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Convocação de secretário municipal

A convocação de secretário municipal é o ato pelo qual a Câmara, ou uma comissão, chama o secretário para prestar informações sobre assunto determinado. As regras e consequências do não comparecimento dependem da Lei Orgânica.

A convocação de secretário municipal é um instrumento de fiscalização do Legislativo sobre o Executivo. Por meio dela, a Câmara ou uma de suas comissões chama o secretário para comparecer e prestar esclarecimentos sobre assunto previamente determinado. Não é um convite informal: é um ato formal, com regras, e o não comparecimento sem justificativa pode ter consequências.

O que é convocação de secretário municipal

A Câmara tem o papel de fiscalizar a administração. A convocação é uma das ferramentas dessa função. O vereador não decide sozinho: a convocação costuma ser votada pelo plenário ou pela comissão, conforme o Regimento. O ato deve indicar o assunto e a data, para que o secretário saiba o que será perguntado e possa se preparar.

Convocação, convite e requerimento de informação

  • Convocação: chamado obrigatório, para comparecimento pessoal, com consequência prevista para a ausência injustificada.
  • Convite: chamado facultativo, em que o secretário comparece por vontade própria, comum em audiências públicas.
  • Requerimento de informação: pedido por escrito, respondido por escrito, sem comparecimento.

Base legal

O modelo federal está no art. 50 da Constituição Federal: a Câmara dos Deputados, o Senado ou qualquer de suas comissões podem convocar Ministro de Estado e outros titulares para prestarem, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, importando crime de responsabilidade a ausência sem justificação adequada. Como a definição de crime de responsabilidade é competência privativa da União (Súmula Vinculante 46 do STF), a Lei Orgânica municipal não pode criar um crime novo para o secretário que não comparece. No plano municipal, o Decreto-Lei nº 201/1967 considera infração político-administrativa do prefeito desatender, sem motivo justo, às convocações ou aos pedidos de informações da Câmara feitos em tempo e forma regulares (art. 4º, III, no texto original). Verifique na Lei Orgânica quem pode ser convocado e com que prazo. Constituição Federal (Câmara dos Deputados).

Como funciona na prática

  1. Um vereador apresenta requerimento de convocação, com o assunto determinado e a justificativa.
  2. O plenário ou a comissão competente vota, no quórum previsto no Regimento.
  3. Aprovada, a Mesa ou a comissão envia ofício ao secretário, com assunto, data, hora e local, em antecedência razoável.
  4. O secretário comparece, responde às perguntas e pode apresentar documentos.
  5. A sessão é registrada em ata, com gravação quando possível, e as conclusões são encaminhadas aos vereadores.
  6. Se o secretário não comparecer sem justificativa, a Câmara aplica o que a Lei Orgânica e a legislação federal permitirem.

Exemplo ilustrativo: uma comissão aprova a convocação do secretário de Obras para explicar o atraso em uma obra pública. O ofício indica o assunto (cronograma e contratos da obra), a data e a hora. No dia, o secretário apresenta o andamento e responde às perguntas dos vereadores.

Limites e cuidados

  • O assunto precisa ser determinado. Convocação genérica, para “falar sobre a secretaria”, é questionável.
  • O secretário pode apresentar justificativa para a ausência (compromisso inadiável, saúde), e a Câmara deve avaliá-la.
  • A convocação deve respeitar sigilos legais.
  • Não se pode convocar quem não é autoridade sujeita à convocação segundo a Lei Orgânica (por exemplo, o prefeito, que costuma ter regra própria).

Erros comuns

  • Convocar sem indicar o assunto ou com prazo exíguo.
  • Prever na Lei Orgânica crime de responsabilidade para a ausência do secretário, o que invade competência da União.
  • Confundir convite com convocação, e depois cobrar consequências de quem apenas foi convidado.
  • Não registrar a sessão em ata e perder o valor das informações prestadas.
  • Transformar a convocação em palanque, sem foco em informação.

Boas práticas para uma convocação eficaz

  • Enviar ao secretário, junto com o ofício, as perguntas principais por escrito, para que ele traga dados e documentos.
  • Combinar com a Presidência o tempo de fala dos vereadores e do convocado, evitando que a sessão se transforme em monólogo.
  • Transmitir e gravar a reunião, quando o Regimento permitir, para dar publicidade às respostas.
  • Elaborar, ao final, um relatório curto com as informações prestadas e os encaminhamentos.

Quem pode ser convocado

A Lei Orgânica costuma indicar os agentes que podem ser convocados: secretários municipais, titulares de órgãos da administração direta e, em alguns casos, dirigentes de entidades da administração indireta. Cada Câmara decide o alcance, observando a Constituição e as regras de simetria. Em caso de dúvida sobre o enquadramento de um cargo, vale pedir parecer da procuradoria da Câmara antes de votar a convocação, para evitar contestação do ato. Também convém definir se a convocação pode ser aprovada diretamente pela comissão ou se precisa passar pelo plenário, e qual o prazo mínimo entre o ofício e a data marcada, de modo que o secretário tenha tempo de reunir os documentos. Veja também Lei Orgânica municipal.

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Perguntas frequentes sobre Convocação de secretário municipal

O que é convocação de secretário municipal?

É o ato formal pelo qual a Câmara, ou uma comissão, chama o secretário para prestar informações pessoalmente sobre assunto determinado. É um instrumento de fiscalização do Legislativo sobre o Executivo, com regras definidas na Lei Orgânica e no Regimento Interno.

Qual a diferença entre convocação e convite a secretário?

Na convocação, o comparecimento é obrigatório, e a ausência injustificada pode ter consequências previstas em norma. No convite, o secretário comparece por vontade própria, como em audiências públicas. O requerimento de informação, por sua vez, é um pedido escrito, sem comparecimento.

O que acontece se o secretário não comparecer à convocação?

Depende da Lei Orgânica e da legislação federal. No modelo da Constituição, a ausência sem justificação adequada de ministro é crime de responsabilidade (art. 50), mas a definição de crimes é privativa da União, então a lei municipal não pode criar crime novo.

O prefeito pode ser convocado pela Câmara?

Depende da Lei Orgânica. O Decreto-Lei 201/1967 considera infração político-administrativa do prefeito desatender, sem motivo justo, às convocações ou aos pedidos de informações da Câmara feitos em tempo e forma regulares (art. 4º, III, no texto original). Confira o procedimento previsto na Lei Orgânica local.

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Fontes

  1. Constituição Federal de 1988, texto atualizado (Câmara dos Deputados)
  2. Decreto-Lei nº 201/1967, publicação original (Câmara dos Deputados)
  3. ConJur (09/04/2015): STF aprova súmula vinculante sobre crimes de responsabilidade (SV 46)

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