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Glossário da gestão pública

Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO)

O Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) é o relatório bimestral que mostra receitas, despesas e resultados do orçamento, publicado até 30 dias após cada bimestre e abrangendo todos os Poderes e o Ministério Público.

O RREO é exigido pela Constituição: o Poder Executivo publica, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária (art. 165, §3º). A LRF detalhou a forma (arts. 52 e 53).

Para que serve o RREO

O RREO é o painel bimestral do orçamento. Em poucas tabelas, ele permite ver se a receita está acompanhando a previsão, quanto da dotação foi usada, como estão os restos a pagar e se o município está no caminho das metas fiscais. É o principal instrumento de acompanhamento da execução e, por ser público, serve também ao cidadão e ao controle externo.

Como funciona na prática, em etapas

  1. No fim de cada bimestre, a contabilidade fecha a execução de receitas e despesas.
  2. Preenche os demonstrativos do Manual de Demonstrativos Fiscais, incluindo o da RCL e os de resultados.
  3. O controle interno revisa e o relatório é assinado pelos responsáveis.
  4. Em até trinta dias depois do bimestre, o relatório é publicado e enviado pelo Siconfi.
  5. Se a receita realizada indicar que as metas fiscais não serão cumpridas, abre-se a discussão sobre a limitação de empenho.

Exemplo ilustrativo

Imagine que, no terceiro bimestre, uma prefeitura de pequeno porte percebe que a receita realizada está abaixo da previsão atualizada. O RREO mostra a diferença e a projeção até o fim do ano. Com esses dados, a prefeitura pode avaliar se precisa conter despesas, como manda a LRF, antes de o problema se acumular nos bimestres seguintes.

Quem usa o RREO

O prefeito e os secretários, para decidir; o controle interno, para verificar a conformidade; a Câmara, para fiscalizar; o Tribunal de Contas, para auditar; e o cidadão, para acompanhar a execução. Por isso, a qualidade dos números e a clareza das notas são tão importantes quanto o prazo.

Conteúdo

O relatório abrange todos os Poderes e o Ministério Público e é composto (art. 52) de balanço orçamentário, com receitas por fonte (realizadas e a realizar, previsão atualizada) e despesas por grupo de natureza (dotação, despesa liquidada e saldo), e demonstrativos da execução das receitas e das despesas, por categoria econômica e por função e subfunção.

Acompanham o relatório demonstrativos (art. 53):

  • da apuração da receita corrente líquida, sua evolução e previsão de desempenho até o fim do exercício;
  • das receitas e despesas previdenciárias;
  • dos resultados nominal e primário;
  • das despesas com juros;
  • dos restos a pagar, por Poder e órgão.

O relatório do último bimestre traz ainda demonstrativos do atendimento da regra de ouro (art. 167, III), das projeções atuariais dos regimes de previdência e da variação patrimonial, com a alienação de ativos. Quando for o caso, apresentam-se as justificativas de limitação de empenho e da frustração de receitas (§2º).

Prazo, sanção e padronização

O descumprimento do prazo sujeita o ente às sanções do art. 51, §2º (art. 52, §2º). O Tesouro Nacional padroniza os modelos pelo Manual de Demonstrativos Fiscais, e o envio é feito pelo Siconfi. Municípios com menos de 50 mil habitantes podem optar por divulgar semestralmente demonstrativos selecionados; segundo o Siconfi, nesse caso o RREO é reduzido, com o balanço orçamentário e as despesas por função e subfunção nos bimestres indicados pelo sistema, e a opção deve ser feita pelo chefe do Executivo.

Como usar o RREO como ferramenta de gestão

Quem trata o RREO só como obrigação perde um bom instrumento de gestão. Ao analisar o relatório a cada bimestre, o gestor consegue identificar áreas com baixa execução, receitas que não se confirmam, aumento dos restos a pagar e necessidade de remanejamentos. Uma reunião curta de análise do relatório com os secretários, depois de cada publicação, ajuda a corrigir a execução ao longo do ano. É também o melhor material para preparar a prestação de contas e as audiências públicas de avaliação das metas fiscais.

Além disso, o relatório é uma fonte confiável de informações para a imprensa local e para a Câmara, o que reduz ruídos e pedidos repetidos de informação.

Relatório e audiências públicas

Os dados do RREO são a base das audiências públicas de avaliação das metas fiscais e dos debates da Câmara sobre a execução do orçamento. Relatórios com erros ou atrasos comprometem esses debates e enfraquecem a credibilidade da prefeitura diante da população.

Erros comuns

  • Deixar de incluir a execução do Legislativo e das autarquias.
  • Enviar o RREO sem coerência com a contabilidade (receitas e despesas diferentes das do balanço).
  • Não publicar em formato aberto ou nos canais de transparência.
  • Esquecer justificativas obrigatórias no relatório do último bimestre.

Diferença entre RREO e RGF

O RREO é bimestral e trata da execução do orçamento: receitas, despesas, resultado primário e nominal, restos a pagar. O RGF é quadrimestral e trata dos limites da LRF: pessoal, dívida, garantias e operações de crédito. Ambos usam o mesmo manual e o mesmo canal de envio.

Onde aprofundar

Veja balanço orçamentário, RCL e limitação de empenho. A Evoluta aborda a rotina de acompanhamento contábil e fiscal em seu conteúdo sobre inteligência artificial para contabilidade pública e oferece o estudo de impacto orçamentário-financeiro.

Perguntas frequentes sobre Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO)

O que é o RREO?

O Relatório Resumido da Execução Orçamentária é o relatório bimestral que mostra a execução do orçamento: receitas previstas e realizadas, despesas por dotação, liquidação e saldo, e demonstrativos de RCL, resultados, juros e restos a pagar. Abrange todos os Poderes e o Ministério Público.

Qual o prazo para publicar o RREO?

A Constituição determina que o Poder Executivo publique, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, o relatório resumido da execução orçamentária. A LRF detalha o conteúdo e prevê sanções, como o impedimento de receber transferências voluntárias, para quem descumprir o prazo.

Município pequeno também precisa publicar o RREO a cada bimestre?

Sim, o RREO continua bimestral. A LRF permite que Municípios com menos de 50 mil habitantes optem por divulgar semestralmente apenas os demonstrativos do art. 53, que acompanham o relatório (art. 63, II, c). Confira as regras de envio no Siconfi.

Qual a diferença entre RREO e RGF?

O RREO é bimestral e mostra a execução do orçamento. O RGF é quadrimestral e mostra o cumprimento dos limites de pessoal, dívida, garantias e operações de crédito. Os dois seguem o Manual de Demonstrativos Fiscais e são enviados ao Tesouro Nacional pelo Siconfi.

Termos relacionados

Glossário de responsabilidade fiscal

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Fontes

  1. Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (texto atualizado, Câmara dos Deputados)
  2. Constituição Federal de 1988 (texto atualizado, Câmara dos Deputados)
  3. Manual de Demonstrativos Fiscais – MDF (Tesouro Nacional)
  4. Siconfi – como pleitear apresentação semestral de RREO e RGF (Tesouro Nacional)

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