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Estratégia do oceano azul: criar serviços novos no setor público

Em resumo

A estratégia do oceano azul, de W. Chan Kim e Renée Mauborgne, propõe criar um espaço novo em vez de disputar o mesmo espaço de sempre. Para a prefeitura, a ideia é repensar o serviço do ponto de vista de quem não o usa hoje e eliminar o que não gera valor.

A estratégia do oceano azul parte de uma pergunta incômoda: em vez de tentar fazer melhor o que todos já fazem, e se criássemos algo diferente? A ideia nasceu no mundo das empresas, mas inspira a gestão pública quando o serviço está saturado, caro ou longe de quem mais precisa. Neste guia você vê a origem, os limites e como usar a lógica na prefeitura.

O que é a estratégia do oceano azul

O conceito foi desenvolvido por W. Chan Kim e Renée Mauborgne, professores do INSEAD, e apresentado no livro Blue Ocean Strategy, de 2005. As ideias surgiram de pesquisas e artigos anteriores publicados na Harvard Business Review. Segundo os próprios autores, a abordagem busca a diferenciação e o baixo custo ao mesmo tempo para abrir um espaço novo de mercado e criar nova demanda.

A metáfora é simples. No oceano vermelho estão os mercados conhecidos, onde todos competem pelos mesmos clientes e a disputa deixa a água "vermelha de sangue". No oceano azul está o espaço ainda não disputado. Duas ferramentas aparecem com frequência:

  • Tela estratégica: um gráfico que compara como o setor compete nos fatores que importam para o cliente.
  • Quatro ações: eliminar, reduzir, elevar e criar fatores, para redesenhar a oferta.

É preciso registrar as críticas. Estudiosos afirmam que a teoria descreve casos de sucesso depois que aconteceram, que os fracassos não são contabilizados e que parte das ideias se parece com trabalhos anteriores de outros autores. Use o modelo como estímulo à reflexão, não como garantia de resultado.

Por que inspira a gestão pública

Uma prefeitura não compete por mercado, mas muitos serviços sofrem do mesmo problema: fazem mais do mesmo, com custo crescente, sem alcançar quem mais precisa. O ponto mais útil do modelo é olhar para os não usuários. Quem não procura o serviço? Por que não procura? Às vezes, a barreira é o horário, o deslocamento, a burocracia ou a falta de informação, e não a ausência de vontade.

Também ajuda a decidir o que eliminar. Muitos serviços acumulam etapas, exigências de documentos e formulários que ninguém sabe por que existem. Perguntar o que pode sair, sem perder a segurança jurídica, libera tempo para o que importa. Vale lembrar que o setor público tem limites que o mercado não tem: a legalidade, a universalidade e o controle. A inovação precisa respeitá-los e ser testada em pequena escala antes de ser ampliada.

Como aplicar na prefeitura, passo a passo

  1. Escolha um serviço com problema persistente. Fila longa, baixa procura de quem precisa ou custo alto são bons sinais.
  2. Desenhe o que o serviço oferece hoje. Liste os fatores que o cidadão percebe: prazo, horário, canais, documentos, atendimento, local.
  3. Identifique os não usuários. Quem deveria usar e não usa? Converse com alguns deles e com quem atende no balcão.
  4. Aplique as quatro ações. O que eliminar? O que reduzir? O que elevar? O que criar?
  5. Verifique o que a lei permite. Consulte o jurídico e o controle interno sobre cada mudança, antes de testar.
  6. Teste um piloto pequeno. Escolha um bairro, uma unidade ou um período, com indicador de resultado definido.
  7. Decida com evidência. Se funcionou, amplie. Se não, ajuste e registre o aprendizado.

Modelo para preencher

Preencha a ficha em grupo. Adapte à legislação e à realidade do seu órgão.

Pergunta Resposta da equipe Evidência Risco jurídico ou operacional
Quem não usa o serviço e por quê?      
O que podemos eliminar?      
O que podemos reduzir?      
O que podemos elevar?      
O que podemos criar?      

Exemplo prático

Exemplo hipotético, para ilustrar. Uma prefeitura nota que pequenos produtores rurais quase não procuram o serviço municipal de orientação para formalização da atividade. A fila no balcão central é longa e o atendimento só ocorre em dias úteis, em horário comercial, na sede.

Ao ouvir alguns produtores, a equipe descobre que o deslocamento custa um dia de trabalho e que a lista de documentos é confusa. Aplica as quatro ações: elimina uma exigência de cópia que a prefeitura já pode consultar internamente; reduz o número de idas à sede; eleva a clareza da orientação com um roteiro de uma página; cria um atendimento itinerante, em um dia fixo por mês, nas comunidades. O piloto começa em duas comunidades, com um indicador simples: quantos produtores concluem o processo.

Erros comuns

  • Esperar milagres. O modelo não garante resultado. É um estímulo para pensar de forma diferente.
  • Esquecer a lei. Eliminar uma etapa exige confirmar se ela é obrigatória.
  • Ouvir só quem já usa. A novidade está em quem ainda não usa.
  • Escalar sem testar. Comece com um piloto e meça.
  • Confundir inovação com tecnologia. Muitas vezes, a ideia é um horário diferente ou um papel a menos.

Perguntas frequentes

Oceano azul serve para o setor público?

Serve como inspiração. O foco muda de ganhar de concorrentes para atender melhor quem hoje fica de fora, respeitando as normas.

O que são as quatro ações?

Eliminar, reduzir, elevar e criar. São perguntas que ajudam a redesenhar o serviço.

Precisa de muito dinheiro?

Não necessariamente. Eliminar etapas e reorganizar horários custa pouco. O piloto permite avaliar o custo antes de ampliar.

Qual a relação com design thinking?

Ambos partem do usuário. O design thinking aprofunda a escuta e a prototipação; o oceano azul ajuda a decidir o que eliminar e o que criar.

Fontes

  1. What is Blue Ocean Strategy — Blue Ocean Strategy (site dos autores), 11/10/2026
  2. Blue Ocean Strategy — Wikipedia, 11/10/2026
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