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Dez perguntas antes de escrever o termo de referência ou o edital

Em resumo

O Government Performance Lab, da Harvard Kennedy School, publicou uma planilha de dez perguntas que a equipe deve responder antes de redigir uma licitação: problema, metas, público, indicadores, gestão do contrato, escopo, inovação, incentivos, riscos e critérios de julgamento. Serve como roteiro para o estudo técnico preliminar e o termo de referência.

A maior parte dos problemas de uma licitação nasce antes de a primeira linha do edital ser escrita. O Government Performance Lab (GPL), da Harvard Kennedy School (HKS), reuniu esse princípio em uma ferramenta prática: a planilha para começar um pedido de propostas (RFP), publicada em setembro de 2025. É um roteiro de dez perguntas para a equipe responder em conjunto, antes de redigir. Para quem trabalha com termo de referência e estudo técnico preliminar, o paralelo é direto.

A ideia em resumo

A planilha foi pensada para acelerar o debate interno. A instrução é que o grupo que vai redigir o documento tente responder cada pergunta antes de escrever e registre onde não tem resposta, porque ali será preciso buscar mais informação. O material faz parte de um conjunto maior sobre o início da solicitação, que inclui um formulário de entrada das demandas e um roteiro de reuniões de abertura com as áreas. Também se apoia no guia do GPL para redigir um edital orientado a resultados.

O que a ferramenta traz

O arquivo lista dez temas, cada um com uma pergunta-guia e um espaço para respostas e pendências:

  1. Problema: que problema a compra quer ajudar a resolver e como já se tentou resolvê-lo.
  2. Metas: que resultado o órgão quer melhorar e qual a distância entre o ponto atual e o desejado.
  3. Público: quem é o usuário do produto ou serviço e quais são suas necessidades.
  4. Indicadores: como medir, com dados, se houve avanço em relação à meta.
  5. Gestão do contrato: que atividades garantem supervisão suficiente, incluindo relatórios de andamento, frequência de reuniões e coleta de dados.
  6. Escopo obrigatório: o que o fornecedor precisa fazer para entregar o resultado, cumprir a lei ou alinhar-se às prioridades do governo.
  7. Inovação: onde o escopo pode dar liberdade para soluções novas e quais exigências podem ser afrouxadas ou eliminadas.
  8. Incentivos: que estrutura de pagamento e de prazo alinha o interesse do fornecedor ao desempenho com custo adequado, e se parte do pagamento pode ser ligada a resultados.
  9. Desafios e riscos: o que mais preocupa a equipe na contratação e como mitigar.
  10. Critérios de pontuação: quais prioridades devem entrar na avaliação e que perguntas da proposta as capturam melhor.

A ferramenta não traz modelos de resposta nem exemplos. O valor está na ordem: problema, meta e público vêm antes de escopo e pontuação.

Como aplicar no Brasil

As dez perguntas conversam com a fase preparatória da Lei 14.133/2021. O art. 18 manda que o planejamento aborde considerações técnicas, mercadológicas e de gestão e inclui, entre os elementos, a descrição da necessidade em estudo técnico preliminar, a definição do objeto por termo de referência ou projeto, as condições de execução e pagamento e a motivação das condições do edital. Um caminho prático:

  1. Use a planilha como pauta da reunião de abertura. Antes de o setor demandante enviar o pedido, reúna demandante, compras, jurídico e controle interno por uma hora e percorra as dez perguntas.
  2. Transforme as respostas em rascunho do ETP. Problema, metas e público alimentam a descrição da necessidade; riscos alimentam a análise de riscos.
  3. Defina indicadores antes do objeto. Escreva como o órgão saberá, no mês seguinte à assinatura, se a contratação está funcionando.
  4. Revise o escopo com a pergunta de inovação. Para cada exigência, pergunte se ela é obrigatória por lei, necessária ao resultado ou apenas herança de editais anteriores. O art. 144 admite remuneração variável vinculada a metas, padrões de qualidade e prazos, desde que definida no edital e no contrato, motivada e dentro do limite orçamentário.
  5. Registre as lacunas. Perguntas sem resposta viram tarefas com responsável e prazo, como pesquisa de mercado, consulta ao usuário ou análise do contrato anterior.
  6. Padronize. Para objetos recorrentes, a lei prevê minutas padronizadas de edital e de contrato sempre que o objeto permitir (art. 25, §1º). A planilha pode ser anexada ao processo como memória do planejamento.

Cuidados e limites

A planilha é um instrumento de brainstorming, sem validação de resultados nesta página, e foi concebida para o contexto de governos estaduais e locais dos Estados Unidos. No Brasil, o que tem força é o processo administrativo: o ETP, o termo de referência, a pesquisa de preços e o parecer jurídico seguem as exigências legais e regulamentares do ente. Tampouco serve para toda compra; para itens simples, cujo único fator de decisão é o preço, dez perguntas podem ser excessivas. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Worksheet for Getting Started on a Request for Proposals (RFP) — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 15/09/2025
  2. Worksheet for Getting Started on an RFP (PDF) — Harvard Kennedy School Government Performance Lab, 15/09/2025
  3. Lei nº 14.133/2021 (arts. 18, 25 e 144) — Planalto, 01/04/2021
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