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Glossário da gestão pública

Depreciação, amortização e exaustão

Depreciação, amortização e exaustão são as formas de reconhecer a perda de valor de ativos: depreciação (bens tangíveis, por desgaste, uso ou obsolescência), amortização (intangíveis) e exaustão (recursos naturais esgotáveis).

O que são depreciação, amortização e exaustão

Quase todo bem perde valor com o tempo. Um veículo desgasta, um prédio envelhece, um software fica obsoleto, uma jazida se esgota. A contabilidade pública registra essa perda de forma sistemática, e não de uma vez só, por meio de três mecanismos que o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP) define assim:

  • Depreciação: a redução do valor dos bens tangíveis pelo desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência.
  • Amortização: a alocação sistemática do valor amortizável do ativo intangível ao longo de sua vida útil.
  • Exaustão: a redução do valor decorrente da exploração dos recursos minerais, florestais e outros recursos naturais esgotáveis.

Aqui é preciso cuidado com um falso amigo: amortização, neste verbete, é a de ativos intangíveis. Não se confunde com a amortização da dívida, que é o pagamento do principal de uma obrigação.

Para que serve

Sem depreciação, o balanço mostra bens por seu valor de aquisição, como se nunca tivessem sido usados. Isso distorce o patrimônio e esconde a necessidade de reposição. Com depreciação, o balanço reflete o valor remanescente dos bens, e o resultado patrimonial passa a incluir o custo do uso do patrimônio. Para o gestor, isso permite planejar renovação de frota, de equipamentos e de prédios com base em dados, e não só na percepção.

Como funciona na prática

O cálculo parte de dois conceitos: o valor depreciável, que é o custo do bem menos o valor residual, e a vida útil, o período em que a entidade espera usar o ativo. O valor residual é determinado para que a depreciação não incida sobre 100{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do valor do bem. Passos básicos:

  1. O setor de patrimônio identifica cada bem e sua data de aquisição ou incorporação.
  2. A administração define, por classe de bem, a vida útil e o valor residual, com critérios documentados.
  3. Todo mês, a contabilidade calcula a parcela de depreciação de cada bem, por método sistemático.
  4. O lançamento gera uma variação patrimonial diminutiva (VPD), sem empenho, e reduz o valor contábil do bem no balanço.
  5. Quando a vida útil termina, o bem pode continuar em uso por seu valor residual ou ser baixado, conforme o caso.

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que comprou um caminhão e definiu sua vida útil em determinado número de anos, com valor residual correspondente a uma fração do custo. Todo mês, uma parcela do valor depreciável vira despesa patrimonial, sem saída de caixa e sem empenho. Ao final do período, o caminhão está no balanço apenas por seu valor residual. Se o município não tivesse feito a depreciação, o balanço continuaria mostrando o valor cheio de um veículo que já rodou anos.

O que depende de inventário confiável

A depreciação só é tão boa quanto o cadastro de bens. Se o inventário está desatualizado, com bens sem data de aquisição, sem valor ou sem localização, o cálculo fica comprometido. Por isso, a implantação da depreciação costuma começar por um levantamento completo do patrimônio, seguido da definição de vida útil e valor residual por classe, e da parametrização no sistema contábil. Cada ente deve documentar os critérios e mantê-los estáveis, para que as comparações entre exercícios façam sentido.

Diferença entre depreciação e redução ao valor recuperável

A depreciação é gradual e esperada. A redução ao valor recuperável, ou impairment, é uma desvalorização adicional, que ocorre quando o valor contábil do bem excede o valor que se pode recuperar com seu uso ou venda. Um prédio interditado, por exemplo, pode ter depreciação normal e, além dela, um ajuste por impairment. Já a reavaliação ajusta o valor do bem para o valor justo, para mais ou para menos.

Base legal e normas

  • MCASP, 11ª edição: definições de depreciação, amortização e exaustão, e orientação sobre vida útil e valor residual.
  • Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas do Setor Público, do Conselho Federal de Contabilidade, que fundamentam o tratamento contábil de ativos.

Como o gestor usa a depreciação para planejar

Depois de implantada, a depreciação gera informação valiosa. Ela mostra quanto do patrimônio já foi consumido e, indiretamente, quanto será necessário para repor os bens quando sua vida útil terminar. Se a frota inteira está perto do fim da vida útil, o gestor sabe que, nos próximos anos, haverá pressão por investimentos em reposição. Se os prédios têm valor contábil muito baixo, mas continuam em uso, é sinal de que vale conferir o estado de conservação e planejar reformas. Essa leitura ajuda a incluir as necessidades no PPA, na LDO e na LOA, em vez de tratá-las como emergência.

Erros comuns

  • Não depreciar os bens, mantendo o balanço com valores de aquisição.
  • Depreciar sem inventário confiável, ou com vida útil definida de forma arbitrária e sem documentação.
  • Tentar empenhar a depreciação: ela é um lançamento patrimonial, e não uma despesa orçamentária.
  • Continuar depreciando bens já baixados, ou deixar de depreciar bens recém-incorporados.
  • Trocar critérios de vida útil de um ano para o outro sem explicar nas notas explicativas.

Perguntas frequentes sobre Depreciação, amortização e exaustão

O que é depreciação no setor público?

Segundo o MCASP, é a redução do valor dos bens tangíveis pelo desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência. Cada mês, ela gera uma variação patrimonial diminutiva, sem empenho, e reduz o valor contábil do bem no balanço patrimonial do ente.

Qual a diferença entre depreciação, amortização e exaustão?

Depreciação se aplica a bens tangíveis, como prédios e veículos. Amortização se aplica ao ativo intangível, como softwares e licenças. Exaustão se aplica à exploração de recursos minerais, florestais e outros recursos naturais esgotáveis. Em todos, o valor do bem é reduzido de forma sistemática.

Como se calcula a depreciação?

O cálculo parte do valor depreciável, que é o custo menos o valor residual, e da vida útil, período em que a entidade espera usar o ativo. O valor residual é determinado para que a depreciação não incida sobre 100{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do valor do bem. A prefeitura define critérios por classe de bem.

Depreciação e impairment são a mesma coisa?

Não. A depreciação é o declínio gradual e planejado do potencial do ativo. O impairment, ou redução ao valor recuperável, é a desvalorização que ocorre quando o valor contábil excede o valor recuperável, por exemplo, por interdição ou obsolescência súbita. Ambos podem ocorrer no mesmo bem.

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Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)

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