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Glossário da gestão pública

Variação patrimonial diminutiva (VPD)

Variação patrimonial diminutiva (VPD) é o registro contábil das transações que reduzem o patrimônio líquido do ente, como despesas de pessoal por competência, depreciação e provisões. Compõe a classe 3 do PCASP.

O que é variação patrimonial diminutiva (VPD)

A variação patrimonial diminutiva (VPD) é todo fato contábil que reduz o patrimônio líquido do ente. As VPD formam a classe 3 do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) e registram as transações que diminuem o patrimônio líquido, reconhecidas nos períodos a que se referem, segundo o fato gerador, dependam ou não de execução orçamentária, conforme o MCASP. São apresentadas na Demonstração das Variações Patrimoniais (DVP).

Como as VPA, as VPD seguem o regime de competência: o fato é reconhecido quando acontece, e não quando o dinheiro sai do caixa.

Exemplos

  • salários e encargos do mês, inclusive 13º salário e férias reconhecidos por competência;
  • depreciação, amortização e exaustão;
  • perdas com ajuste de créditos a receber;
  • constituição de provisões;
  • redução ao valor recuperável de ativos;
  • juros e encargos de dívidas, apropriados por competência.

Para que serve

O registro das VPD permite enxergar todos os fatos que consomem patrimônio, e não apenas os que passam pelo orçamento. Sem ele, a contabilidade não mostraria o custo do uso dos bens, a necessidade de provisionar riscos nem as obrigações por competência. Com ele, o gestor tem uma visão mais fiel do custo da gestão e do consumo do patrimônio, e o resultado patrimonial passa a refletir a realidade.

Diferença em relação à despesa orçamentária

É aqui que a distinção costuma confundir. A compra de um equipamento é despesa orçamentária de capital, executada por empenho, liquidação e pagamento, mas não é VPD: o ativo aumenta na mesma medida em que o caixa diminui, e o patrimônio líquido não se altera. O desgaste do equipamento ao longo do tempo é que gera VPD, por meio da depreciação, que é lançada mensalmente sem empenho e sem saída de caixa.

O MCASP também lembra que a despesa orçamentária pode ser “efetiva”, quando reduz a situação líquida patrimonial, ou “não efetiva”, quando representa fato permutativo, que apenas troca um elemento patrimonial por outro, sem alterar o patrimônio líquido.

Como funciona na prática

  1. Ocorre um fato que reduz o patrimônio: serviço prestado pelo servidor no mês, desgaste de um bem, risco que se torna provável.
  2. A contabilidade registra o fato em conta da classe 3 do PCASP, no período a que se refere.
  3. Se o fato envolve despesa orçamentária, há registro paralelo no subsistema orçamentário, por empenho.
  4. Se não envolve, como a depreciação, o lançamento é apenas patrimonial.
  5. Ao fim do exercício, as VPD são totalizadas na DVP e confrontadas com as VPA.

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que fecha o ano e reconhece o 13º salário proporcional por competência. Mesmo que o pagamento só ocorra no ano seguinte, a obrigação surgiu no ano corrente e gera VPD. Do mesmo modo, a depreciação mensal da frota reduz o patrimônio sem que nenhum empenho seja emitido. Se a prefeitura registrasse esses fatos só quando houvesse pagamento, o resultado patrimonial do ano ficaria artificialmente melhor.

Base legal e normas

  • MCASP, 11ª edição: definição e reconhecimento de VPA e VPD, e distinção entre despesa efetiva e não efetiva.
  • PCASP: classe 3, variações patrimoniais diminutivas.
  • Lei 4.320/1964, art. 104: Demonstração das Variações Patrimoniais.

Diferença entre VPD e VPA

As VPA aumentam o patrimônio líquido, e as VPD o reduzem. As duas são apresentadas lado a lado na DVP, e a diferença entre elas é o resultado patrimonial. Veja ainda depreciação, amortização e exaustão, que é uma das principais fontes de VPD sem empenho.

Como o gestor pode usar a informação sobre VPD

A análise das VPD mostra, com clareza, onde o patrimônio é consumido. Um peso muito alto de pessoal indica uma administração intensiva em mão de obra; um peso crescente de depreciação indica patrimônio envelhecendo e necessidade futura de reposição; a constituição de provisões relevantes sinaliza riscos que o gestor precisa acompanhar. Comparar os grupos de VPD de um ano para outro, e confrontá-los com as VPA correspondentes, ajuda a identificar tendências e a antecipar pressões sobre o resultado patrimonial.

Uma boa prática é pedir à contabilidade um quadro com as dez maiores contas de VPD do exercício, acompanhado de breve explicação. Se alguma delas for atípica, o gestor consegue perguntar o motivo e, se necessário, corrigir rumos antes que o problema apareça na prestação de contas.

Em resumo, a VPD é a forma como a contabilidade patrimonial conta o consumo do patrimônio: ela registra o desgaste, o risco e a obrigação no momento em que surgem, e por isso complementa, sem substituir, a leitura da despesa orçamentária.

Erros comuns

  • Achar que toda VPD corresponde a uma despesa orçamentária paga.
  • Deixar de registrar depreciação, provisões e obrigações por competência, o que melhora artificialmente o resultado.
  • Confundir a compra de um bem, que aumenta o ativo, com uma VPD.
  • Registrar VPD fora do período a que se refere.
  • Não explicar nas notas explicativas variações atípicas de VPD.

Perguntas frequentes sobre Variação patrimonial diminutiva (VPD)

O que é variação patrimonial diminutiva (VPD)?

É o registro contábil das transações que reduzem o patrimônio líquido do ente, reconhecidas nos períodos a que se referem, segundo o fato gerador, dependam ou não de execução orçamentária. No PCASP, as VPD formam a classe 3 e são apresentadas na Demonstração das Variações Patrimoniais.

VPD é a mesma coisa que despesa orçamentária?

Não. A compra de um equipamento é despesa orçamentária de capital, mas não é VPD, porque aumenta o ativo. Já a depreciação é VPD sem empenho. O MCASP também lembra que a despesa orçamentária pode ser efetiva, quando reduz a situação líquida, ou não efetiva, quando é fato permutativo.

Quais são exemplos de VPD?

Salários e encargos do mês, inclusive 13º e férias reconhecidos por competência, depreciação, amortização e exaustão, perdas com ajuste de créditos, constituição de provisões e redução ao valor recuperável. Todos diminuem o patrimônio líquido, ainda que não gerem empenho ou saída de caixa.

A depreciação passa pelo orçamento?

Não. A depreciação é VPD sem empenho: reduz o valor contábil do bem no balanço e o resultado patrimonial, mas não aparece na execução orçamentária da despesa e não gera pagamento. O que passou pelo orçamento foi a compra do bem, que aumentou o ativo.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)

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