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Banco Mundial: a IA em países de renda média e os 4 Cs

Em resumo

O Relatório de Progresso e Tendências Digitais 2025 do Banco Mundial argumenta que a IA já gera benefícios, mas que países de renda média precisam investir em quatro frentes: conectividade, capacidade de computação, contexto (dados locais) e competências. O Brasil aparece entre os líderes de uso do ChatGPT em países de renda média. O relatório diz que a adoção da IA pelos governos ainda está no início.

O relatório do Banco Mundial sobre IA, “Digital Progress and Trends Report 2025: Strengthening AI Foundations”, parte de uma pergunta prática: o que países de renda baixa e média precisam para aproveitar a inteligência artificial? A resposta é organizada em quatro frentes, os “4 Cs”. Um resumo oficial foi publicado em 21 de novembro de 2025.

O diagnóstico do Banco Mundial

Segundo o resumo do Banco Mundial:

  • Em meados de 2025, mais de 40% do tráfego global do ChatGPT vinha de países de renda média, com Brasil, Índia, Indonésia e Vietnã na liderança.
  • Os países de renda alta concentram 87% dos modelos de IA relevantes, 86% das startups de IA e 91% do capital de risco, embora tenham 17% da população.
  • Em junho de 2025, países de renda alta abrigavam 77% da capacidade global de data centers de colocation.
  • As vagas de IA generativa aumentaram cerca de nove vezes entre 2021 e 2024, e uma em cada cinco estava em países de renda média.

Os 4 Cs

  • Conectividade: o uso de internet é de 93% nos países de renda alta, 54% nos de renda média-baixa e 27% nos de renda baixa.
  • Computação: países de renda média e baixa têm só 23% da capacidade global de data centers. O relatório diz que os governos precisam decidir entre construir capacidade própria ou garantir acesso acessível a nuvens internacionais.
  • Contexto: a maior parte dos dados de treinamento é em inglês. Dados locais de qualidade permitem que modelos se adaptem à realidade de cada país.
  • Competências: menos de 5% das pessoas em países de renda baixa têm habilidades digitais básicas, contra 66% nos de renda alta.

A conclusão do relatório chama o investimento nos 4 Cs de abordagem em grande parte “sem arrependimento” (no-regret) para países de renda baixa e média, e destaca a chamada “IA pequena”: ferramentas leves que rodam em aparelhos comuns, como celulares.

E o governo?

Na página do relatório, o Banco Mundial afirma que governos devem adotar políticas para aproveitar as oportunidades da IA e controlar seus riscos, e diz que a adoção de IA pelos próprios governos ainda está em estágio inicial. O resumo de novembro de 2025 não trata do uso de IA no setor público, e os estudos de caso do relatório tratam de educação, de agricultura e energia e de serviços prestados por meio digital. Por isso, as lições para prefeituras abaixo são uma leitura nossa, e não conclusões do documento.

Como aplicar no seu município

  1. Conectividade: mapeie escolas, unidades de saúde e equipamentos públicos sem internet estável; sem isso, nenhuma ferramenta de IA funciona.
  2. Computação: prefira serviços contratados com segurança e local de armazenamento claros, em vez de comprar infraestrutura própria.
  3. Contexto: organize os dados do município (cadastros, protocolos, legislação) em formato limpo; é o que torna a IA útil e confiável. Respeite a LGPD.
  4. Competências: ofereça treinamento prático aos servidores, com regras de uso e exemplos do dia a dia.
  5. Comece por tarefas de baixo risco: resumo de documentos, rascunhos, triagem de demandas, sempre com revisão humana.

Fontes

  1. Strengthening AI Foundations: Emerging Opportunities for Developing Countries (factsheet) — Banco Mundial, 21/11/2025
  2. Digital Progress and Trends Report: Strengthening AI Foundations — Banco Mundial, 21/11/2025
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