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Mapa de empatia: o que o usuário diz, pensa, faz e sente

Em resumo

O mapa de empatia é um quadro colaborativo que organiza o que a equipe sabe sobre um usuário: o que ele diz, pensa, faz e sente. É atribuído a Dave Gray, da XPLANE (publicado no livro Gamestorming, 2010), e ajuda a prefeitura a entender quem usa o serviço antes de redesenhá-lo.

O mapa de empatia é um quadro, normalmente feito em equipe, que torna visível o que se sabe sobre um usuário ou grupo de usuários: o que ele diz, pensa, faz e sente. A atribuição mais comum é ao designer Dave Gray, da consultoria XPLANE, e o quadro foi publicado no livro Gamestorming (Gray, Brown e Macanufo, 2010), a partir de trabalho feito na XPLANE em meados dos anos 2000; Gray divulgou uma versão atualizada do quadro em 2017. A autoria e as datas anteriores a 2010 são atribuídas, e não comprovadas em fonte primária. Para a gestão municipal, o mapa é um passo simples e barato para olhar o serviço pela perspectiva de quem o usa.

O que é o mapa de empatia

O Nielsen Norman Group, referência em experiência do usuário, descreve o mapa como uma visualização colaborativa do conhecimento da equipe sobre um usuário, que cria um entendimento compartilhado das necessidades. Ele pode ser feito a partir de qualquer pesquisa qualitativa e, quando não há pesquisa, pode ser esboçado com as suposições da equipe, desde que elas sejam marcadas como suposições. O formato tem quatro quadrantes em torno do usuário.

  • Diz: frases reais, tiradas de entrevistas ou atendimentos, o mais próximas possível das palavras da pessoa.
  • Pensa: o que a pessoa pensa e talvez não diga, por timidez ou educação.
  • Faz: comportamentos observados, e não só os declarados.
  • Sente: emoções, escritas como um adjetivo e uma breve explicação.

Muitas equipes acrescentam um quinto campo, de objetivos, e algumas usam também "vê" e "ouve". Diferentemente do mapa de jornada, não há sequência no tempo. O mapa não substitui a persona, mas ajuda a organizar o que se sabe sobre ela. Este texto é uma explicação própria, sem vínculo com os autores ou com o instituto citado.

Por que interessa ao setor público

Quem projeta serviços públicos costuma conhecer bem a norma e pouco a experiência de quem os usa. O mapa de empatia obriga a equipe a escrever o que sabe sobre o usuário e a perceber o que não sabe. Quadrantes vazios sinalizam a necessidade de pesquisa; contradições entre o que a pessoa diz e o que faz merecem investigação.

Há limites. Mapas feitos de memória ou de suposições podem enganar se tratados como evidência; o comportamento relatado pode diferir do real; segmentos amplos demais geram anotações contraditórias; e os mapas ficam desatualizados. Convém datar e versionar cada mapa, e registrar a origem de cada anotação.

Como aplicar na prefeitura, passo a passo

  1. Defina o usuário e o objetivo. Um mapa por usuário ou grupo, por exemplo, a pessoa que busca matrícula na creche.
  2. Reúna material. Quadro, post-its e dados reais: entrevistas, observação no atendimento, reclamações.
  3. Escreva individualmente. Cada participante registra suas anotações sozinho, para evitar influência dos colegas.
  4. Cole e agrupe. Distribua nos quadrantes, agrupe por temas e discuta contradições e lacunas.
  5. Marque suposições. Sinalize o que não vem de pesquisa.
  6. Extraia conclusões. Que necessidades e obstáculos aparecem? O que ainda é preciso perguntar?
  7. Date e guarde. Registre a data e a versão e revise com novos dados.

Modelo para preencher

Use o quadro abaixo para cada usuário. Adapte à legislação e à realidade do seu órgão.

Quadrante O que escrever Origem do dado
Diz (frases reais)    
Pensa    
Faz (comportamento observado)    
Sente (emoção e causa)    
Objetivo    

Exemplo prático

Exemplo hipotético. Uma equipe de assistência social quer entender por que famílias deixam de renovar um cadastro. Com base em conversas e em registros do atendimento, preenche o mapa de uma responsável por família. No quadrante "diz", aparecem frases como "não sei qual papel levar". Em "pensa", a pessoa teme perder um benefício por erro no documento. Em "faz", vai ao balcão mais de uma vez. Em "sente", há ansiedade e vergonha. A equipe conclui que a lista de documentos é confusa e passa a enviar um lembrete simples com os documentos necessários e um canal de dúvidas.

O mapa rende mais quando é feito com quem tem contato direto com o público: atendentes, agentes comunitários, ouvidores. Eles carregam observações que raramente chegam aos relatórios. Reserve uma hora de oficina, peça que cada pessoa traga dois ou três casos reais, sem identificar o cidadão, e use esses casos como base. Ao final, transforme as conclusões em uma lista de perguntas a esclarecer e em ajustes pequenos para testar no atendimento.

Erros comuns

  • Preencher só com a opinião da equipe. Sem dados, o mapa reflete suposições.
  • Misturar vários usuários em um só mapa. Os campos viram contradição.
  • Usar frases inventadas. O quadrante "diz" deve trazer falas reais.
  • Guardar sem datar. O mapa envelhece e pode induzir a erro.
  • Usar IA para inventar evidência. Ferramentas podem ajudar a organizar notas reais, mas não substituem a pesquisa.

Perguntas frequentes

Mapa de empatia é o mesmo que persona?

Não. A persona é um perfil mais formal, baseado em pesquisa mais profunda. O mapa de empatia organiza o que se sabe e costuma vir antes.

E a jornada do cidadão?

A jornada mostra a experiência ao longo do tempo. O mapa de empatia é um retrato sem sequência.

Preciso de pesquisa formal?

Não para começar, mas toda anotação deve ter origem identificável, como atendimento, entrevista ou reclamação.

Posso fazer com a equipe de atendimento?

Sim, e é recomendável. Quem atende conhece muito do que o usuário diz e faz.

Fontes

  1. Empathy Mapping: The First Step in Design Thinking — Nielsen Norman Group, 12/10/2026
  2. The Empathy Map: a human-centered tool for understanding how your audience thinks — XPLANE, 12/10/2026
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