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Glossário da gestão pública

Matriz de Saldos Contábeis (MSC)

A Matriz de Saldos Contábeis (MSC) é o arquivo com os saldos das contas contábeis do ente, no padrão do PCASP e com informações complementares, que Estados e Municípios enviam ao Tesouro Nacional pelo Siconfi.

O que é a Matriz de Saldos Contábeis

A Matriz de Saldos Contábeis (MSC) é o arquivo que reúne os saldos das contas contábeis do ente, organizados pelo Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP), acompanhados de informações complementares. Em vez de enviar relatórios prontos, o município envia a matéria-prima: os saldos de cada conta, em cada mês, com atributos que permitem ao Tesouro Nacional montar, por conta própria, os demonstrativos.

O MCASP descreve a MSC como a estrutura pela qual cada ente informa ao Tesouro Nacional, por meio do Siconfi, os saldos das contas do PCASP, acompanhados de informações complementares, como a fonte ou destinação de recursos e a identificação do exercício em que os recursos foram arrecadados.

Para que serve

  • Padronizar a informação contábil enviada pelos entes, no formato do PCASP.
  • Permitir que o Tesouro extraia relatórios e indicadores com critérios homogêneos, como os de qualidade da informação contábil e fiscal.
  • Apoiar a consolidação das contas públicas de todos os entes.
  • Estimular a contabilidade integrada: os mesmos saldos servem a balanços e a relatórios fiscais.

Como funciona na prática

  1. O município mantém contabilidade em plano de contas aderente ao PCASP, com atributos de fonte, poder, órgão e demais informações complementares.
  2. O sistema contábil gera, mensalmente, o arquivo da MSC com os saldos de cada conta no período.
  3. O responsável pelo envio utiliza o Siconfi para transmitir o arquivo ao Tesouro Nacional, no prazo definido.
  4. O Tesouro valida o arquivo e aponta inconsistências, como contas inexistentes, saldos incompatíveis ou diferenças em relação aos relatórios fiscais.
  5. O município corrige as pendências e reenvia, se necessário.

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que envia a MSC e, ao mesmo tempo, publica o RREO. Se os números de despesa empenhada no RREO forem diferentes dos da MSC, o Tesouro identificará a divergência e pedirá explicação. O ideal é que contabilidade, relatórios fiscais e MSC sejam gerados da mesma base, de modo que os valores coincidam por construção.

Fonte de recursos na MSC

O MCASP registra que os detalhamentos adicionais de fonte criados pelo ente, para seu controle interno, não precisam ser enviados ao Tesouro; o que vale são os códigos definidos em portaria da STN. Na prática, o município pode ter classificações mais detalhadas internamente, mas deve manter a correspondência com os códigos nacionais para fins de envio. Isso evita perda de informação e erros de conversão.

MSC e regimes próprios de previdência

A Portaria MTP 1.467/2022 previu, para os RPPS, o envio da MSC até o último dia de cada mês, relativamente ao mês anterior, com identificação do poder e órgão do regime, e hoje remete aos prazos e formas definidos pela STN. Por isso, quem administra um regime próprio precisa conhecer o calendário e os requisitos vigentes e manter diálogo com a contabilidade do ente.

Diferença entre MSC e relatórios fiscais

O RREO e o RGF são demonstrativos prontos, com estrutura fixa. A MSC é a base de saldos, mais granular. Do ponto de vista do Tesouro, a MSC permite verificar se os relatórios estão corretos, comparando os números. Do ponto de vista do município, é a prova de que a contabilidade é consistente. Veja também SICONFI e MSC.

Base legal e normas

  • MCASP, 11ª edição: descrição da MSC, obrigatoriedade e códigos definidos em portaria da STN.
  • Portaria MTP 1.467/2022: envio da MSC pelos RPPS, com remissão aos prazos e formas da STN.

Boas práticas para um envio sem pendências

A experiência dos entes que enviam a MSC sem pendências revela alguns hábitos comuns. O primeiro é escolher um sistema contábil que gere o arquivo conforme o layout vigente e que se atualize quando a STN altera códigos ou regras. O segundo é rodar, antes do envio, uma conferência interna entre os saldos da matriz e os relatórios fiscais, para antecipar divergências. O terceiro é definir um responsável pelo envio, com substituto, e um calendário mensal que preveja margem para correções. O quarto é registrar as pendências recebidas e as respostas dadas, formando um histórico útil para auditorias.

Também é importante que a equipe de contabilidade entenda a lógica da matriz, e não apenas a mecânica do envio. A MSC reflete a forma como cada fato é contabilizado. Se uma despesa é classificada na conta errada ou com fonte errada, o erro aparece na matriz e se propaga aos indicadores. Treinar a equipe para classificar corretamente na origem é mais barato do que corrigir depois, e fortalece a consistência de todos os demonstrativos do município.

Erros comuns

  • Usar sistema contábil que não gera a MSC ou que a gera com contas fora do PCASP.
  • Enviar saldos que divergem dos relatórios fiscais publicados.
  • Enviar códigos de fonte próprios, em vez dos definidos pela STN.
  • Deixar de acompanhar as pendências apontadas pelo Tesouro.
  • Perder prazos de envio, com reflexo nos indicadores de qualidade e na consolidação.

Perguntas frequentes sobre Matriz de Saldos Contábeis (MSC)

O que é a MSC?

É a Matriz de Saldos Contábeis, estrutura pela qual cada ente informa ao Tesouro Nacional, por meio do Siconfi, os saldos das contas do PCASP, acompanhados de informações complementares, como a fonte ou destinação de recursos e o exercício em que os recursos foram arrecadados.

O envio da MSC é obrigatório?

Segundo o MCASP, o envio dessas informações por meio da MSC é obrigatório e deve observar os códigos definidos em portaria da STN. Os detalhamentos adicionais de fonte criados pelo ente para uso interno não precisam ser enviados ao Tesouro.

Qual a relação entre a MSC e o Siconfi?

O Siconfi é o sistema por onde os entes enviam dados ao Tesouro Nacional. A MSC é um dos tipos de informação enviados por ele. Do conjunto, o Tesouro extrai relatórios e indicadores e promove a consolidação das contas públicas de todos os entes da Federação.

A MSC tem prazo de envio para os RPPS?

A Portaria MTP 1.467/2022 previu, para os RPPS, o envio da MSC até o último dia de cada mês, relativamente ao mês anterior, com identificação do poder e órgão do regime, e hoje remete aos prazos e formas definidos pela STN. Consulte a norma vigente.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)
  2. Portaria MTP nº 1.467/2022 – parâmetros dos RPPS (texto consolidado, Ministério da Previdência Social)

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