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Formação conjunta de dirigentes: o caso do serviço civil de Cayman

Em resumo

O governo das Ilhas Cayman desenhou, junto com a Harvard Kennedy School, um programa de três dias de formação para todos os dirigentes máximos de ministérios, num momento de transição. O relato institucional destaca a escolha do momento, o desenho sob medida e o compromisso de acompanhar a aplicação. Dá pistas para formar equipes de secretários.

Treinar um dirigente de cada vez é uma coisa; formar a equipe de liderança inteira ao mesmo tempo é outra. O governo das Ilhas Cayman, território britânico no Caribe, fez a segunda escolha. A Harvard Kennedy School (HKS) contou a história em um texto de Susan A. Hughes, de 28 de julho de 2026. Vale uma ressalva: é um relato institucional da própria escola, com depoimentos favoráveis e sem medição formal de resultados. Ainda assim, a formação de dirigentes públicos descrita traz decisões de desenho úteis.

A ideia em resumo

O governo de Cayman queria um serviço civil “de classe mundial” e tinha, desde 2018, uma primeira estratégia comum a todos os ministérios. Seu Colégio do Serviço Civil identificou a necessidade de um programa sob medida que unisse perspectivas globais e realidade local. Depois de meses de pesquisa e consulta a escolas de negócios e de políticas públicas, escolheu a área de educação executiva da HKS. O então vice-governador, que se aproximava da aposentadoria, queria oferecer o programa como um presente aos dirigentes máximos, para facilitar a transição de liderança.

O que o relato mostra

Para dar escala: no plano estratégico HKS 2036, a escola informa alcançar cerca de 5 mil pessoas por ano com educação executiva, contra cerca de mil alunos por ano em seus programas de titulação.

Desenho conjunto. A equipe da HKS trabalhou com a equipe do Colégio do Serviço Civil de Cayman e refinou o currículo ao longo de nove meses. A proposta ficou em três sessões de um dia: liderar em meio a complexidade e mudança; mudar por meio de poder, influência e resiliência; e construir equipes eficazes.

Todos juntos. Mais de 25 dirigentes foram convidados, e o grupo inteiro participou, de modo que todos os ministérios estavam representados. O programa ocorreu em março, em um período de eleições recentes, trocas de ministros e preparação da aposentadoria do vice-governador.

Conteúdo e método. O texto cita um estudo de caso sobre os desafios enfrentados por uma ex-primeira-ministra, sessões sobre liderança autêntica e um modelo de coaching de papéis, pesquisa sobre mulheres na liderança, exercícios de sobrevivência em grupo e dinâmicas de equipe, com pequenas conversas informais frequentes.

Resultados relatados. Os participantes descreveram o programa como algo que uniu a equipe e reduziu o isolamento. O texto não apresenta notas, taxas de conclusão ou outras medições. O compromisso anunciado foi de nova reunião do grupo, responsabilidade pessoal de cada dirigente em aplicar o que aprendeu e reflexão coletiva sobre os resultados. A nova vice-governadora, que na época do programa ainda não tinha sido indicada para o cargo, disse que as ferramentas a ajudariam a mapear mudanças e reunir contribuições de dirigentes, de servidores e da comunidade.

Como aplicar no Brasil

  • Aproveite a transição. Troca de secretários, início de mandato ou reforma administrativa são bons momentos para formar a equipe de liderança como grupo, e não só cada pessoa.
  • Convide todos os dirigentes de uma vez. Prefeito, secretários, procurador, controlador e dirigentes de autarquias e da câmara, quando couber. O ganho relatado foi a união e a redução do isolamento.
  • Construa o programa com o órgão. Em vez de comprar um pacote, defina com a escola de governo, o setor de pessoal ou a consultoria quais dilemas reais da gestão serão tratados, com casos locais.
  • Prefira formato curto e prático: três encontros de um dia, com casos, exercícios e tempo para conversas, em vez de uma semana de palestras.
  • Combine o compromisso de acompanhamento: data de reencontro, responsabilidade pessoal de aplicar uma mudança concreta e um relato do que mudou.
  • Cuide da contratação e do registro. Se a formação for contratada, faça pesquisa de preços, justificativa da escolha, definição de produtos e controle de frequência. A Lei 14.133/2021 admite inexigibilidade para treinamento e aperfeiçoamento de pessoal com profissional ou empresa de notória especialização (art. 74, III, f), o que exige demonstrar essa especialização; consulte a procuradoria sobre o enquadramento.

Cuidados e limites

O relato vem da própria instituição que prestou o serviço, e traz opiniões de participantes, não avaliação independente. O contexto também é particular: um território pequeno, com uma estratégia de serviço civil unificada e um líder que conduziu o processo. Em municípios brasileiros, restrições orçamentárias e o calendário eleitoral e de prestação de contas pesam mais. Um programa de três dias não substitui acompanhamento ao longo do mandato. Este texto é uma leitura própria da Evoluta, feita por profissionais com formação pela Harvard Kennedy School, sem vínculo da empresa com a HKS, e não trata de nenhum programa de terceiros como indicação.

Conteúdo independente da Evoluta, inspirado em publicações da Harvard Kennedy School of Government, a escola de governo da Universidade Harvard que inspira a Escola de Governo da Evoluta. Publicação original indicada nas fontes; a Evoluta não tem vínculo institucional com a Universidade Harvard.

Fontes

  1. Building a world-class civil service: How the Cayman Islands invested in leadership — Harvard Kennedy School (Susan A. Hughes), 28/07/2026
  2. Leadership for a New Era: HKS 2036 (plano estratégico, PDF) — Harvard Kennedy School, 28/07/2026
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