pergunta de Pfeifer é: quem na linha de frente precisa saber o quê, e como saberá?
  • Distribua a liderança. Registre quem decide o quê e quem assume se o chefe não puder ser acionado. Delegue decisões operacionais a quem está no local.
  • Faça simulações de mesa com o secretariado sobre cenários locais, com roteiro de decisões, de comunicação à população e de apoio às equipes.
  • Registre o que aprendeu. Depois de cada ocorrência, faça uma reunião curta sobre o que funcionou, o que faltou e quem precisa ser envolvido da próxima vez.
  • Cuide das pessoas depois. Equipes que atenderam tragédias precisam de apoio psicológico e espaço para elaborar o ocorrido; dar sentido ao trabalho ajuda na recuperação.

Cuidados e limites

Os textos reúnem memórias individuais e debate público: são ricos em lições, mas não comprovam que as práticas funcionam em outros contextos. Cada fala reflete a visão pessoal do orador, e a reportagem trata de temas internacionais e políticos que não foram aqui analisados. No Brasil, a proteção e defesa civil segue a Lei 12.608/2012, que atribui ao município, entre outras tarefas, executar a política em âmbito local e realizar exercícios simulados conforme o Plano de Contingência (art. 8º, I e XI). As ideias aqui complementam esses protocolos, não os substituem. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Twenty-five years after 9/11, lessons from those who led through the chaos — Harvard Kennedy School, 11/09/2026
  2. Twenty-five years after 9/11, the first battalion chief to send firefighters into the Twin Towers tells his story — HKS Magazine, Harvard Kennedy School, 22/05/2026
  3. Lei nº 12.608/2012 (Política Nacional de Proteção e Defesa Civil) — Planalto, 10/04/2012
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