Contato

Prefeito em crise: 3 papéis no caso do furacão Maria

Em resumo

O caso At the Center of the Storm, da Harvard Kennedy School, analisa como a prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, liderou a resposta ao furacão Maria, em 2017. O material descreve três papéis do prefeito em crise: consolar a comunidade, coordenar a resposta e negociar apoio com outros governos.

O que se espera de um prefeito em crise? O caso At the Center of the Storm: San Juan Mayor Carmen Yulín Cruz and the Response to Hurricane Maria, da Harvard Kennedy School (HKS), ajuda a responder. Publicado em 5 de março de 2021 (caso 2212.0, 17 páginas), é de David W. Giles, Arnold M. Howitt e Herman B. “Dutch” Leonard, com recursos da Bloomberg Harvard City Leadership Initiative.

A ideia em resumo

O caso examina como Carmen Yulín Cruz, prefeita de San Juan, em Porto Rico, conduziu a resposta da cidade ao furacão Maria, que atingiu a ilha no outono de 2017. Cobre a relação do território com os Estados Unidos, a carreira política da prefeita e a recessão que San Juan e Porto Rico já enfrentavam antes da tempestade.

O que o caso descreve

Maria causou danos sem precedentes. Cruz e os servidores enfrentaram a tempestade na cidade e, depois, tiveram dificuldade de medir a extensão da destruição, porque as comunicações e a rede elétrica estavam em grande parte fora do ar. Sem informação confiável, improvisaram: a prefeita e servidores municipais percorreram a cidade para avaliar as condições e levar ajuda, e a resposta foi se organizando de modo mais formal.

Segundo o resumo, o apoio do território e do governo federal demorou e foi muito insuficiente. A tensão chegou ao auge quando uma autoridade do governo federal americano chamou a resposta de “uma boa notícia”, o que contrastava com a situação no terreno. O caso termina em um ponto de decisão: que opções a prefeita tinha para acelerar o socorro, considerando a dependência de Porto Rico em relação a Washington. O epílogo, que descreve a decisão, não foi lido.

Os três papéis do prefeito

Os objetivos de aprendizagem destacam três papéis que o prefeito pode precisar desempenhar em uma grande crise, diferentes da gestão em tempos normais:

  • Consolador-chefe: representa e conforta a comunidade, mantendo-a unida;
  • Gestor e coordenador central: supervisiona a resposta e coordena secretarias, outros níveis de governo e ONGs;
  • Principal defensor e negociador: busca socorro e apoio de outros governos, doadores e agências de ajuda.

Por que isso importa para o gestor

Enchentes, deslizamentos, secas e rompimentos de barragem mostraram aos brasileiros que a crise pode atingir qualquer município. O caso é útil porque tira a discussão do plano técnico e a leva ao plano da liderança. O prefeito é cobrado a estar presente e acolher quem sofreu, a organizar as equipes e a pleitear ajuda, muitas vezes ao mesmo tempo e em ambiente de informação precária. Saber de antemão que são três papéis ajuda a dividir tarefas com secretários e a não deixar nenhum dos três descoberto.

Convém lembrar também que o caso termina em aberto de propósito: quem lê precisa decidir o que faria no lugar da prefeita. É uma forma de treinar o raciocínio de crise sem expor ninguém a risco real, e pode ser usada por equipes de gabinete e de defesa civil em exercícios de mesa.

Como aplicar no Brasil

  1. Tenha um plano de contingência atualizado, elaborado com a defesa civil e as áreas de saúde, assistência, obras e comunicação.
  2. Prepare comunicação sem energia e internet. Defina rádios, pontos de encontro, carros de som e agentes comunitários como canais alternativos.
  3. Organize o levantamento de danos. Crie fichas simples e equipes de campo para medir a extensão do problema nas primeiras horas.
  4. Distribua os três papéis. Defina quem acolhe e informa a população, quem coordena a operação e quem negocia apoio junto ao estado e à União.
  5. Documente tudo. Registre danos, gastos e pedidos de apoio, o que facilita prestação de contas e acesso a recursos de emergência.
  6. Treine o gabinete. Faça exercícios simulados com secretários e fale sobre dilemas, como o que dizer quando o apoio externo não chega.

Cuidados e limites

O caso trata de um território com relação política específica com os Estados Unidos e de um desastre de dimensões excepcionais; lições sobre a relação com o governo federal não se transpõem diretamente para os municípios brasileiros. Decretos de emergência, repasses e contratações emergenciais no Brasil seguem normas federais, estaduais e dos tribunais de contas, que devem ser conferidas com a procuradoria. Cabe ao município declarar situação de emergência ou estado de calamidade pública (Lei 12.608/2012, art. 8º, VI), e a contratação emergencial por dispensa vale só para o necessário ao atendimento e para parcelas concluídas em até um ano, sem prorrogação (Lei 14.133/2021, art. 75, VIII). Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para preparar a prefeitura, veja o serviço de assessoria de comunicação em situações de crise, o curso de gestão de crises de imagem na administração pública e o de liderança adaptativa na gestão pública.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. At the Center of the Storm: San Juan Mayor Carmen Yulín Cruz and the Response to Hurricane Maria (Caso 2212.0) — Harvard Kennedy School Case Program, 05/03/2021
  2. Lei nº 12.608/2012 (art. 8º, VI) — Planalto, 10/04/2012
  3. Lei nº 14.133/2021 (art. 75, VIII) — Planalto, 01/04/2021
Fale no WhatsApp