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Como as pessoas usam o ChatGPT: o que isso indica ao setor público

Em resumo

Um estudo do NBER, catalogado pela Harvard Kennedy School, analisou como as pessoas usam o ChatGPT: o uso fora do trabalho cresceu mais rápido, e orientação prática, busca de informação e escrita somam quase 80% das conversas. Para prefeituras, os dados ajudam a definir usos e regras para a inteligência artificial.

Servidores podem estar usando assistentes de inteligência artificial para redigir textos, resumir documentos e tirar dúvidas, com ou sem autorização da chefia. Antes de decidir se proíbe, libera ou regulamenta, o gestor precisa saber o que as pessoas realmente fazem com essas ferramentas. Em setembro de 2025, Aaron Chatterji, Thomas Cunningham, David Deming, Zoe Hitzig, Christopher Ong, Carl Yan Shan e Kevin Wadman publicaram o documento How People Use ChatGPT, número 34255 da série do NBER, catalogado pela Harvard Kennedy School (HKS), que traz um retrato de uso em larga escala.

A ideia em resumo

Os autores acompanharam o crescimento do uso do ChatGPT entre consumidores desde o lançamento, em novembro de 2022, até julho de 2025, quando cerca de 10% dos adultos do mundo já o haviam usado. Por meio de um processo automatizado que preserva a privacidade, classificaram o uso em uma amostra representativa de conversas. O objetivo foi descrever o que as pessoas pedem à ferramenta, e não avaliar a qualidade das respostas.

O que a pesquisa mostrou

Segundo o resumo, os primeiros usuários eram em maioria homens, mas a diferença de gênero diminuiu bastante, e o crescimento foi mais rápido em países de menor renda. As mensagens relacionadas ao trabalho cresceram de forma constante, mas as não relacionadas ao trabalho cresceram mais rápido e passaram de 53% para mais de 70% do uso. O uso profissional é mais comum entre pessoas com mais escolaridade e em ocupações bem remuneradas.

Os três temas mais frequentes são orientação prática, busca de informação e escrita, que juntos respondem por quase 80% das conversas. A escrita domina as tarefas de trabalho, o que os autores ligam à capacidade de gerar produtos digitais, diferente dos buscadores tradicionais. Programação e expressão pessoal representam parcelas pequenas. Os autores concluem que o valor econômico vem sobretudo do apoio à decisão, mais relevante em ocupações intensivas em conhecimento. Os números se referem a usuários de uma ferramenta específica e não ao serviço público.

Como aplicar no Brasil

O retrato sugere que, no serviço público, os usos mais prováveis são escrever, buscar informação e pedir orientação, atividades presentes em quase todos os setores. A prefeitura pode se antecipar:

  • Pergunte à equipe como já usa. Uma pesquisa interna anônima mostra quais tarefas são feitas com apoio de IA e quais riscos já existem, sem depender de suposições.
  • Defina o que pode e o que não pode. Estabeleça regras claras: não inserir dados pessoais, informações sigilosas ou documentos de processos em ferramentas abertas, e revisar sempre o conteúdo gerado antes de assinar ou publicar. Dados pessoais devem respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/2018).
  • Priorize usos de baixo risco e alto ganho. Rascunho de comunicados, resumo de textos longos, revisão de linguagem e organização de ideias costumam ser bons pontos de partida, com revisão humana obrigatória.
  • Ofereça ferramentas institucionais. Quando possível, contrate soluções com contrato, cláusulas de confidencialidade e controle de acesso, em vez de deixar o uso espalhado em contas pessoais.
  • Treine para decidir bem. O estudo aponta o apoio à decisão como fonte de valor. Capacitar servidores a formular boas perguntas, checar fontes e reconhecer erros é mais útil do que ensinar truques de uso.
  • Cuide da desigualdade de acesso. Como o uso profissional é mais frequente entre pessoas mais escolarizadas, ofereça capacitação a todas as áreas, inclusive às da linha de frente.

Cuidados e limites

O texto consultado é o resumo do documento de trabalho, que não foi lido por inteiro e ainda não passou, até onde a página informa, por revisão de periódico. Os dados vêm de uma única ferramenta e de uma amostra de conversas de consumidores, e o estudo não avalia se as respostas são corretas. O uso de IA em órgãos públicos exige responsabilidade do servidor pelo conteúdo, proteção de dados e atenção a erros e invenções da ferramenta. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para estruturar o uso da IA no seu órgão, veja o curso de inteligência artificial na administração pública, o de inteligência artificial para o gabinete do prefeito e secretariado e o curso de LGPD no setor público.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. How People Use ChatGPT — Harvard Kennedy School (NBER Working Paper 34255), 01/09/2025
  2. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 (LGPD) — Planalto, 14/08/2018
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