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Modelo ADKAR: gestão da mudança aplicada à prefeitura

Em resumo

O modelo ADKAR divide a mudança em cinco elementos: consciência, desejo, conhecimento, habilidade e reforço. Aplicado a uma prefeitura, permite diagnosticar em que ponto cada grupo de servidores travou, escolher a ação certa para cada etapa e acompanhar a adoção das rotinas redesenhadas.

O modelo ADKAR ajuda a prefeitura a responder uma pergunta prática de qualquer implantação: em que ponto cada grupo de servidores travou? Em vez de tratar a resistência como um bloco único, ele divide a mudança em cinco etapas que podem ser observadas. Assim, a ação se concentra onde a dificuldade realmente está.

O que é o modelo ADKAR e quais são os cinco elementos

ADKAR é uma sigla em inglês para cinco elementos. A página oficial do modelo, da Prosci, descreve o ADKAR como um modelo de mudança individual. A Prosci mantém uma metodologia de gestão da mudança baseada em pesquisa. Em português, os elementos são:

  • Consciência: entender por que a mudança é necessária;
  • Desejo: decidir participar e apoiar;
  • Conhecimento: saber como mudar e o que o sucesso exige;
  • Habilidade: pôr em prática as competências e os comportamentos exigidos;
  • Reforço: sustentar a rotina e evitar a volta ao hábito anterior.

Segundo a Prosci, os elementos são sequenciais, mas não lineares. Em mudanças iterativas, as necessidades podem variar no caminho, e a avaliação precisa continuar. A própria Prosci afirma que o ADKAR sozinho não é uma metodologia completa: patrocínio, comunicação e estrutura de portfólio vêm de outras partes do seu método.

Como diagnosticar onde cada grupo está

A lógica do diagnóstico é achar o primeiro elemento ainda não atendido, que a Prosci chama de ponto de barreira. Se o servidor não entende o motivo da mudança, treiná-lo na ferramenta é esforço fora de ordem.

Na prática, o diagnóstico cabe em conversas curtas por unidade e em um questionário de cinco perguntas, uma por elemento. Por exemplo: “Sei por que a rotina vai mudar?”, “Quero participar?”, “Sei o que fazer?”, “Consigo fazer na prática?” e “Tenho apoio para não voltar ao modo anterior?”. As respostas indicam onde agir primeiro, unidade por unidade.

Ações para cada elemento

Elemento Sinal de que falta Ação típica
Consciência “Sempre foi assim”; dúvida sobre o motivo Explicar o problema que a mudança resolve, com dados do próprio órgão
Desejo Adesão apenas formal; objeções não ditas Ouvir objeções, mostrar o que muda no dia a dia de cada função e envolver quem executa
Conhecimento Perguntas sobre “como faço” Treinamento curto, manual e checklist da rotina
Habilidade Erros repetidos na prática Acompanhamento no posto de trabalho, com correção imediata
Reforço Retorno ao método anterior Observar, reconhecer o uso correto e ajustar o que atrapalha

Exemplo em uma implantação de sistema

Imagine, de forma hipotética, um sistema de protocolo que substitui o registro em planilhas. Em uma secretaria, os servidores conhecem a ferramenta, mas não veem razão para trocá-la: o gargalo está na consciência.

Em outra, todos entendem o motivo, mas ninguém sabe cadastrar um processo com anexos: o gargalo está no conhecimento. Uma mesma implantação exige, portanto, ações diferentes por grupo, e treinar todos da mesma forma desperdiça tempo.

Um terceiro grupo domina a ferramenta, mas volta à planilha quando a demanda aperta: o gargalo está no reforço. Nesse caso, a ação é acompanhar o uso, resolver o que torna o sistema lento ou confuso e reconhecer quem o adota de forma correta.

O papel das chefias e a medição da adoção

Em outro texto, a Prosci indica que os gestores de pessoas são os principais responsáveis pelo desempenho individual na mudança. Segundo o artigo sobre métricas de gestão da mudança, a adoção pode ser acompanhada por três fatores. São eles a velocidade de adoção, a utilização final (quantos usam) e a proficiência (quão bem usam).

Em um município, isso se traduz em perguntas simples: quantos servidores já usam a rotina redesenhada, em quanto tempo chegaram a esse ponto e com que qualidade? Os números dão base para decidir se falta treinamento, apoio ou esclarecimento.

Chefias que conhecem os cinco elementos conversam com a equipe sem improviso. Em vez de cobrar “adesão”, perguntam em que etapa a pessoa está e o que falta para avançar. Isso reduz o atrito e deixa registro do que foi tentado.

Como aplicar no seu município

  1. Liste os grupos afetados pela mudança, por unidade e por função.
  2. Aplique as cinco perguntas do diagnóstico, de forma anônima quando possível.
  3. Identifique o primeiro elemento com resposta fraca em cada grupo.
  4. Planeje a ação daquele elemento antes de passar ao seguinte.
  5. Repita o diagnóstico em intervalos definidos e registre a evolução.

Há limites. O ADKAR é um modelo de uma organização privada e as páginas consultadas não apresentam estudos sobre sua aplicação em prefeituras; trate-o como roteiro de organização, não como garantia. Também vale lembrar que o princípio da eficiência integra o art. 37 da Constituição, na redação da Emenda Constitucional 19/1998, e orienta a administração pública de todos os Poderes e entes, inclusive os municípios.

Fontes

  1. Prosci ADKAR Model — Prosci
  2. Metrics for Measuring Change Management — Prosci
  3. Emenda Constitucional nº 19 (redação do art. 37 da Constituição) — Planalto
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