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Glossário da gestão pública

IA generativa

A IA generativa é a inteligência artificial capaz de criar textos, imagens, áudios ou códigos a partir de instruções do usuário, como os chatbots baseados em grandes modelos de linguagem.

A IA generativa é a inteligência artificial capaz de criar conteúdo novo, como textos, imagens, áudios, vídeos ou códigos de programação, a partir de instruções dadas pelo usuário. Os exemplos mais conhecidos são os assistentes de conversa baseados em grandes modelos de linguagem, que respondem perguntas, resumem documentos, redigem minutas e traduzem. Ao contrário de sistemas que apenas classificam ou preveem, a IA generativa produz algo novo, mas não “sabe” no sentido humano: ela gera respostas prováveis a partir de padrões aprendidos em grandes volumes de dados.

O que pode fazer no serviço público

  • Resumir documentos extensos e normas.
  • Redigir minutas de ofícios, comunicados, respostas a cidadãos e textos em linguagem simples.
  • Organizar informações, como transformar anotações em atas e relatórios.
  • Responder a dúvidas de cidadãos por meio de assistentes virtuais alimentados com informações oficiais.
  • Apoiar a análise de grandes volumes de texto, com revisão humana.
  • Auxiliar na programação e na automação de tarefas.
  • Traduzir e adaptar conteúdos para diferentes públicos.

Esses usos podem economizar tempo, desde que o servidor continue responsável pelo resultado e confira o que foi produzido.

Riscos principais

  • Alucinações: o sistema pode gerar informações falsas com aparência de verdade, inclusive citar leis, decisões ou números inexistentes. Em atos oficiais, isso é grave.
  • Viés: respostas podem reproduzir estereótipos ou omissões presentes nos dados de treinamento.
  • Vazamento de dados: informações inseridas em ferramentas públicas podem ser armazenadas ou usadas para treinar modelos, expondo dados pessoais e sigilosos.
  • Falta de transparência: nem sempre é possível explicar como a resposta foi obtida.
  • Direitos autorais e plágio: conteúdo gerado pode se assemelhar a obras protegidas.
  • Dependência e perda de habilidades: o uso acrítico reduz a capacidade de análise.

Regras de boa prática

  1. Defina o que pode e o que não pode ser inserido: nunca coloque dados pessoais, informações sigilosas, processos em andamento sob sigilo ou dados de saúde em ferramentas públicas. A LGPD (Lei nº 13.709/2018) se aplica.
  2. Exija conferência humana: todo texto gerado deve ser lido, verificado e assumido pelo servidor, especialmente citações de normas e dados.
  3. Prefira soluções contratadas com garantias de confidencialidade, segurança e controle sobre a destinação dos dados.
  4. Registre usos relevantes, como o fim e a ferramenta, para permitir auditoria.
  5. Informe o usuário quando estiver interagindo com um sistema automatizado.
  6. Capacite os servidores em treinamentos curtos e práticos, com exemplos de bons e maus usos.
  7. Institua política interna, aprovada pela alta administração, com responsáveis e revisão periódica.

Um exemplo hipotético: um servidor usa uma ferramenta contratada pela prefeitura para resumir uma norma pública e preparar um rascunho de resposta a uma dúvida de cidadão. Antes de enviar, confere cada citação no texto oficial e ajusta o tom. Não insere nome, CPF nem dados do caso concreto na ferramenta. O resultado é mais rápido e seguro.

Escrever boas instruções (prompts)

A qualidade da resposta depende da instrução. Boas práticas incluem informar o contexto e o público, descrever o formato desejado, pedir que o sistema indique incertezas, fornecer o texto-base e solicitar que cite os trechos usados. Isso reduz erros, mas não os elimina.

Base legal

Não há, até o momento da conferência (outubro de 2026), lei geral específica de IA em vigor no país. Aplicam-se a LGPD, a Lei de Acesso à Informação, as normas de sigilo e de segurança da informação e as regras do servidor público sobre responsabilidade pelos atos. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial traz diretrizes federais. Veja IA no setor público e LGPD.

Erros comuns

  • Copiar e colar respostas sem verificar.
  • Inserir dados pessoais em ferramentas abertas.
  • Usar IA para elaborar pareceres e decisões sem revisão técnica e jurídica.
  • Não treinar a equipe nem estabelecer regras.
  • Ignorar que o conteúdo gerado precisa respeitar direitos autorais e a linguagem institucional.

Exemplo de política interna enxuta

Uma política de uso de IA generativa para uma prefeitura pode caber em duas páginas: finalidade; ferramentas autorizadas; tipos de informação que nunca podem ser inseridas; obrigação de revisão humana; vedação de uso para decisões que afetem direitos sem análise técnica; registro de usos relevantes; responsáveis pelo suporte e pelo tratamento de incidentes; e capacitação periódica. Ela deve ser aprovada pela alta administração, divulgada e revisada a cada semestre, pois a tecnologia muda rápido.

Quando a IA generativa não é adequada

Evite usá-la para redigir sozinha atos normativos, pareceres jurídicos, decisões administrativas, laudos e respostas a pedidos de acesso à informação sem revisão especializada; para tratar processos sigilosos em ferramentas abertas; ou para substituir a análise de quem tem competência legal para decidir. Nesses casos, o sistema pode servir de apoio a rascunhos, mas a responsabilidade e a análise permanecem com o agente competente.

Capacitação como medida central

Treinamentos curtos, com exemplos práticos de uso seguro, são a medida mais barata e eficaz. Mostre erros reais de ferramentas, ensine a verificar citações, explique por que não inserir dados pessoais e demonstre como escrever instruções claras. Reforce que a responsabilidade pelo resultado é do servidor.

Perguntas frequentes sobre IA generativa

O que é IA generativa?

É a inteligência artificial capaz de criar textos, imagens, áudios ou códigos a partir de instruções do usuário, como os chatbots baseados em grandes modelos de linguagem. No serviço público, pode resumir documentos, redigir minutas e responder dúvidas, sempre com conferência humana.

O que são alucinações da IA generativa?

São respostas falsas ou inventadas, apresentadas com aparência de verdade, como leis, decisões ou números inexistentes. Por isso, todo conteúdo gerado deve ser conferido em fontes oficiais antes de ser usado em atos, pareceres, respostas a cidadãos ou publicações. Cada município deve adaptar a orientação à sua legislação e à sua realidade local.

Posso inserir dados de cidadãos em ferramentas de IA?

Não em ferramentas públicas ou sem contrato adequado. Dados pessoais, sensíveis ou sigilosos exigem base legal, segurança e controle sobre o destino, conforme a LGPD. O ideal é usar soluções contratadas com garantias de confidencialidade e política interna que defina o que pode ser inserido.

O servidor é responsável pelo texto gerado por IA?

Sim. A ferramenta apoia, mas o servidor que utiliza o conteúdo responde por ele. Por isso, é necessário ler, verificar e assumir o resultado antes de usá-lo em atos oficiais. Registrar o uso relevante e seguir a política interna protege o servidor e o órgão.

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Fontes

  1. Plano Brasileiro de Inteligência Artificial – MCTI (gov.br)
  2. Lei nº 13.709/2018 – Lei Geral de Proteção de Dados (LexML)

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