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Evoluta Books

Coleção Escola de Governo

Nomear com Segurança

Como montar a equipe de governo municipal com legitimidade política, segurança jurídica e uma estrutura que funciona

ESCOLA DE GOVERNO · EVOLUTA · CERTIFICADO AUTÊNTICO · Escola de Governo
AutoresMatheus Bernardo DelbonCharles Vinícius

Nomear com Segurança

Coleção Escola de Governo

  • Matheus Bernardo Delbon
  • Charles Vinícius

Nomear com Segurança

Como montar a equipe de governo municipal com legitimidade política, segurança jurídica e uma estrutura que funciona

1ª edição

Evoluta Books

Coleção Escola de Governo
Araraquara, 2026

© 2026 Instituto Evoluta. Todos os direitos reservados.

Evoluta Books é o selo editorial do Instituto Evoluta.

Material de apoio ao curso “O desafio das nomeações”, da Escola de Governo Evoluta, baseado nas aulas ministradas pelos autores. Curso livre de capacitação. Uso pessoal do aluno.

Edição
1ª edição
Autoria
Matheus Bernardo Delbon e Charles Vinícius
Edição e projeto gráfico
Evoluta Books
Capa
Escola de Governo Evoluta
Evoluta Books

Evoluta Books · Coleção Escola de Governo
Araraquara
evoluta.adm.br/ead/o-desafio-das-nomeacoes/

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Delbon, Matheus Bernardo.

Nomear com Segurança : Como montar a equipe de governo municipal com legitimidade política, segurança jurídica e uma estrutura que funciona / Matheus Bernardo Delbon e Charles Vinícius. – 1ª edição. – Araraquara : Evoluta Books, 2026.

(Coleção Escola de Governo)

1. Administração municipal. 2. Cargos em comissão. 3. Funções gratificadas. 4. Reforma administrativa. 5. Estrutura organizacional. 6. Gestão de pessoas no setor público. I. Vinícius, Charles. II. Título.

Para começar

Apresentação

Toda eleição municipal termina com uma pressão imediata: nomear. Os grupos que ajudaram a vencer querem espaço para colocar suas ideias em prática. A população espera resultado rápido. E o prefeito eleito precisa, em poucas semanas, decidir quem vai conduzir cada área do governo.

Nos últimos anos, muitos prefeitos fizeram essas escolhas às pressas e pagaram caro por isso no meio do mandato. Ações diretas de inconstitucionalidade, termos de ajustamento de conduta com o Ministério Público e decisões judiciais extinguiram cargos comissionados e desmontaram equipes inteiras. Na maior parte dos casos, o problema não estava nas pessoas nomeadas, mas nas leis que criaram os cargos: antigas, genéricas, remendadas ao longo de décadas, sem atribuições claras e sem coerência com o que a Constituição permite.

Este livro nasceu das aulas do curso O desafio das nomeações, da Escola de Governo da Evoluta, em que conversamos sobre a montagem da equipe de governo a partir do que vemos nas reformas administrativas que conduzimos em prefeituras. A tese que atravessa todos os capítulos é que não é preciso escolher entre política e técnica. É possível compor o governo com as forças que venceram a eleição e, ao mesmo tempo, ter segurança jurídica e uma máquina que funciona.

O caminho para isso tem um nome simples: estrutura. Quando a prefeitura separa com clareza quem decide, quem organiza e quem executa, os cargos em comissão passam a ocupar o lugar que a Constituição lhes reserva, as funções gratificadas trazem servidores de carreira para perto das decisões e o prefeito deixa de ser o zelador da prefeitura para voltar a governar.

O livro tem dez capítulos. Os dois primeiros tratam da pressão pós-eleitoral, da estrutura herdada e dos instrumentos do prefeito: cargos em comissão e funções gratificadas. O terceiro e o quarto detalham a metodologia dos três níveis, estratégico, tático e operacional. O quinto e o sexto percorrem o labirinto legal, à luz do Tema 1010 do Supremo Tribunal Federal, e a redação dos descritivos de cargo. O sétimo mostra como os princípios do art. 37 da Constituição ajudam a defender a estrutura. O oitavo trata do equilíbrio entre política e técnica. O nono propõe um roteiro de diagnóstico, e o décimo transforma tudo em ação: o plano de nomeações e a reforma administrativa.

Os exemplos vêm da prática e aparecem sem identificação de municípios ou pessoas. Os alertas jurídicos foram conferidos com os textos oficiais. Ao fim de cada capítulo, uma lista de verificação traz passos concretos para aplicar na sua prefeitura.

Escrevemos para prefeitos e vice-prefeitos, chefes de gabinete, secretários, procuradores, equipes de recursos humanos, controladores internos e vereadores. Para quem está assumindo agora, o livro é um roteiro para os primeiros cem dias. Para quem já governa, é uma ferramenta de diagnóstico: se a sua estrutura não passa nos testes descritos aqui, ainda há tempo de corrigi-la.

Capítulo 1

Depois da eleição: a pressão para nomear

Por que nomear sem planejar custa a equipe no meio do mandato e por que a estrutura herdada é parte do problema.

Objetivos do capítulo

Ao final deste capítulo, você será capaz de:

  • Explicar por que nomear sem planejar costuma custar a equipe no meio do mandato.
  • Reconhecer os sinais de uma estrutura herdada desatualizada.
  • Usar a transição e os primeiros dias para um diagnóstico mínimo.
  • Apresentar a lógica dos três níveis: estratégico, tático e operacional.

Depois da eleição vem a euforia, e logo em seguida a pressão para nomear. Os partidos da coligação apresentam nomes. Os apoiadores esperam reconhecimento. A população, esperançosa, já começa a cobrar. Nesse clima, é comum o prefeito pular a etapa do planejamento e começar a nomear no mesmo ritmo das demandas. Este capítulo explica por que esse é o caminho errado e o que está em jogo.

Cargo comissionado não é cabide de emprego

No Brasil, os cargos comissionados costumam ser vistos com desconfiança, como retribuição por apoio político ou abrigo para o pessoal da campanha. Este livro parte de outra leitura. Os cargos em comissão ocupam o nível mais estratégico da gestão. Servem para conduzir a prefeitura na direção do projeto escolhido nas urnas, seja ele de esquerda, de direita ou de centro.

O novo governo herda uma máquina de servidores de carreira que domina o serviço público. Esses servidores são indispensáveis. Mas, para que as promessas de campanha virem realidade, a máquina precisa de pessoas alinhadas ao plano de governo, capazes de direcionar as políticas públicas para onde a população escolheu. Se tudo fosse técnico, não haveria razão para eleições. É nessa equipe de confiança que a democracia se materializa na gestão.

Cargos em comissão existem para que o projeto escolhido nas urnas possa, de fato, ser executado.

Encaixar a equipe numa estrutura que não é sua

Na União, é comum o governo eleito reorganizar ministérios e secretarias logo no início, às vezes ainda na transição. Cada presidente faz ajustes maiores ou menores, mas todos fazem, e o primeiro escalão ganha a cara do novo governo. Nos municípios, o que se vê com frequência é outra coisa: o prefeito pega a estrutura existente, olha os cargos que há e tenta encaixar a nova equipe neles.

O problema é que essa estrutura costuma estar desatualizada. Não é raro encontrar leis de cargos com 15, 20 ou 30 anos, enquanto o serviço público mudou muito. A cada novo programa estadual ou federal, a cada ideia nova de um gestor, cria-se um projeto de lei, emenda-se aqui, acrescenta-se um cargo ali. Com o tempo, a legislação vira uma colcha de retalhos que nem o setor de recursos humanos consegue consultar. Faltam padrão de criação, atribuições bem descritas e requisitos de provimento. E, sem perceber, o município se afasta do que a Constituição permite.

Quadro 1.1 – Nomear sobre a estrutura herdada × nomear com estrutura revista
Aspecto Sobre a estrutura herdada Com estrutura revista
Lei de cargos Dispersa em muitas normas, sem padrão Consolidada, com atribuições e requisitos
Cargos em comissão Muitas vezes em funções operacionais Só em direção, chefia e assessoramento
Reação do controle Ações e termos de ajustamento em sequência Pedidos de informação respondidos com a lei
Equipe do prefeito Pode ser desmontada no meio do mandato Estável, com base jurídica

Por que o problema aparece no meio do mandato

O prefeito que nomeia sobre essa estrutura, sem planejamento, tende a ter problemas no meio do mandato. O Ministério Público e os Tribunais de Contas têm aprofundado a fiscalização sobre o provimento de cargos em comissão. No último ciclo de mandatos, houve uma enxurrada de ações de inconstitucionalidade, inclusive em São Paulo.

As consequências variam. Houve municípios em que todos os cargos comissionados foram extintos por decisão judicial, deixando o prefeito sem a sua equipe de confiança. Houve também multas e outras sanções ao próprio prefeito, quando um termo de ajustamento de conduta herdado da gestão anterior não foi cumprido a tempo. E há o custo político: interromper a equipe no meio do caminho gera desgaste com os grupos que compõem o governo e atrasa as políticas prometidas.

O caso mostra duas coisas. A primeira é que a herança pesa: o prefeito pode responder por problemas que não criou. A segunda é que há saída, e ela passa por uma estrutura juridicamente sólida, não pela desistência dos cargos de confiança.

A transição como oportunidade

O período entre a eleição e a posse costuma ser consumido por conversas sobre nomes. Pode ser usado de forma mais produtiva. Se houver acesso às informações da prefeitura, é o momento de pedir a legislação de cargos, a lista de ocupantes e o levantamento de ações e termos de ajustamento em curso. Se não houver transição com acesso à máquina, como acontece em muitos municípios, esse trabalho precisa ocupar as primeiras semanas do governo.

Em qualquer caso, a recomendação é a mesma: definir antes da posse apenas o núcleo estratégico indispensável e reservar as demais nomeações para depois de um diagnóstico mínimo da estrutura. Essa disciplina, nos primeiros dias, evita a maior parte dos problemas que aparecem no meio do mandato.

Figura 1.1 – Da eleição aos primeiros cem dias
  1. Primeiro domingo de outubroEleição municipal (CF, art. 29, II)
  2. TransiçãoPedir a legislação de cargos, a lista de ocupantes e o levantamento de ações e termos de ajustamento
  3. Antes da posseDefinir só o núcleo estratégico indispensável
  4. 1º de janeiroPosse do prefeito e do vice-prefeito (CF, art. 29, III)
  5. Primeiras semanasDiagnóstico mínimo da estrutura e conversa com as equipes
  6. Até os 100 diasDesignações para o nível tático e início formal da revisão da lei de cargos

Fonte: CF, art. 29, II e III; recomendações deste livro

Quadro 1.2 – O que pedir na transição

Ficha

Legislação
Lei de estrutura, leis que criaram, alteraram ou extinguiram cargos e decretos de regulamentação.
Ocupantes
Lista de cargos em comissão e funções gratificadas, com quem os ocupa e desde quando.
Riscos
Ações de inconstitucionalidade, inquéritos civis, pedidos de informação e termos de ajustamento, com prazos.
Controle externo
Apontamentos do Tribunal de Contas sobre pessoal nos últimos pareceres.
Despesa com pessoal
Situação em relação aos limites da LRF no último quadrimestre.

Quantos comissionados posso ter?

É a pergunta mais frequente quando se começa uma reforma administrativa. E a resposta costuma surpreender: mais importante do que o número é o que cada cargo faz e onde ele está na estrutura. O direito não oferece uma resposta prática para essa pergunta. Por isso fomos buscar uma linha condutora na administração, mais precisamente no planejamento estratégico, que divide as organizações em três níveis:

  • Estratégico: define o que fazer. Na prefeitura, dá o direcionamento político e de projetos, busca novas soluções e fiscaliza se a estratégia está funcionando. É o lugar dos cargos em comissão de direção, chefia e assessoramento.
  • Tático: define como fazer. Vamos terceirizar, licitar, deslocar servidores, mudar a estrutura física de um equipamento? Recomenda-se ocupá-lo, preferencialmente, com funções gratificadas, exercidas por servidores efetivos.
  • Operacional: executa. É o lugar exclusivo dos servidores de carreira.

Quando o nível tático não funciona, o primeiro escalão precisa descer para fazer as coisas acontecerem. Daí nasce a falsa ideia, muito repetida nas prefeituras, de que "sem comissionado a prefeitura não anda". Na verdade, ela não anda porque falta o nível do meio. Os capítulos 3 e 4 detalham essa estrutura.

Figura 1.2 – Os três níveis da prefeitura
1Estratégico: define o quefazer — cargos em comissão2Tático: define como fazer —funções gratificadas3Operacional: executa —servidores de carreira
  1. Estratégico: define o que fazer — cargos em comissão
  2. Tático: define como fazer — funções gratificadas
  3. Operacional: executa — servidores de carreira
Figura 1.3 – Mapa mental do capítulo 1

A pressão para nomear

  • 1Cargo de confiança

    • Executar o projeto eleito
    • Não é cabide de emprego
  • 2Estrutura herdada

    • Leis antigas
    • Colcha de retalhos
  • 3Riscos no meio do mandato

    • Ações e TACs
    • Equipe desmontada
  • 4Saída

    • Diagnóstico
    • Três níveis
    • Reforma

Em resumo

  1. Cargos em comissão existem para que o projeto escolhido nas urnas seja executado.
  2. Encaixar a nova equipe numa estrutura desatualizada é a origem de muitos problemas no meio do mandato.
  3. Termos de ajustamento e ações herdados podem atingir o prefeito que não os criou.
  4. A transição deve servir para levantar leis, ocupantes e riscos, e não só para discutir nomes.
  5. Mais importante do que quantos cargos existem é o que cada um faz e em que nível está.

Para aplicar no seu município

  • Reúna todas as leis que criam cargos e estrutura administrativa e verifique quantas são e de quando são.
  • Peça à procuradoria a lista de ações, inquéritos, pedidos de informação e termos de ajustamento sobre cargos em comissão.
  • Verifique se algum termo de ajustamento herdado tem prazos em curso e quem responde por eles.
  • Não nomeie em massa antes de conferir se a lei de cada cargo descreve atribuições compatíveis com o cargo em comissão.
  • Defina quem vai coordenar o diagnóstico da estrutura nos primeiros dias de governo.

Para refletir

  1. Quantas leis tratam hoje da estrutura de cargos do seu município, e de quando é a mais antiga?
  2. Há algum termo de ajustamento sobre cargos com prazo em curso?
  3. Quem, no governo, coordena o diagnóstico da estrutura?
  4. Em que área a prefeitura "não anda" por falta do nível tático?

Exercícios de fixação

  1. Segundo o livro, para que servem os cargos em comissão?

    1. a) Para retribuir apoio político
    2. b) Para conduzir a prefeitura na direção do projeto escolhido nas urnas
    3. c) Para substituir os servidores de carreira
    4. d) Para executar tarefas operacionais urgentes
  2. Qual é a principal causa dos questionamentos sobre cargos em comissão, segundo o capítulo?

    1. a) As pessoas nomeadas
    2. b) O número de secretarias
    3. c) As leis que criaram os cargos: antigas, genéricas e sem atribuições claras
    4. d) A existência de servidores efetivos
  3. O que o livro recomenda definir antes da posse?

    1. a) Apenas o núcleo estratégico indispensável
    2. b) Todas as nomeações
    3. c) A reforma administrativa completa
    4. d) O concurso público
  4. Na lógica dos três níveis, quem executa os serviços?

    1. a) Cargos em comissão de direção
    2. b) Funções gratificadas
    3. c) Assessores
    4. d) Servidores de carreira, no nível operacional

O gabarito comentado está no livro completo, para alunos matriculados.

Continue a leitura

Os próximos 9 capítulos são para alunos do curso

A matrícula é gratuita e libera o livro completo, com gabarito dos exercícios, glossário, referências e índice, além das aulas em vídeo, dos materiais de estudo e do certificado.

  1. 2Os instrumentos do prefeitoCargos em comissão de direção, chefia e assessoramento e funções gratificadas: o que a Constituição permite e onde cada um se encaixa.
  2. 3O nível estratégico: quem decideA pergunta que define se um cargo pode ser comissionado e por que o nome de chefe não basta.
  3. 4O nível tático e o operacionalPor que as funções gratificadas são o ponto mais importante da estrutura e como evitar a captura institucional.
  4. 5O labirinto legalO que a lei de cargos precisa conter para resistir aos órgãos de controle, à luz do Tema 1010 do STF.
  5. 6Como escrever descritivos de cargoA estrutura de um descritivo, os verbos que revelam o nível do cargo e os erros que mais comprometem a defesa da estrutura.
  6. 7Princípios, controle interno e defesa da estruturaComo os princípios do art. 37 orientam a estrutura e como responder ao controle externo com elementos.
  7. 8A arte do equilíbrio entre política e técnicaComo compor o governo com os aliados sem perder eficiência nem segurança jurídica.
  8. 9Diagnóstico da estrutura herdadaUm roteiro em seis etapas para saber onde a prefeitura está antes de nomear e reformar.
  9. 10Do plano de nomeações à reforma administrativaO plano de nomeações, o tempo de cada nomeação e os cuidados para fazer a reforma, internamente ou com apoio externo.

Nomear com Segurança

Como montar a equipe de governo municipal com legitimidade política, segurança jurídica e uma estrutura que funciona. Toda eleição municipal termina com uma pressão imediata: nomear. Os grupos que ajudaram a vencer querem espaço para colocar suas ideias em prática. A população espera resultado rápido. E o prefeito eleito precisa, em poucas semanas, decidir quem vai conduzir cada área do governo. Nos últimos anos, muitos prefeitos fizeram essas escolhas às pressas e pagaram caro por isso no meio do mandato. Ações diretas de inconstitucionalidade, termos de ajustamento…

Matheus Bernardo Delbon e Charles Vinícius

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