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Tempo de licitação: o que Long Beach e Memphis fizeram com dados

Em resumo

Long Beach descobriu que cinco dos oito meses de uma licitação estavam na fase de avaliação feita pelos próprios departamentos. Memphis viu que mais de 60% dos certames recebiam zero ou uma proposta. O Government Performance Lab, da Harvard Kennedy School, descreve o método em quatro passos que qualquer área de compras pode repetir.

Em quase toda prefeitura, a opinião é a mesma: licitação demora. O que quase ninguém sabe é onde. O Government Performance Lab (GPL), da Harvard Kennedy School (HKS), publicou o guia Using Data to Improve Procurement Operations and Outcomes, de Kailey Burger Ayogu e Rebecca Graffy, que mostra como transformar a impressão de lentidão em números e ações. Dois casos chamam atenção para quem quer reduzir o tempo de licitação: Long Beach e Memphis, nos Estados Unidos.

A ideia em resumo

O guia parte de uma tese simples: sem dados, o gestor que quer reformar as compras só tem impressões. Com dados, é possível diagnosticar gargalos, saber onde os contratos podem render mais e priorizar problemas. A frase central do texto é que os dados de compras são a base de um setor eficiente, eficaz, proativo e estratégico. Para começar, ele propõe uma lista de perguntas de diagnóstico em três níveis, como quantas licitações são abertas por ano, quanto tempo leva cada etapa e quantas propostas cada uma recebe, e, mais adiante, se os contratos estão cumprindo seu objetivo.

O que a pesquisa mostrou

O método tem quatro passos. Primeiro, entender a meta: reduzir prazo, aumentar propostas, conhecer a experiência de fornecedores. Segundo, escolher poucos indicadores: comece com um ou dois, que sejam importantes e viáveis, e tenha uma hipótese de ação para cada um. Terceiro, coletar e analisar: definir fonte, frequência, desdobramentos e responsáveis. O guia mostra por que desdobrar importa: um gráfico com o prazo médio total pode indicar fracasso, enquanto o gráfico por etapa revela que a avaliação e adjudicação foi o gargalo, e que um único edital fora da curva puxou a média. Do mesmo modo, uma meta de homologar todos os certames pode estar falhando só em um tipo de licitação ou em duas secretarias. Quarto, usar os dados para mudar: envolver a equipe, mostrar também os sucessos, manter a curiosidade e simplificar.

Em Long Beach, em 2020, a cidade lançou uma reforma das compras. A análise mostrou que um edital levava, historicamente, oito meses para ser revisado, aberto, avaliado e adjudicado, e que cinco desses meses estavam na etapa de avaliação, de responsabilidade das áreas demandantes, não da central de compras. A central fez treinamentos sobre papéis e prazos e, com essas e outras medidas, o ciclo dessas fases caiu para três meses em 2022, segundo o guia. Hoje a cidade revisa os dados com cada departamento a cada ano.

Em Memphis, a análise mostrou que 20% dos certames eram relançados por falta de concorrência e que mais de 60% recebiam zero ou uma resposta. Com isso, o então diretor de compras propôs ampliar o prazo de resposta para dar mais tempo aos fornecedores, e o painel de compras passou a ser discutido nas reuniões mensais de desempenho do prefeito com os secretários.

Como aplicar no Brasil

A Lei 14.133/2021 já fornece as etapas para o mapa de tempo: planejamento, divulgação, julgamento, habilitação, recursos, adjudicação e contratação. Passos práticos:

  1. Liste os dados que o órgão já tem. Data de abertura do processo, publicação do edital, sessão, homologação e assinatura do contrato estão no processo administrativo e no sistema de compras.
  2. Calcule o tempo por etapa em uma amostra. Cinquenta processos do último ano são suficientes para achar o gargalo. Separe por modalidade e por secretaria.
  3. Conte propostas por certame. Quantos receberam uma proposta só? Quantos foram fracassados ou desertos? Esse é o ponto de partida de Memphis.
  4. Teste prazos de divulgação mais longos onde a competição é baixa. A lei fixa prazos mínimos para apresentar propostas, como oito dias úteis para bens em menor preço (art. 55), e permite fixar mais quando necessário. Ampliar o prazo é uma hipótese a testar, não uma regra.
  5. Converse com quem causa o atraso. Se a fase lenta é a elaboração do termo de referência ou o parecer, treine e padronize. O art. 25, §1º, prevê minutas padronizadas sempre que o objeto permitir.
  6. Leve o painel à reunião de governo. O art. 11, parágrafo único, coloca a governança das contratações na alta administração; um quadro mensal com três números cumpre bem esse papel.

Cuidados e limites

O guia é um material de orientação e apresenta os casos de forma resumida, sem a série completa de dados. A comparação entre Long Beach e um município brasileiro exige cuidado, pois a divisão de responsabilidades entre central e áreas demandantes varia. Cortar prazo não pode virar atalho: a qualidade do termo de referência, a pesquisa de preços e o parecer jurídico continuam obrigatórios. E aumentar o prazo de propostas só ajuda se o problema for de tempo, não de exigências ou de pagamento. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

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Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Using Data to Improve Procurement Operations and Outcomes — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 01/11/2022
  2. Using Data to Improve Procurement Operations and Outcomes (PDF) — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 01/11/2022
  3. Lei nº 14.133/2021 (arts. 11, 25 e 55) — Planalto, 01/04/2021
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