Contato

Glossário da gestão pública

Gestão por processos

A gestão por processos é a forma de organizar a administração em torno dos fluxos de trabalho que entregam valor ao cidadão, e não apenas das estruturas departamentais, com responsáveis e indicadores para cada processo.

A gestão por processos é um modo de organizar e administrar o trabalho em torno dos fluxos que entregam resultado ao cidadão, e não apenas em torno de departamentos. Em vez de perguntar “o que a secretaria X faz?”, pergunta-se “como o serviço Y chega ao cidadão, do pedido à entrega, e quem é responsável por todo esse caminho?”. Cada processo ganha um responsável, padrões de execução e indicadores que medem o desempenho de ponta a ponta.

Por que o olhar por processos faz diferença

A estrutura de uma prefeitura é vertical: secretarias, departamentos, setores. Mas os serviços são horizontais: o licenciamento de uma obra passa pelo protocolo, pela análise de projeto, pela fiscalização, pela tributação e pelo jurídico. Se cada setor otimiza a sua parte sem olhar o conjunto, o cidadão enfrenta filas, idas e vindas e prazos longos. A gestão por processos corrige isso porque coloca alguém para responder pelo resultado total e cria regras de passagem entre setores.

Elementos da gestão por processos

  • Cadeia de valor ou arquitetura de processos: o conjunto de macroprocessos do órgão, divididos em finalísticos (os que entregam serviços ao cidadão), de gestão e de apoio. Veja cadeia de valor público.
  • Dono do processo: quem responde pelo desempenho e pelas melhorias.
  • Mapas e padrões: fluxogramas, POPs e regras claras de entrada e saída.
  • Indicadores: prazo, retrabalho, custo e satisfação, acompanhados em reuniões periódicas.
  • Melhoria contínua: revisão regular dos processos, com métodos como PDCA e Kaizen.

O conjunto de práticas e ferramentas que sustenta esse modelo é chamado de BPM.

Como implantar em passos

  1. Identifique os processos mais importantes, os de maior volume, risco ou reclamação.
  2. Nomeie um responsável por processo e defina quem o apoia em cada secretaria.
  3. Faça o mapeamento e meça tempos e volumes.
  4. Redesenhe para reduzir etapas, esperas e exigências desnecessárias.
  5. Defina indicadores e crie uma rotina de acompanhamento, como reuniões mensais curtas.
  6. Padronize e treine, e revise periodicamente.

Um exemplo hipotético: uma prefeitura percebe que o prazo para abertura de empresas é longo porque o pedido passa por quatro setores que não conversam. Ao nomear um responsável único pelo processo, integrar a consulta prévia, a vistoria e o licenciamento em uma etapa coordenada e acompanhar o prazo em painel, o município encurta o tempo sem criar novo órgão.

Gestão por processos e estrutura organizacional

Adotar essa gestão não significa extinguir departamentos nem refazer o organograma. Significa criar uma camada de coordenação horizontal que convive com a estrutura hierárquica. Em algumas prefeituras, ela é apoiada por um escritório de processos ou pelo escritório de projetos. Também conversa com a simplificação administrativa e com o governo digital, que dependem de processos bem desenhados para serem informatizados.

Erros comuns

  • Mapear dezenas de processos sem escolher prioridades.
  • Nomear dono do processo sem autoridade para pedir mudanças aos outros setores.
  • Não medir, deixando a gestão baseada em opinião.
  • Tratar a gestão por processos como projeto pontual, e não como rotina.
  • Informatizar sem antes simplificar.

Indicadores para acompanhar um processo

A gestão por processos só funciona se houver números. Um conjunto básico de indicadores para cada processo inclui: prazo médio de atendimento, do pedido à entrega; taxa de retrabalho, que é a proporção de pedidos devolvidos por erro ou falta de documentos; volume de pedidos por período; custo aproximado por atendimento, quando for possível apurar; e satisfação do usuário, medida por pesquisa simples ou pela análise das manifestações da ouvidoria. Os indicadores devem ter meta, responsável pela medição e periodicidade, e ser apresentados em painel visível à liderança. Veja indicadores de desempenho.

Papéis em uma estrutura de processos

  • Dono do processo: responde pelo desempenho de ponta a ponta e propõe mudanças.
  • Executores: servidores que realizam as etapas e conhecem os problemas reais.
  • Gestor de processos ou escritório de processos: oferece método, treinamento e ferramentas, e mantém o repositório de mapas.
  • Alta administração: define prioridades, destrava conflitos entre secretarias e cobra resultados.

O arranjo não precisa de cargos novos. Em municípios pequenos, a função de coordenação pode ser acumulada por um servidor da área de planejamento ou de administração, com apoio da liderança.

Relação com governança e controles

Processos bem definidos facilitam a gestão de riscos e os controles internos, porque tornam visíveis os pontos em que as falhas podem ocorrer. Também ajudam a cumprir exigências de transparência, pois documentam quem decide e com base em quê. Por isso, a gestão por processos é uma das bases da governança pública.

Sinais de que sua organização precisa de gestão por processos

Reclamações repetidas sobre o mesmo serviço, processos que “somem” entre setores, dependência de uma pessoa para fazer a rotina funcionar, prazos que ninguém sabe medir e retrabalho constante são sintomas típicos. Se dois ou mais aparecem no seu município, vale começar por um diagnóstico de maturidade, para saber onde estão as maiores oportunidades de melhoria.

Perguntas frequentes sobre Gestão por processos

O que é gestão por processos?

É um modelo de gestão que organiza o trabalho em torno dos fluxos que entregam serviços ao cidadão, e não só dos departamentos. Cada processo tem um responsável, padrões de execução e indicadores que medem prazo, qualidade e custo de ponta a ponta.

Qual a diferença entre gestão por processos e gestão por departamentos?

Na gestão por departamentos, cada setor cuida de sua parte e otimiza seus resultados. Na gestão por processos, o foco é o fluxo completo que atravessa os setores, com um responsável pelo resultado final. Os dois convivem, mas o olhar por processos reduz filas e retrabalho entre áreas.

Como a prefeitura começa a gestão por processos?

Escolha poucos processos críticos, nomeie um responsável por cada um, faça o mapeamento com medição de tempos, redesenhe para eliminar etapas desnecessárias, defina indicadores e crie reuniões periódicas de acompanhamento. Ampliar aos poucos é mais seguro que mapear tudo de uma vez.

Gestão por processos e BPM são a mesma coisa?

São muito próximos. A gestão por processos é a ideia de administrar a organização pelos seus fluxos de trabalho. O BPM é a disciplina que reúne métodos, ferramentas e o ciclo de melhoria para colocar essa ideia em prática, incluindo modelagem, análise e monitoramento.

Termos relacionados

Glossário de planejamento e inovação

No Observatório Evoluta

Fontes

  1. Lei nº 13.726/2018 – racionalização de atos e procedimentos administrativos (LexML)

Ver todos os termos

Fale no WhatsApp