A eliminação de documentos públicos é o descarte, por destruição, de documentos que já cumpriram seus prazos e não têm valor permanente. Não é uma decisão livre do gestor: pelo art. 9º da Lei nº 8.159/1991, a eliminação de documentos produzidos por instituições públicas e de caráter público será realizada mediante autorização da instituição arquivística pública, na sua específica esfera de competência. Documentos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis (art. 10), e destruir ou desfigurar documentos de valor permanente ou de interesse público e social gera responsabilidade penal, civil e administrativa (art. 25).
Por que o controle é tão rigoroso
Documentos públicos são prova de atos, direitos e deveres. Um processo descartado cedo demais pode impedir a defesa do município em ação judicial, a comprovação de tempo de serviço de um servidor ou a prestação de contas. Por isso, a lei exige critério técnico (a tabela de temporalidade), autorização formal e registro do que foi eliminado.
Passo a passo seguro
- Aplicar a tabela de temporalidade e destinação.
- Elaborar listagem de eliminação com identificação dos documentos, datas-limite e prazos.
- Obter a aprovação da comissão de avaliação e a autorização da instituição arquivística.
- Dar publicidade ao edital de ciência de eliminação, se previsto na norma local, permitindo que interessados se manifestem.
- Executar a destruição de forma segura (trituração, incineração controlada ou outro método adequado), com termo de eliminação assinado.
- Arquivar a listagem, a autorização e o termo como prova permanente.
Documento digitalizado
Após a digitalização conforme o Decreto nº 10.278/2020, o documento físico pode ser descartado, ressalvado o que tenha valor histórico (art. 9º). Os digitalizados sem valor histórico são preservados, no mínimo, até os prazos de prescrição ou decadência dos direitos (art. 11). Veja digitalização de documentos públicos.
Exemplo ilustrativo e hipotético: a comissão de avaliação identifica caixas de documentos de frequência de servidores de décadas atrás, cujo prazo na tabela já venceu. Prepara a listagem, obtém a autorização do arquivo público, publica o edital de ciência e, ao final, elimina o conteúdo com trituração, lavrando termo. Os documentos que a tabela define como permanentes, como atas e leis, seguem para o arquivo público.
Diferença entre eliminação e descarte informal
Eliminação é procedimento técnico, formal e documentado. Descarte informal é jogar fora sem critério, o que viola a lei. Mesmo documentos aparentemente sem importância podem integrar séries com valor histórico ou probatório, e só a avaliação técnica pode decidir.
Base legal
Arts. 9º, 10 e 25 da Lei nº 8.159/1991; arts. 9º e 11 do Decreto nº 10.278/2020.
Perguntas que o gestor costuma fazer
Posso eliminar documentos só porque faltam espaço?
Não. A falta de espaço não autoriza descarte. É preciso aplicar a tabela de temporalidade, obter autorização e registrar a eliminação. Se o espaço é insuficiente, avalie transferência, digitalização conforme a lei ou ampliação.
Quem assina o termo de eliminação?
Em geral, o responsável pelo arquivo, membros da comissão de avaliação e a autoridade que autorizou. A norma local deve definir os signatários.
E se houver processo judicial envolvendo os documentos?
Documentos que possam ser necessários a processos em curso ou a investigações não devem ser eliminados, mesmo com prazo vencido. Consulte a procuradoria antes de qualquer descarte.
Boas práticas
Realize eliminações periódicas, de pequeno volume, em vez de grandes limpezas esporádicas. Registre todos os procedimentos em sistema ou planilha com histórico. Considere o impacto ambiental e a segurança da informação: documentos com dados pessoais devem ser destruídos de modo que impeça a reconstituição. Aproveite o material para reciclagem, quando possível e seguro.
Pontos de atenção
Atenção a documentos que, embora de baixa relevância administrativa, tenham valor para direitos individuais, como comprovação de tempo de serviço, pagamentos e vínculos. Atenção também a documentos que contêm dados pessoais: a destruição deve garantir que não possam ser reconstituídos. Quando a eliminação for terceirizada, exija certificado de destruição e cuidado com o transporte, para evitar vazamentos.
Como o tema aparece na rotina da prefeitura
- Na mudança de prédio ou reforma, quando é preciso esvaziar salas e depósitos.
- Após a digitalização de acervos, quando surge a dúvida sobre o que fazer com o papel.
- Em visitas do tribunal de contas ou de órgãos de controle que pedem documentos antigos.
Em resumo
Eliminar documentos é um ato técnico e jurídico, que depende de tabela de temporalidade, comissão de avaliação, autorização do arquivo e registro formal. Feito assim, libera espaço sem criar riscos.
Eliminação e transparência
Publicar a lista de documentos eliminados e o edital de ciência no portal da prefeitura reforça a transparência e protege os servidores envolvidos. Também ajuda a mostrar que o descarte seguiu critérios e não buscou ocultar informações.
Erros comuns
- Jogar fora processos antigos por falta de espaço, sem listagem nem autorização.
- Eliminar sem aplicar a tabela de temporalidade.
- Destruir documentos com dados pessoais de forma insegura.
- Eliminar documentos relacionados a litígios em curso.



