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Consulta ao mercado antes do edital: o método do GPL de Harvard

Em resumo

O Government Performance Lab, da Harvard Kennedy School, defende que governos ouçam fornecedores, especialistas e a comunidade antes de lançar uma licitação, usando pedidos de informação bem desenhados. Evita-se reaproveitar o edital do ano passado e atraem-se propostas melhores. A Lei 14.133/2021 já prevê levantamento de mercado e audiência pública.

Uma consulta ao mercado bem feita antes do edital costuma render propostas melhores do que qualquer cláusula nova. O Government Performance Lab (GPL), da Harvard Kennedy School (HKS), tem dois materiais sobre isso. O mais recente é o guia How to Write a Request for Information (RFI) that Vendors Want to Respond to, de 18 de janeiro de 2025, escrito por Colin Erhardt. O mais antigo é Twelve Strategies for Gathering Constructive Input to Improve Your RFP, de 12 de agosto de 2019.

A ideia em resumo

O GPL usa o termo RFI (request for information, pedido de informação) para o instrumento pelo qual um governo reúne ideias de fornecedores, especialistas e comunidade sem favorecer ninguém. O guia afirma que um pedido mal desenhado gera respostas que não servem para decidir e ainda pode levar fornecedores a confundi-lo com uma oportunidade de licitação. Já com desenho cuidadoso, comunicação clara e análise das respostas, o governo obtém informação útil. O guia define três objetivos: usar o RFI como pesquisa de mercado padrão antes de licitações selecionadas; desenhar e emitir o pedido de forma eficiente e acessível, estimulando a participação sem violar as regras de compras; e seguir boas práticas para atender às necessidades do governo.

O texto de 2019 parte de um diagnóstico: muitas compras públicas não atraem propostas inovadoras nem fornecedores novos, o que pode elevar custos e produzir resultados decepcionantes. Segundo o GPL, “Government agencies often reuse procurement documents year after year” sem considerar mudanças de prioridades, de mercado e de soluções disponíveis. O guia de 2019 reúne doze estratégias para coletar contribuições internas e externas, cada uma com um exemplo de governo.

O que as publicações mostram

As duas páginas funcionam como apresentações: o conteúdo completo, com as doze estratégias e os passos do RFI, está em arquivos PDF que acompanham cada texto e que não foram analisados nesta leitura. Também não há dados de resultado nem exemplos descritos nas páginas. O que se sabe é o princípio: ouvir antes, de forma estruturada, para que a licitação reflita o que o mercado e quem usa o serviço já aprenderam. O laboratório relaciona o tema a outros materiais, como o manual de editais orientados a resultados, o que mostra que a consulta é uma etapa de um método maior.

Como aplicar no Brasil

A Lei 14.133/2021 já oferece o caminho. O art. 18, § 1º, inciso V, manda que o estudo técnico preliminar contenha o levantamento de mercado, ou seja, a análise das alternativas possíveis e a justificativa técnica e econômica da solução escolhida. E o art. 21 permite convocar audiência pública, com antecedência mínima de oito dias úteis, com disponibilização prévia de informações, inclusive do estudo técnico preliminar e de elementos do edital, e também submeter a licitação a consulta pública prévia. Um roteiro:

  1. Escolha as contratações em que a consulta compensa: as de maior valor, as que se repetem todo ano sem melhora e as de objeto novo ou tecnológico.
  2. Diga o problema, não a solução. Explique a necessidade e o resultado esperado, e pergunte ao mercado como atenderia, com que custos, prazos e riscos.
  3. Deixe claro que não é licitação. No texto da consulta, informe que a participação não gera direito de contratar, para evitar a confusão que o GPL descreve.
  4. Pergunte de forma específica e curta. Poucas perguntas, em formulário simples, com prazo razoável de resposta, e abertas a pequenas empresas e fornecedores locais.
  5. Ouça também quem usa o serviço e quem fiscaliza. Fiscais, escolas, unidades de saúde e usuários sabem onde o contrato anterior falhou.
  6. Registre e devolva. Documente as contribuições no estudo técnico preliminar, justifique o que foi acolhido e o que não foi, e, quando fizer sentido, publique o resumo.
  7. Mantenha a isonomia. Todos os interessados recebem as mesmas informações, e contatos individuais com fornecedores devem ser registrados.

Cuidados e limites

Consulta ao mercado não pode virar direcionamento: o risco de um fornecedor moldar o edital em benefício próprio é real, e por isso o processo deve ser aberto, registrado e com participação de mais de um interessado. As páginas do GPL são introduções curtas, sem avaliação de resultados, e tratam do contexto americano de compras. As regras de dispensa, sigilo de orçamento e pesquisa de preços têm normas próprias no Brasil, e a procuradoria deve acompanhar o desenho. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Para planejar contratações com consulta ao mercado, veja a assessoria à contratação pública e os cursos de estudo técnico preliminar e termo de referência e de fase interna da licitação.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. How to Write a Request for Information (RFI) that Vendors Want to Respond to (Colin Erhardt) — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 18/01/2025
  2. Results-Driven Contracting: Twelve Strategies for Gathering Constructive Input to Improve Your RFP — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 12/08/2019
  3. Lei nº 14.133/2021 (arts. 18 e 21) — Planalto, 01/04/2021
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