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Glossário da gestão pública

Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP)

O Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) é a lista padronizada de contas contábeis, definida pelo Tesouro Nacional, usada por todos os entes para registrar fatos orçamentários, patrimoniais e de controle.

O PCASP é a Parte IV do MCASP. Segundo o manual, plano de contas é a estrutura básica da escrituração contábil, formada por uma relação padronizada de contas que permite registrar atos e fatos de maneira sistematizada e gerar relatórios e demonstrações conforme as necessidades dos usuários.

Para que serve o PCASP

O plano de contas é a espinha dorsal do sistema contábil. Cada lançamento de receita, despesa, bem, dívida ou controle cai em uma conta do plano. Como o PCASP é igual para todos, o Tesouro Nacional consegue ler a contabilidade de milhares de municípios sem precisar de tradução. Para o gestor, isso significa que um erro de classificação, mesmo pequeno, aparece nos demonstrativos e pode gerar inconsistência na entrega de dados.

Como funciona na prática, passo a passo

  1. A STN publica, junto com o MCASP, a versão do PCASP aplicada ao exercício, com o nível mínimo de contas que todo ente deve adotar.
  2. O ente (ou a empresa que mantém o sistema) detalha as contas locais abaixo desse nível, conforme suas necessidades.
  3. Cada ato ou fato registrado no sistema gera lançamentos nas contas correspondentes, muitas vezes de forma automática.
  4. No fim do período, os saldos das contas alimentam os balanços e a Matriz de Saldos Contábeis.
  5. Se a conta local não corresponde a nenhuma conta do padrão, a validação do Tesouro aponta divergência.

Exemplo ilustrativo

Imagine que uma prefeitura de pequeno porte contrata um serviço de manutenção. O sistema registra a obrigação a pagar na parte patrimonial, a despesa empenhada na parte orçamentária e, quando houver pagamento, a baixa da obrigação e a saída de caixa. Tudo isso acontece em contas diferentes do plano, mas ligadas entre si. É por isso que o setor de contabilidade precisa conhecer a lógica das classes, e não apenas o número da conta.

Objetivos

  • padronizar os registros contábeis do setor público;
  • distinguir os registros de natureza patrimonial, orçamentária e de controle;
  • atender à administração direta e indireta das três esferas, inclusive empresas estatais dependentes e Regimes Próprios de Previdência Social;
  • permitir que cada ente detalhe as contas a partir do nível mínimo estabelecido pela STN;
  • viabilizar a consolidação das contas nacionais.

Como é organizado

O PCASP tem oito classes, agrupadas pela natureza da informação:

  • Patrimonial: 1 – Ativo; 2 – Passivo e Patrimônio Líquido; 3 – Variações Patrimoniais Diminutivas; 4 – Variações Patrimoniais Aumentativas;
  • Orçamentária: 5 – Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento; 6 – Controles da Execução do Planejamento e Orçamento;
  • Controle: 7 – Controles Devedores; 8 – Controles Credores.

O código da conta tem sete níveis de desdobramento e nove dígitos (classe, grupo, subgrupo, título, subtítulo, item e subitem).

Inovações trazidas

O manual destaca a segregação das informações orçamentárias e patrimoniais, para que registros de uma natureza não alterem os da outra; o registro dos fatos patrimoniais pelo regime de competência, por meio das variações patrimoniais aumentativas e diminutivas; e o registro de procedimentos gerais como provisões, estoques, imobilizado, intangíveis, reavaliação, depreciação, amortização, exaustão e redução ao valor recuperável (impairment).

Como funciona na prática

Cada lançamento no sistema contábil é feito em contas do PCASP. As informações do município chegam ao Tesouro Nacional por meio da Matriz de Saldos Contábeis (MSC), montada a partir dessas contas. Se o plano local não segue o padrão, a matriz apresenta inconsistências.

Cuidados ao trocar de sistema contábil

A troca de sistema é o momento de maior risco para o plano de contas. Antes de migrar, vale exigir do fornecedor o mapeamento entre as contas do sistema antigo e as do padrão vigente, a migração dos saldos iniciais por conta e por fonte de recursos e um período de testes em que se compare o balancete dos dois sistemas. A equipe de contabilidade deve validar os saldos de abertura e guardar a documentação da migração. Sem essas etapas, é comum aparecer saldo “órfão”, que não pertence a nenhuma conta do padrão, e o problema só é descoberto quando o balanço não fecha.

Erros comuns

  • Usar plano de contas local que não “mapeia” para o PCASP, gerando erros na MSC e no Siconfi.
  • Ignorar as contas de controle (classes 5 a 8), que sustentam o acompanhamento do orçamento e das disponibilidades por fonte.
  • Contabilizar bens sem classificar em ativo imobilizado ou intangível.
  • Misturar o registro orçamentário com o patrimonial, em vez de deixar o sistema fazer os lançamentos automáticos.

Diferença entre PCASP e plano de contas local

O PCASP define o padrão nacional até um certo nível de detalhe. O plano de contas do município é o desdobramento desse padrão em contas mais específicas, de acordo com a realidade local. As contas locais precisam “mapear” para o padrão; do contrário, o dado do município não se encaixa na consolidação nacional.

Veja também o MCASP, as DCASP e a Matriz de Saldos Contábeis. A Evoluta trata de rotinas de conferência contábil e de tesouraria no conteúdo sobre inteligência artificial para contabilidade pública.

Perguntas frequentes sobre Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP)

O que é o PCASP?

O PCASP é o Plano de Contas Aplicado ao Setor Público, a Parte IV do MCASP. Trata-se de uma relação padronizada de contas que permite registrar os fatos orçamentários, patrimoniais e de controle de forma uniforme, gerar as demonstrações contábeis e consolidar as contas públicas de União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

Quantas classes tem o PCASP?

O PCASP tem oito classes: 1 (Ativo), 2 (Passivo e Patrimônio Líquido), 3 (Variações Patrimoniais Diminutivas), 4 (Variações Patrimoniais Aumentativas), 5 e 6 (controles do planejamento e orçamento) e 7 e 8 (controles devedores e credores). Elas agrupam as informações patrimoniais, orçamentárias e de controle.

Meu município pode criar um plano de contas próprio?

Pode detalhar, mas não substituir. A STN fixa o nível mínimo de contas que todo ente deve adotar, e o município pode desdobrar as contas abaixo desse nível conforme sua necessidade. O que não se admite é um plano local que não corresponda ao padrão, pois isso gera erros na Matriz de Saldos Contábeis e no Siconfi.

Quem define o PCASP?

A Secretaria do Tesouro Nacional define o PCASP e o publica como parte do MCASP, com a edição aplicada a cada exercício. As atualizações costumam vir acompanhadas de portarias e de uma síntese das mudanças, que o contador deve consultar antes de configurar ou atualizar o sistema.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)
  2. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público – MCASP (Tesouro Nacional)

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