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Mapa de compras da prefeitura: o que Boston achou nos contratos

Em resumo

Em um capítulo de livro, Jeffrey Liebman e Hanna Azemati, da Harvard Kennedy School, mostram que Boston gastava quase metade do orçamento em contratos e listam os dez maiores problemas de compras das cidades. A primeira lição é prática: antes de reformar, mapeie o que a prefeitura compra e escolha de quinze a vinte contratações críticas.

Quanto da despesa da sua prefeitura passa por contratos, e quais são os dez maiores? Muita gente descobre que não sabe. Em 2016, Jeffrey Liebman e Hanna Azemati, da Harvard Kennedy School (HKS) e do Government Performance Lab (GPL), publicaram o capítulo 4 do livro Retooling Metropolis, do Manhattan Institute, com o título “How Cities Can Improve Their Procurement of Goods and Services”. O texto começa justamente por um mapa de compras da prefeitura, a partir de dados abertos de contratos, e propõe uma lista de dez desafios que se repetem nas cidades.

A ideia em resumo

Os autores observam que quase tudo o que um governo local faz mistura servidores com bens e serviços comprados do setor privado: manutenção de ruas, transporte escolar, coleta de lixo, abrigos, treinamento, sistemas de informática. Mas a maioria das cidades trata compras e gestão de contratos como funções de apoio. Mesmo compras simples ficam presas em burocracia, contratos são renovados em cima da hora sem olhar o desempenho passado, e a gestão consiste em processar notas e aditivos, com pouca atenção à qualidade. Desde 2011, o GPL oferecia assistência gratuita a governos estaduais e locais, e, à época, apoiava 20 cidades em estratégias de contratação orientada a resultados.

O que o capítulo mostra

O primeiro movimento foi analisar os dados de contratos de Boston, Baltimore e Fort Worth, e entrevistar gestores de dezenas de cidades com duas perguntas: quais compras tiram seu sono e que estratégias inovadoras vocês criaram? Os números de Boston, em 2012, servem de exemplo. A cidade tinha cerca de 1.500 contratos ativos, no valor anual de US$ 1,2 bilhão, pouco menos de 50% de suas despesas. Os maiores grupos eram transporte escolar (dois contratos, US$ 616 milhões no total), coleta de lixo, plano de saúde dos servidores, materiais e serviços de construção e educação especial. Tecnologia somava 118 contratos e US$ 167 milhões; serviços humanos, 261 contratos e mais de US$ 226 milhões. Em Fort Worth, o contrato respondia por 49% da despesa, e Boston, Filadélfia e Nova York gastavam cerca de um terço dos contratos em serviços sociais.

A lista de dez desafios inclui: falta de gestão estratégica da carteira de compras prioritárias; otimização dos processos básicos; ampliação da diversidade de fornecedores; melhores resultados em contratos de serviços humanos; contratos rotineiros de obras e manutenção que estouram prazo e orçamento; negociação de grandes obras; falta de concorrência em contratos muito grandes; contratação de produtos de tecnologia novos; grandes sistemas de informática, com risco de dependência do fornecedor; e baixa competição em serviços profissionais. Os autores relatam que não encontraram nenhuma cidade que tivesse uma lista dos contratos mais importantes a renovar e a usasse para priorizar atenção.

A resposta proposta é a contratação orientada a resultados, que começa por nomear alguém na prefeitura para gerir a carteira de compras críticas, com uma lista de 15 a 20 contratações dos próximos dois a três anos e um processo específico para cada uma. O caminho inclui definir o propósito de cada compra, pesquisar o mercado (até com formulários online simples para ouvir fornecedores) e escolher a estrutura e o tipo de contrato.

Como aplicar no Brasil

  1. Monte o mapa do gasto contratado. Reúna, a partir do sistema de compras e da contabilidade, os contratos vigentes, valor, secretaria, objeto e data de vencimento. Agrupe em categorias, como transporte escolar, limpeza, saúde, obras, TI.
  2. Liste os dez maiores e os que vencem nos próximos 24 meses. O cruzamento mostra onde vale esforço extra.
  3. Escolha de 10 a 15 contratos críticos. A Lei 14.133/2021 permite, na forma de regulamento, elaborar plano de contratações anual para racionalizar as compras, alinhá-las ao planejamento estratégico e subsidiar as leis orçamentárias (art. 12, VII), e exige que a fase preparatória se compatibilize com ele (art. 18).
  4. Designe um responsável pela carteira. Alguém da alta administração, com acesso aos secretários, que convoque grupos de trabalho para cada contrato crítico. O art. 11, parágrafo único, coloca a governança das contratações sob responsabilidade da alta administração.
  5. Escreva o propósito de cada contrato. Que resultado a população deve perceber? Como saberemos?
  6. Consulte o mercado antes de redigir. Uma consulta curta aos fornecedores, registrada no processo, ajuda a ajustar o objeto e o parcelamento.

Cuidados e limites

O capítulo é de 2016, usa dados de 2012 e se baseia em cidades americanas de porte médio; os percentuais não valem para qualquer município brasileiro, e a lista de desafios é uma síntese do GPL a partir de entrevistas, não um estudo representativo. Comparações de gasto também dependem de como cada país classifica contratos e despesas. O texto menciona instrumentos como contratos de pagamento por resultado e títulos de impacto, que não têm tratamento simples no Brasil e exigem análise jurídica própria. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para estruturar o mapa e o plano, veja a assessoria em contratação pública, a regulamentação municipal da Lei 14.133 e o curso de fase interna da licitação.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. How Cities Can Improve Their Procurement of Goods & Services — Harvard Kennedy School Government Performance Lab (capítulo 4 de Retooling Metropolis, Manhattan Institute), 10/10/2016
  2. How Cities Can Improve Their Procurement of Goods and Services (PDF) — Harvard Kennedy School Government Performance Lab / Manhattan Institute, 10/10/2016
  3. Lei nº 14.133/2021 (arts. 11, 12 e 18) — Planalto, 01/04/2021
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