Contato

Programa da prefeitura tocado por parceiros: o caso de Lansing

Em resumo

A cidade de Lansing, em Michigan (EUA), lançou um programa de poupança para estudantes pensando em passá-lo a parceiros, mas a equipe municipal acabou operando tudo. Com apoio do Government Performance Lab, da Harvard Kennedy School, a cidade lançou um edital orientado a resultados e transferiu a gestão a duas entidades comunitárias. A lição vale para programas municipais que nascem na prefeitura.

Muitos programas municipais nascem dentro da prefeitura com a intenção de, depois, passar a gestão a um parceiro. Na prática, a equipe segue operando o dia a dia por falta de transição. O Government Performance Lab (GPL), da Harvard Kennedy School (HKS), descreveu em 2021 um caso desse tipo, na cidade de Lansing, no estado americano de Michigan: o programa Lansing SAVE, de poupança para a faculdade de estudantes da rede pública.

A ideia em resumo

A cidade queria dar aos alunos do distrito escolar uma chance de mobilidade econômica. O resumo do GPL diz que cerca de 75% dos estudantes são crianças não brancas e que mais de 40% vivem em pobreza infantil. A prefeitura cita pesquisa segundo a qual jovens de renda baixa ou moderada com uma pequena conta de poupança para a faculdade, mesmo de US$ 5, teriam cerca de três vezes mais chance de ingressar no ensino superior e quatro vezes mais de concluí-lo. O plano era lançar o programa e se afastar; mas a equipe municipal acabou o administrando no dia a dia, consumindo tempo e recursos.

O que o material mostrou

Com apoio do GPL, a cidade fez três movimentos: retirou o programa da administração municipal e o passou a parceiros comunitários; abriu uma concorrência orientada a resultados, em que as propostas foram pontuadas pelos componentes mais importantes para o desempenho; e escolheu mais de um parceiro, duas entidades, em vez de uma.

O resultado informado é um aumento de 239% no valor arrecadado no primeiro ano fiscal do novo contrato, em comparação com o ano anterior. Segundo o GPL, também nasceu um modelo de colaboração que aproveita as forças das organizações comunitárias, e o edital virou modelo para outras compras da cidade. A página não traz valores absolutos nem resultados para estudantes, como abertura de contas ou ingresso na faculdade, e não detalha os critérios de pontuação.

Vale notar o que o caso não afirma: a mudança de gestão não é apresentada como solução mágica. O que o texto mostra é um desenho de transição, com edital pontuado por componentes relevantes e a cidade fora da operação diária, que pode ser reaproveitado. Para o gestor brasileiro, a pergunta útil é se o programa depende mais do núcleo da prefeitura ou de capacidades que uma entidade comunitária tem de sobra, como proximidade com as famílias e capacidade de captar apoio.

Como aplicar no Brasil

  • Liste programas que a prefeitura opera mas poderia dividir com parceiros. Campanhas, bolsas, ações de leitura, esporte e cultura são candidatas; o critério é a equipe estar presa à rotina e não à gestão.
  • Defina o que é essencial para o resultado. Se o ponto crítico é captar famílias, captar recursos ou acompanhar alunos, esses componentes devem pesar na seleção.
  • Use o chamamento público. A Lei 13.019/2014 exige chamamento para termos de colaboração e de fomento, salvo exceções (art. 24), e prevê que o grau de adequação da proposta aos objetivos do programa é critério obrigatório de julgamento (art. 27). Seus critérios devem constar do edital.
  • Considere mais de uma parceira quando as tarefas forem diferentes, como captação e acompanhamento, desde que o edital e o plano de trabalho definam cada papel.
  • Combine o papel da prefeitura. Ela deixa a operação e passa a supervisionar: define metas, recebe relatórios, faz reuniões periódicas e fiscaliza a execução. Na Lei 13.019, o monitoramento e a avaliação da parceria cabem à administração (art. 58).
  • Guarde o edital como modelo e reaproveite as seções que funcionaram.

Programas com dinheiro de famílias, como contas de poupança, exigem cuidado jurídico específico (quem guarda, quem rende); consulte a procuradoria antes de qualquer desenho semelhante.

Cuidados e limites

Este é um resumo de caso escrito pelo GPL, que participou do trabalho, com um único indicador, o de captação, medido no primeiro ano. Falta o ponto de partida em valores, e o dado de pesquisa citado vem de fonte externa que não foi revisada aqui. Também não se sabe quem eram as organizações nem como dividiram as tarefas. Tratar a mudança como um ganho garantido seria exagero. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Advancing Economic Mobility for Students in Lansing, MI — Harvard Kennedy School, Government Performance Lab, 01/06/2021
  2. Lei nº 13.019/2014 (MROSC), arts. 24 e 27 — Planalto, 31/07/2014
Fale no WhatsApp