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Liderança feminina no governo: o que dizem os dados da OCDE

Em resumo

Os dados da OCDE mostram mulheres perto da paridade na média gerência dos governos centrais, mas com defasagem no topo. No Brasil, 734 mulheres foram eleitas prefeitas em 2024, 13,2% do total.

A liderança feminina no governo avançou, mas ainda para antes de chegar ao topo. Dados recentes da OCDE e das eleições municipais brasileiras de 2024 mostram esse padrão: mulheres são maioria entre servidores profissionais, chegam perto da paridade na média gerência e ainda são minoria nos cargos mais altos e nas prefeituras.

No capítulo sobre paridade de gênero em administrações centrais do Government at a Glance 2025, a OCDE aponta que as mulheres ocupam em média 50,3% dos cargos de média gerência dos países-membros, e que nos cargos de alta gerência a participação fica 9,2 pontos percentuais abaixo da média gerência. A organização atribui a defasagem a estereótipos de gênero, dificuldades de conciliação entre trabalho e vida pessoal e assédio no ambiente de trabalho. Na alta gerência, as mulheres ocupam em média 41,1% dos cargos, 16,6 pontos percentuais abaixo da sua participação no total dos servidores dos governos centrais.

Em nove países as mulheres já são maioria nos cargos de alta gerência. O capítulo destaca Letônia (58%), Grécia (57,8%) e Suécia (57,1%) como os maiores percentuais. Entre os servidores sem função gerencial, a presença feminina é ainda maior: 57,6% em cargos profissionais e 62,2% em funções de apoio administrativo.

E nas prefeituras brasileiras?

Segundo levantamento do Poder360, publicado em 30 de outubro de 2024 com resultados até 27 de outubro, 734 mulheres foram eleitas prefeitas nas eleições municipais de 2024, o equivalente a 13,2% do total, contra 4.835 homens. Em 2020, o percentual havia sido de 12,1%, um aumento de 1,1 ponto percentual. É progresso, ainda distante do equilíbrio.

Esses dados não dizem, por si só, quais políticas funcionam. As fontes consultadas mostram a dimensão do problema e os fatores apontados pela OCDE, e não avaliações de programas específicos. Convém lembrar também que a OCDE trata de governos centrais; a realidade de prefeituras brasileiras tem suas próprias particularidades e carece de dados sistemáticos.

Por que olhar para os cargos de chefia

A presença de mulheres em cargos de comando importa por dois motivos práticos. O primeiro é a justiça no acesso: quando a carreira é aberta, o talento disponível é melhor aproveitado. O segundo é a qualidade da decisão, pois equipes diversas tendem a enxergar mais pontos cegos de um problema. A defasagem entre a média gerência e a alta gerência, apontada pela OCDE, sugere que o gargalo está na passagem de um nível para o outro.

Por isso a ação mais eficaz costuma ser olhar para as funções de confiança e os cargos em comissão, que são de livre escolha do gestor, e para os critérios de promoção nas carreiras. Aí há margem real de decisão da prefeitura, sem depender de mudança legislativa, e o efeito é rápido e visível.

Como aplicar no seu município/órgão

  • Conheça seus números. Levante, por sexo, a distribuição de servidores por nível, cargo em comissão e função de confiança. Sem diagnóstico não há meta.
  • Revise critérios de escolha de chefias. Defina perfil e competências por escrito para cada função de confiança e cargo em comissão. Critérios claros reduzem viés.
  • Olhe a conciliação trabalho-família. Avalie horários, possibilidade de trabalho remoto onde cabe e regras de licenças. Os fatores apontados pela OCDE incluem a dificuldade de conciliação.
  • Enfrente o assédio. Tenha canal de denúncia, procedimento de apuração e formação das chefias. Faça isso com o apoio jurídico adequado.
  • Abra a carreira. Progressões transparentes e avaliação objetiva ajudam a evitar que talentos fiquem estagnados.
  • Estabeleça metas e acompanhe. Defina um indicador simples (por exemplo, percentual de mulheres em funções de chefia) e publique-o anualmente.

Fontes

  1. Gender parity in central administrations (Government at a Glance 2025) — OCDE, 19/06/2025
  2. Mulheres são 13,2% dos prefeitos eleitos em 2024 — Poder360, 30/10/2024
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