O limite de alerta é uma sinalização preventiva. A LRF atribui aos Tribunais de Contas o dever de alertar os Poderes e órgãos quando constatarem determinadas situações (art. 59, §1º), entre elas:
Para que serve o limite de alerta
O alerta existe para que a gestão receba o aviso a tempo. Em vez de esperar que a folha chegue ao teto, a LRF dá ao Tribunal de Contas a missão de avisar o Poder quando a despesa com pessoal passou de 90{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do limite. O gestor ganha tempo para ajustar o rumo, e o controle externo registra que a informação foi dada, o que tem efeito de responsabilização se nada for feito depois.
Como o alerta aparece na prática
- O município envia o RGF ao Tesouro Nacional e publica o relatório.
- O Tribunal de Contas analisa os dados e verifica se algum Poder passou do limite de alerta.
- Se passou, emite um alerta formal ao Poder, em geral por ofício ou pelo sistema do Tribunal.
- É recomendável que o gestor responda, informando as medidas que serão adotadas.
- O acompanhamento continua nos relatórios seguintes.
Exemplo ilustrativo
Imagine que, no último RGF, o Executivo de um município de pequeno porte aparece com a despesa de pessoal acima do patamar de alerta. O Tribunal emite o aviso. Em vez de ignorá-lo, o prefeito reúne finanças, pessoal e procuradoria, suspende por prudência as novas nomeações não essenciais, projeta a folha para os próximos meses e informa ao Tribunal o plano. Meses depois, ao ser verificado o limite prudencial, o município ainda está abaixo dele.
Alerta para outros limites
O alerta não vale só para pessoal. O mesmo art. 59 da LRF manda avisar quando a dívida consolidada, a dívida mobiliária, as operações de crédito ou as garantias passam de 90{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} dos limites, quando a receita não comporta as metas fiscais e quando há indícios de irregularidades na gestão orçamentária. A leitura do alerta, portanto, deve ser ampla.
- a possibilidade de ocorrer as situações que exigem limitação de empenho (receita que não comporta as metas);
- que a despesa total com pessoal ultrapassou 90{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do limite;
- que as dívidas consolidada e mobiliária, as operações de crédito e a concessão de garantia estão acima de 90{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} dos respectivos limites;
- que os gastos com inativos e pensionistas estão acima do limite definido em lei;
- fatos que comprometam os custos ou os resultados dos programas, ou indícios de irregularidades na gestão orçamentária.
Quanto vale na prática
Pelo limite global de 60{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} da RCL nos Municípios, com 54{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} para o Executivo e 6{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} para o Legislativo, o alerta ocorre quando o Executivo passa de 48,6{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} da RCL e o Legislativo de 5,4{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306}. O cálculo se aplica a cada Poder separadamente. O RGF traz o comparativo da despesa com os limites e a indicação de medidas corretivas, se algum limite for ultrapassado (art. 55, I e II).
O que fazer ao receber o alerta
- Reunir finanças, pessoal e procuradoria para checar a evolução dos próximos meses (efeito de reajustes, nomeações, progressões).
- Suspender atos que aumentem despesa até o cenário ficar claro.
- Projetar o RGF dos próximos quadrimestres, com e sem medidas de contenção.
- Documentar as decisões e as respostas ao Tribunal.
Diferença para o limite prudencial
O alerta apenas avisa e não proíbe nada por si só. O limite prudencial (95{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306}) é o que traz as vedações do art. 22. O descumprimento do limite máximo (100{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306}) leva às medidas do art. 23.
Como se organizar para não ser surpreendido
Uma boa prática é transformar o limite de alerta em indicador interno de gestão. A equipe de finanças calcula todo mês a posição da despesa de pessoal em relação ao limite, antes mesmo do fechamento do quadrimestre, e informa ao prefeito quando o patamar de 85{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} se aproxima. Assim, o alerta formal do Tribunal de Contas não chega como surpresa, mas como confirmação de um cenário já conhecido, com plano de ação em andamento. Essa rotina também facilita a comunicação com a Câmara e com o controle interno.
Quem deve ser informado
O alerta chega ao chefe do Poder, mas deve ser compartilhado com a área de pessoal, o controle interno, a procuradoria e, no caso do Executivo, também com a presidência da Câmara, para que todos conheçam a situação e evitem atos que aumentem a despesa.
Erros comuns
- Tratar o alerta como “aviso burocrático” e esperar chegar a 95{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} para agir.
- Não responder formalmente ao Tribunal.
- Contar com receita extraordinária que não está garantida para “baixar” o percentual.
Diferença entre alerta e sanção
O alerta não é punição. É um aviso e um registro. A sanção vem depois, se o limite for ultrapassado e as providências não forem tomadas. Mesmo assim, ignorar o alerta pode pesar na análise das contas e na responsabilização do gestor, porque mostra que ele sabia do risco.
Onde aprofundar
Veja limite prudencial, limite de despesa com pessoal e alerta do Tribunal de Contas. A Evoluta oferece curso e estudo de impacto orçamentário-financeiro sobre gastos com pessoal, que ajudam a evitar o chamado “efeito surpresa” na folha.


