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Glossário da gestão pública

Proibições ao servidor

As proibições ao servidor são as condutas que o estatuto veda a quem exerce cargo público, como valer-se do cargo para proveito pessoal ou receber presentes, e cuja violação gera sanção que vai da advertência à demissão.

Se os deveres dizem o que o servidor precisa fazer, as proibições dizem o que ele não pode fazer de jeito nenhum. Muitas dessas vedações existem para proteger o interesse público contra conflitos de interesses, favorecimentos e abusos do cargo. Conhecê-las evita infrações por desconhecimento, e permite que o gestor oriente com segurança. Também é nas proibições que costumam surgir as maiores controvérsias, como o exercício de outras atividades e o recebimento de presentes.

O que são as proibições ao servidor

As proibições delimitam o que o servidor não pode fazer. Violá-las gera sanção disciplinar, que vai de advertência a demissão, conforme o caso. Complementam os deveres e se ligam aos princípios da moralidade e da impessoalidade.

Exemplos no estatuto federal

O art. 117 da Lei 8.112/1990 proíbe, entre outras condutas: ausentar-se do serviço durante o expediente sem autorização; retirar documento ou objeto da repartição sem anuência; recusar fé a documentos públicos; cometer a pessoa estranha atribuição de sua responsabilidade; coagir subordinados a se filiarem a associação, sindicato ou partido; manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil; valer-se do cargo para lograr proveito pessoal; participar de gerência ou administração de sociedade privada e exercer o comércio, salvo exceções; atuar como procurador ou intermediário junto ao órgão onde estiver lotado, salvo exceções; receber propina, comissão ou presente em razão das atribuições; proceder de forma desidiosa; utilizar pessoal ou recursos da repartição em atividades particulares; e exercer atividades incompatíveis com o cargo ou com o horário de trabalho. Os municípios devem conferir o estatuto local.

Agrupando as proibições por tema

  • Uso indevido do cargo e de recursos: valer-se do cargo para proveito pessoal; utilizar pessoal ou recursos da repartição em atividades particulares.
  • Conflito de interesses: participar de gerência de sociedade privada; atuar como procurador ou intermediário junto ao órgão de lotação; receber propina, comissão ou presente em razão das atribuições.
  • Nepotismo funcional: manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil.
  • Conduta no serviço: ausentar-se sem autorização; retirar documentos sem anuência; proceder de forma desidiosa; exercer atividades incompatíveis com o horário.
  • Liberdade de associação: coagir subordinados a se filiarem a associação, sindicato ou partido.

Como funciona na prática

  1. Orientação na posse: o servidor é informado das proibições e dos conflitos de interesses mais comuns.
  2. Consulta preventiva: o ente oferece canal para que o servidor tire dúvidas antes de agir, por exemplo sobre atividade privada ou presente recebido.
  3. Declarações periódicas: pode ser exigida declaração sobre atividades externas, participação societária e parentes em cargos de confiança.
  4. Controle: o setor de pessoal e o controle interno verificam indícios de descumprimento, como acúmulo irregular, atividades incompatíveis e nepotismo.
  5. Apuração e sanção: havendo indício, instaura-se procedimento adequado, com defesa, e aplica-se a penalidade proporcional.

Exemplo ilustrativo: imagine um servidor do setor de fiscalização que, ao mesmo tempo, atua como intermediário de empresas junto ao mesmo órgão. A situação configura conflito de interesses, que a lei proíbe. Se houver exceções legais, elas devem ser examinadas, mas, em regra, o servidor deve escolher entre a atuação privada e o exercício do cargo, e a administração deve apurar o fato com defesa.

Exceções e dúvidas frequentes

Algumas proibições admitem exceções previstas em lei, como participação em sociedades em condições específicas, ou atuação como procurador em situações particulares. Por isso, a regra para o servidor e para o gestor é conferir o texto completo da lei, e não se guiar por resumos. Em dúvida, a consulta à assessoria jurídica e à comissão de ética evita infração por equívoco de interpretação.

Diferença entre proibições e deveres

As proibições vedam condutas; os deveres impõem condutas. Algumas infrações envolvem os dois: por exemplo, receber presente em razão do cargo viola a proibição e, ao mesmo tempo, o dever de conduta compatível com a moralidade administrativa. Veja também conflito de interesses, nepotismo e penalidades disciplinares.

Cuidados

  • Conferir a lista local e a existência de exceções legais.
  • Orientar sobre conflito de interesses e presentes.
  • Exigir declaração de atividades externas, quando a norma prevê.
  • Garantir defesa em qualquer apuração.

Erros comuns

  • Desconhecer as proibições e orientar servidores de forma incorreta.
  • Tolerar atividade privada incompatível com o horário ou o cargo.
  • Manter parentes em cadeia de subordinação direta.
  • Aceitar presentes ligados às atribuições, sem registro.
  • Aplicar penalidade sem verificar se a conduta está de fato proibida no estatuto local.
  • Usar a lista de proibições para perseguições.

Perguntas práticas

O servidor pode ter outro emprego? Depende do estatuto e das regras de acumulação. Atividades privadas não podem ser incompatíveis com o cargo ou com o horário, e há vedações específicas, como a gerência de sociedade privada. A assessoria jurídica deve orientar cada caso.

Presentes simbólicos são proibidos? O estatuto federal proíbe receber presente em razão das atribuições. Cada ente pode regulamentar o que se admite, como brindes institucionais de baixo valor, e o servidor deve consultar a norma local antes de aceitar.

Perguntas frequentes sobre Proibições ao servidor

O que são proibições ao servidor público?

São as condutas que o estatuto veda a quem exerce cargo público, como valer-se do cargo para proveito pessoal, receber propina ou presente em razão das atribuições, usar recursos da repartição em atividades particulares e manter parentes sob chefia direta. A violação gera sanção disciplinar.

Quais são as principais proibições no estatuto federal?

O art. 117 da Lei 8.112/1990 proíbe, entre outras condutas, ausentar-se do serviço sem autorização, valer-se do cargo para proveito pessoal, receber propina ou presente em razão das atribuições, participar de gerência de sociedade privada, atuar como intermediário junto ao órgão de lotação e proceder de forma desidiosa.

Servidor pode manter parente subordinado a ele?

O estatuto federal proíbe manter sob a chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil. O município deve verificar a regra em seu estatuto e observar também a Súmula Vinculante 13 do STF sobre nepotismo.

Servidor pode receber presente em razão do cargo?

O estatuto federal proíbe receber propina, comissão ou presente em razão das atribuições. Cada ente pode regulamentar situações específicas, como brindes institucionais. Em dúvida, o servidor deve consultar a norma local, a comissão de ética ou a assessoria jurídica antes de aceitar qualquer presente.

Qual a pena para quem viola uma proibição?

Depende da gravidade da infração e do estatuto. No estatuto federal, a violação de proibições pode levar de advertência a demissão, conforme a hipótese, depois de apuração com ampla defesa. A autoridade deve considerar a gravidade, os danos e os antecedentes do servidor ao escolher a penalidade.

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Fontes

  1. Lei nº 8.112/1990 – regime jurídico dos servidores civis da União (Planalto)

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