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Transição de governo municipal: o que prefeitos eleitos subestimam, segundo estudo com 15 prefeitos

Em resumo

Um estudo de Matthew Lee, Quinton Mayne e Jorrit de Jong, divulgado pela Harvard Kennedy School, acompanhou 15 prefeitos recém-eleitos nos EUA e comparou o tempo previsto com o tempo real nos primeiros 100 dias. Eles subestimaram o trabalho de curto prazo na prefeitura e superestimaram o tempo para estratégia e rua. A Evoluta tira daí lições para a transição de governo no Brasil.

Os primeiros meses de um prefeito definem boa parte do mandato, mas quase ninguém estuda como o tempo é realmente gasto nesse período. Três pesquisadores, Matthew Lee, Quinton Mayne e Jorrit de Jong, fizeram essa pergunta em artigo divulgado pela Harvard Kennedy School (HKS), An Exploratory Study of Mayoral Transition Work, artigo publicado na Public Administration Review em agosto de 2025. Para quem se prepara para uma transição de governo municipal, os achados dão um mapa de armadilhas.

A ideia em resumo

Segundo o resumo do artigo, a fase de transição é considerada importante para o sucesso de um novo prefeito, mas recebeu pouca atenção da pesquisa. Os autores fizeram um estudo exploratório de métodos mistos com 15 prefeitos recém-eleitos dos Estados Unidos, combinando uma pesquisa sobre uso do tempo com duas rodadas de entrevistas.

O que a pesquisa mostrou

Há três achados centrais.

  • A rotina varia muito. As atividades dos prefeitos diferem bastante e se associam a características da cidade e da pessoa eleita. Não existe uma agenda padrão de transição.
  • Há subestimação de certas demandas. Comparando o tempo real com as previsões feitas antes da posse, os eleitos subestimaram a demanda por trabalho de política pública de curto prazo e pela presença física na prefeitura nos primeiros 100 dias.
  • Há superestimação de outras. Eles esperavam dedicar mais tempo do que dedicaram ao trabalho estratégico e à presença na comunidade.

A partir das entrevistas, os autores propõem enxergar a transição como um investimento estratégico em recursos pessoais, relacionais e organizacionais. Em outras palavras, o trabalho do início não é só “tomar decisões”: é montar equipe, construir relações e preparar a organização para governar.

Como aplicar no Brasil

O estudo é americano, mas o desafio é universal e vale para prefeitos, governadores e presidentes de câmara que assumem. Um roteiro a partir dele:

  1. Planeje a agenda real, não a ideal. Antes da posse, reserve na agenda blocos para decisões imediatas (nomeações, contratos vencendo, demandas urgentes, orçamento) e para ficar na sede. Não suponha que haverá tempo livre para estratégia: bloqueie-o com antecedência.
  2. Proteja a estratégia. Como a tendência é prever mais tempo estratégico do que se tem, defina poucas prioridades de governo e marque reuniões fixas e recorrentes para elas. O PPA, a LDO e a LOA são os instrumentos que traduzem isso em orçamento; a Constituição (art. 165) atribui ao Poder Executivo a iniciativa dessas leis, e os prazos de envio estão na Lei Orgânica e na legislação de cada município.
  3. Faça um diagnóstico da casa. Levante contratos em andamento, obras paradas, pendências de prestação de contas, situação de pessoal e dívidas. Peça à equipe de transição e aos técnicos de carreira um relatório curto com prazos.
  4. Invista em relações. Mapeie vereadores, secretários, servidores-chave, conselhos, entidades e outras esferas de governo, e marque as primeiras conversas, com pauta definida.
  5. Defina uma rotina de presença. Estar na comunidade importa, mas o estudo sugere que a prefeitura exige mais presença do que se espera. Combine agenda de rua com horários fixos de despacho.
  6. Use a transição para aprender, não só para decidir. Registre ao fim de cada semana o que consumiu tempo e ajuste a agenda.
  7. Cuide da equipe. Nomeações para cargos de confiança precisam respeitar a lei e a estrutura do órgão; a transição é a hora de checar se a estrutura comporta o plano de governo.

Cuidados e limites

É um estudo exploratório com 15 prefeitos dos EUA, sem pretensão de representar todos os governos locais; a página traz o resumo, e o texto completo não foi lido na elaboração desta matéria. As recomendações acima são adaptações próprias da Evoluta a partir dos achados, e não conclusões dos autores. O regime brasileiro de transição, com nomeação de equipe, regras eleitorais, prazos orçamentários e calendários de prestação de contas, tem especificidades que cada município deve checar com sua assessoria jurídica. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

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Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. An Exploratory Study of Mayoral Transition Work — Harvard Kennedy School (Public Administration Review; Matthew Lee, Quinton Mayne e Jorrit de Jong), 06/08/2025
  2. Constituição Federal, art. 165 — Planalto, 05/10/1988
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