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Sete alicerces para a equipe resolver problemas públicos

Em resumo

Dois working papers de Matt Andrews e Salimah Samji, da Harvard Kennedy School, propõem sete alicerces que tornam uma equipe pública capaz de enfrentar problemas novos: saber o quê, saber como, motivação, autorização, navegação institucional, mobilização de recursos e uso estratégico do tempo. A lista funciona como roteiro de diagnóstico para gestores.

Quando um programa não sai do papel, a explicação usual é “falta capacitação”. Matt Andrews e Salimah Samji, da Harvard Kennedy School (HKS), argumentam que a pergunta é mais ampla: o que torna uma equipe capaz de agir diante de um problema que ela nunca viu? Em dois working papers de 2026, “Making Problem-Driven Governance Possible” (maio) e “Development as Capability Building” (junho), eles apresentam sete alicerces dessa capacidade estatal. A análise a seguir se baseia nos resumos das duas publicações, não nos textos completos.

A ideia em resumo

Os autores definem capacidade como a habilidade, com poder para agir, de converter a capacidade instalada em desempenho. Distinguem a capacidade ordinária, que sustenta a execução confiável de tarefas conhecidas, da capacidade adaptativa, necessária para diagnosticar problemas desconhecidos, aprender, experimentar e criar novas formas de trabalhar. O segundo paper sustenta que o desenvolvimento depende especialmente de fortalecer os alicerces da capacidade adaptativa, de onde surgem novas instituições e rotinas.

O que os resumos mostram

No primeiro paper, os autores partem de uma literatura que identifica três capacidades centrais para a governança orientada a problemas (reflexiva, colaborativa e analítica de dados) e perguntam o que as torna possíveis. Analisam uma intervenção dentro das reformas de gestão financeira pública de Moçambique, com rastreamento de processo, para ver como surgiram comportamentos orientados a problemas. Chegam a sete alicerces, organizados em três grupos:

  • Conhecimento acionável no contexto: saber o que (diagnóstico do problema e da situação) e saber como (as habilidades para agir).
  • Mobilização e empoderamento das pessoas: motivação intrínseca e autorização para mudar.
  • Habilidade de navegar nos sistemas: navegação institucional, remobilização de recursos e uso estratégico do tempo e da oportunidade.

Para os autores, a capacidade de governar por problemas é uma combinação multiplicativa desses alicerces: se um deles é muito baixo, o conjunto fica comprometido. O segundo paper acrescenta que esses alicerces se fortalecem melhor com aprendizagem prática, em torno de problemas reais, do que só com treinamento ou assistência técnica, e que as intervenções devem ser julgadas também pela capacidade que deixam, não só pela solução entregue. Como evidência, o texto traz reflexões de participantes de programas de PDIA (adaptação iterativa orientada a problemas).

Como aplicar no Brasil

A lista pode virar um roteiro de diagnóstico para uma equipe que trava em um problema, como a fila de uma política, a prestação de contas de convênios ou um projeto parado. Para cada alicerce, pergunte o que falta.

  • Saber o quê: a equipe tem um diagnóstico do problema, com dados do próprio município, ou só uma solução pronta de fora?
  • Saber como: alguém sabe fazer a tarefa nova, como mapear processos, analisar dados ou conduzir uma audiência? Se não, a capacitação precisa ser prática, com o problema real.
  • Motivação: as pessoas veem sentido no problema? O servidor que conhece o balcão e a rotina costuma ter razões de sobra, desde que seja ouvido.
  • Autorização: existe mandato claro, em portaria ou decreto, para testar mudanças, com limites? Equipes sem autorização esperam ordens ou descobrem a barreira só no fim.
  • Navegação institucional: quem precisa assinar, opinar ou aprovar (jurídico, controle interno, finanças, Câmara)? Mapeie o caminho antes e envolva essas áreas cedo.
  • Recursos: o que dá para fazer com o que existe, e onde há dinheiro disponível: emenda, convênio, remanejamento, consórcio?
  • Tempo e oportunidade: quais janelas existem, como o calendário do PPA, da LDO e da LOA, o início do ano letivo, o período de convênios, e quais jogam contra.

Pontue cada item de 1 a 5 com a equipe, localize os mais baixos e trabalhe em ciclos curtos de 30 a 60 dias, com uma entrega pequena por ciclo e revisão. Os autores defendem que o aprendizado vem de resolver o problema, não de uma capacitação separada.

Cuidados e limites

As informações vêm de dois resumos, sem acesso ao método completo, às evidências ou às limitações discutidas no texto. O primeiro paper analisa um único caso (Moçambique), e o segundo usa reflexões de participantes de programas de PDIA, que são relatos e não medições independentes. Os “sete alicerces” são uma proposta teórica dos autores, não uma lista validada por testes comparativos. A pontuação sugerida acima é uma adaptação da Evoluta, não um instrumento dos autores. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Making Problem-Driven Governance Possible: The Foundations of Problem-Driven Capability — Harvard Kennedy School, BSC Working Paper Series (Matthew Andrews e Salimah Samji), 01/05/2026
  2. Development as Capability Building: Foundation for Problem-Driven Change — Harvard Kennedy School, BSC Working Paper Series (Matthew Andrews e Salimah Samji), 01/06/2026
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