Contato

Moradia com apoio em Chicago: 24 dias a menos até a mudança

Em resumo

O Government Performance Lab, da Harvard Kennedy School, testou em Chicago quatro mudanças de processo para ligar pessoas a moradia permanente com apoio. No piloto de 12 meses, a taxa de sucesso dos encaminhamentos foi 33 pontos percentuais maior e a mudança para a unidade levou em média 24 dias a menos.

Vagas vazias em programas de moradia com apoio enquanto há gente na rua: o problema é de processo, e não só de falta de unidades. O Government Performance Lab (GPL), da Harvard Kennedy School (HKS), publicou em 22 de maio de 2025 o relato Proactive Engagement: How Chicago’s Continuum of Care is Improving Connections to Permanent Supportive Housing, de Lars Benson, Carin Clary e Libby Doyle.

A ideia em resumo

Uma revisão de 2023 dos dados de vagas da moradia permanente com apoio em Chicago encontrou 80% das unidades ocupadas. As demais ficavam vazias enquanto os clientes eram identificados, contatados, tinham a elegibilidade confirmada e se mudavam. Os líderes diziam que o sucesso dos encaminhamentos era menor que o esperado, e o motivo mais comum de fracasso era que o provedor de moradia não conseguia localizar a pessoa.

O que o piloto mostrou

De fevereiro de 2024 a março de 2025, o GPL e a rede de atenção de Chicago, liderada pela All Chicago, executaram um piloto de 12 meses com um grupo de provedores. Foram testadas quatro mudanças:

  • Navegador desde cedo: um profissional acompanha a pessoa antes de ela ser combinada a uma unidade, e não depois;
  • Preferências do cliente: fichas com fotos, localização, comodidades e requisitos de cada empreendimento, para a pessoa manifestar interesse antes do encaminhamento;
  • Documentação antecipada: os navegadores ajudam a reunir os documentos de inscrição e mudança antes do encaminhamento;
  • Reuniões de caso reformuladas: chamadas menores, por provedor, e reuniões semanais dos navegadores, no lugar de grandes chamadas com pouca presença.

Os resultados relatados: os clientes do piloto tiveram taxa de sucesso de encaminhamento 33 pontos percentuais maior que os do fluxo habitual (o texto não informa a taxa-base); mudaram-se para a unidade, em média, 24 dias mais rápido; 136 pessoas foram alojadas pelo piloto, cerca de 22% de todas as alojadas nessa modalidade na cidade. Também se constatou que as unidades de quarto único (SRO) eram mais comuns entre os projetos com muitas recolocações, e que as ofertas recusadas eram quase sempre desse tipo; as fichas ajudaram a discutir rapidamente a troca entre tamanho da unidade e rapidez. Como o sistema avalia cerca de dez vezes mais pessoas do que consegue alojar, decidiu-se concentrar o acompanhamento em quem está no topo da lista de prioridade.

Provedores relataram que os navegadores assumiram a busca ativa, liberando tempo para processar inscrições, e que houve menos recolocações. Chicago está ampliando as práticas e um provedor disse que a expansão exigiria mais verba para navegadores.

Por que isso importa para o gestor

O achado mais interessante é que grande parte do atraso estava no meio do caminho: entre a vaga existir e a pessoa se mudar. Isso é típico de qualquer programa que depende de contatar o beneficiário, conferir documentos e integrar várias instituições, como um programa habitacional, um benefício ou um serviço de acolhimento. O que reduziu o tempo foi antecipar tarefas e dar nome a quem cuida delas, sem nova unidade.

Como aplicar no Brasil

  1. Meça a fila e o intervalo. Calcule o tempo entre a vaga abrir e a pessoa ocupá-la, e onde as pessoas “somem” no caminho.
  2. Designe um acompanhante por caso. Pode ser um técnico de referência do CRAS ou do CREAS que acompanha a família desde a indicação.
  3. Antecipe a documentação. Ajude a reunir documentos antes do encaminhamento, em especial certidões e comprovantes.
  4. Apresente as opções. Use fichas simples dos imóveis ou das vagas, para a pessoa escolher com informação e evitar recusa tardia.
  5. Troque reunião grande por reunião útil. Encontros semanais curtos, com quem de fato conduz os casos, para resolver impasses na hora.
  6. Use os dados. Revise mensalmente as causas de recolocação e recusa e ajuste o processo.

Cuidados e limites

É um piloto em uma cidade, com 136 pessoas, e o relato não traz grupo de comparação aleatório nem a taxa-base. Os resultados vêm do próprio GPL e dos parceiros. A estrutura de moradia permanente com apoio dos Estados Unidos não tem equivalente direto no Brasil; o que se aproveita é o método de processo. Tratamento de dados de pessoas vulneráveis exige respeito à LGPD, e normas de assistência social e habitação devem ser conferidas com a equipe jurídica. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para reduzir esperas e reorganizar fluxos, veja o serviço de mapeamento e redesenho de fluxos e processos, o de dimensionamento da capacidade operacional e de atendimento e o curso de redução de prazos e filas no atendimento.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Proactive Engagement: How Chicago's Continuum of Care is Improving Connections to Permanent Supportive Housing — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 22/05/2025
Fale no WhatsApp