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Aplicativos de transporte na prefeitura: o caso de São Paulo

Em resumo

O caso Driving Change in São Paulo, da Harvard Kennedy School, trata da regra de 2016 que regulou aplicativos de transporte e que, segundo o caso, abriu caminho para a prefeitura gerir sua frota com economia e transparência. É um estudo sobre como implantar uma inovação e lidar com resistência interna.

Como uma prefeitura implanta uma inovação que divide a própria equipe? O caso Driving Change in São Paulo, da Harvard Kennedy School (HKS), responde com a experiência de São Paulo ao regular aplicativos de transporte e usá-los na gestão da frota municipal. Publicado em 9 de março de 2021 (caso 2214.0), é assinado por Carlos Paiva, Carin-Isabel Knoop, Jorrit de Jong e Rawi Abdelal, com apoio da Bloomberg Harvard City Leadership Initiative.

A ideia em resumo

Em 2016, depois de muitos meses de negociação, a cidade de São Paulo aprovou uma regra para as empresas de rede de transporte. O resumo do caso diz que a norma permitiu aos cidadãos usar os novos serviços e deu aos gestores uma forma de administrar a frota com economia significativa, transparência e dados inéditos. Ainda segundo o resumo, foi a primeira cidade brasileira a adotar o modelo, e a reação interna foi de forte oposição a forte apoio.

O que o caso examina

O texto acompanha o caminho até a implantação, incluindo aprendizados do processo da norma e de pilotos anteriores. Examina a atuação de atores-chave, como o secretário de Administração, Paulo Spencer Uebel, diante do compromisso público do prefeito João Doria de corrigir o modelo de transporte, da opinião pública e da necessidade de limitar transtornos no primeiro ano de governo. Entre os objetivos de aprendizagem estão:

  • identificar interesses e posições dos envolvidos para antecipar apoio e resistência;
  • definir o ritmo adequado de implantação;
  • aprender fazendo, desenhando e gerindo a adaptação ao mesmo tempo;
  • criar condições para consolidar e institucionalizar a mudança.

O caso completo (19 páginas), o epílogo e o guia não foram lidos; os resultados detalhados e números de economia não constam do resumo público.

Por que o caso vale além do tema transporte

O caso de São Paulo é, no fundo, uma aula sobre implantar uma mudança dentro do governo. A regra nova prometia economia, transparência e dados, mas esbarrou em resistência interna, o que é comum quando se mexe em contratos, rotinas e hábitos consolidados. O resumo destaca a importância de entender quem apoia e quem resiste, de calibrar o ritmo e de aprender enquanto se implanta.

Há ainda um ponto de gestão política: o prefeito havia assumido compromisso público de corrigir o modelo anterior, o que dá urgência, mas também limita a margem de erro. Gestores que enfrentam promessas de campanha em áreas de gasto recorrente, como frota, locação e serviços terceirizados, encontram ali um roteiro de perguntas úteis antes de decidir.

Também importa o que o resumo não traz: ele não afirma que o modelo paulistano é replicável em qualquer município nem apresenta a economia em valores. O que oferece é um exercício de análise: como identificar o apoio e a resistência dentro de casa, como escolher o momento e o ritmo da mudança e como fazer com que uma boa ideia sobreviva além do entusiasmo inicial da equipe que a criou.

Como aplicar no Brasil

A lição vai além do transporte e serve a qualquer mudança de rotina na administração:

  1. Faça o mapa de interesses. Liste quem ganha, quem perde e quem teme, por área (frota, finanças, jurídico, sindicato, usuários). Anote o grau de apoio de cada um.
  2. Comece com piloto. Teste em um setor, meça custo, tempo e satisfação e use os aprendizados na regra definitiva.
  3. Escreva a regra com participação. O caso destaca meses de negociação; envolva jurídico, controle e áreas usuárias antes do ato normativo.
  4. Escolha o ritmo. Defina quanto da mudança cabe agora sem desorganizar o serviço no primeiro ano de gestão.
  5. Garanta dados desde o início. Exija relatórios por viagem ou por serviço, para controle e prestação de contas.
  6. Institucionalize. Transforme o piloto em rotina, com responsável, manual e indicadores, para sobreviver a trocas de equipe.

Cuidados e limites

O resumo não permite avaliar se o modelo teria o mesmo desempenho em outras cidades. No Brasil, a regulação do transporte individual por aplicativo e a contratação de deslocamentos pela administração seguem normas federais e municipais próprias, que devem ser conferidas pela procuradoria antes de qualquer decisão. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para conduzir a mudança com a equipe, veja o serviço de implantação de melhorias e gestão da mudança, o sistema de gestão de frota e o curso de como superar a resistência na reforma administrativa.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Driving Change in São Paulo (Caso 2214.0) — Harvard Kennedy School Case Program, 09/03/2021
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