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Glossário da gestão pública

Lei de Arquivos (Lei nº 8.159/1991)

A Lei de Arquivos é a Lei nº 8.159/1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e estabelece o dever do poder público de fazer a gestão documental e proteger os documentos de arquivo.

A Lei de Arquivos (Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991) é a norma que organiza a política nacional de arquivos públicos e privados. O art. 1º diz que é dever do Poder Público a gestão documental e a proteção especial a documentos de arquivos, como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elementos de prova e informação. Para a prefeitura, a lei responde a perguntas do dia a dia: o que pode ser descartado, quem autoriza, quanto tempo guardar e quem responde se um documento importante se perde.

Pontos para o município

  • Arquivos públicos são os conjuntos de documentos produzidos e recebidos pelos órgãos públicos de qualquer âmbito, inclusive municipal (art. 7º).
  • São arquivos municipais o do Poder Executivo e o do Poder Legislativo (art. 17, § 4º).
  • Legislação municipal define a organização e a vinculação dos arquivos municipais, a gestão e o acesso (art. 21).
  • A eliminação de documentos públicos exige autorização da instituição arquivística pública na sua esfera (art. 9º). Veja eliminação de documentos públicos.
  • Documentos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis (art. 10).
  • Quem desfigurar ou destruir documentos de valor permanente ou de interesse público e social responde nas esferas penal, civil e administrativa (art. 25).

Para que serve

A lei protege a memória administrativa e os direitos das pessoas: processos, atos, contratos, prontuários e registros funcionais são prova do que o poder público fez e deve. Ela também sustenta a transparência, porque só é possível dar acesso a informações que estejam organizadas e preservadas, como exige a Lei de Acesso à Informação. Veja Lei de Acesso à Informação.

Como aplicar a lei na prefeitura

  1. Faça um diagnóstico dos arquivos: onde estão os documentos, em que condições e com que volume.
  2. Crie por lei ou decreto o arquivo público municipal e defina sua vinculação (veja arquivo público municipal).
  3. Institua comissão de avaliação de documentos e adote plano de classificação e tabela de temporalidade.
  4. Treine os servidores de protocolo e arquivo.
  5. Defina regras de acesso, consulta e segurança física e digital.
  6. Estabeleça rotina de transferência, recolhimento e eliminação autorizada.

Exemplo ilustrativo e hipotético: uma prefeitura descobre que processos de décadas atrás estão guardados em um porão úmido. Cria uma comissão, faz o inventário, aplica a tabela de temporalidade, separa o que tem valor permanente e solicita autorização para eliminar o restante. Os documentos preservados são organizados e disponibilizados para consulta.

Diferença entre Lei de Arquivos e Lei de Acesso à Informação

A Lei de Arquivos trata de como guardar, organizar e preservar documentos; a Lei de Acesso à Informação trata de quando e como o cidadão pode acessar informações públicas. Uma depende da outra: sem gestão documental, o acesso fica lento e incompleto.

Base legal

Lei nº 8.159/1991, em especial os arts. 1º, 7º, 9º, 10, 17, 21 e 25. A Constituição Federal também trata da gestão da documentação governamental (art. 216, § 2º).

Perguntas que o gestor costuma fazer

Preciso de lei municipal de arquivos?

O art. 21 prevê que a legislação municipal definirá os critérios de organização e vinculação dos arquivos municipais, bem como a gestão e o acesso aos documentos. Uma lei local dá estabilidade e orienta servidores.

Quem autoriza a eliminação de documentos?

A instituição arquivística pública na esfera competente, conforme o art. 9º. No município, costuma ser o arquivo municipal, com apoio da comissão de avaliação e observando normas estaduais e federais.

A lei vale para a Câmara Municipal?

Sim. O art. 17, § 4º, indica que são arquivos municipais o do Poder Executivo e o do Poder Legislativo. A Câmara deve ter política própria, em articulação com o arquivo municipal.

Boas práticas

Comece com uma ação simples e visível: nomear um responsável pelo arquivo e dar a ele autonomia e orçamento mínimo. Faça um levantamento fotográfico do acervo, priorize áreas de risco (umidade, infiltração, fiação elétrica) e proteja documentos de valor permanente. Em seguida, institua a comissão de avaliação e as normas locais. Compartilhe boas práticas com a Câmara Municipal e com autarquias, para que a política seja consistente em todo o município.

Pontos de atenção

O descarte irregular é o erro mais comum e o mais grave: pode gerar responsabilização. Outro cuidado é com a perda de memória em mudanças de gestão, quando documentos são levados ou descartados. Para evitar isso, formalize a transição, com inventário e termo de entrega. Quanto aos documentos digitais, trate-os com o mesmo rigor, pois a Lei de Arquivos vale para qualquer suporte.

Como o tema aparece na rotina da prefeitura

  • Na mudança de prédio, quando se decide o que levar e o que descartar.
  • Em auditorias e processos judiciais, quando é preciso localizar documentos antigos.
  • Em pedidos de acesso à informação sobre atos e contratos passados.

Erros comuns

  • Eliminar documentos por falta de espaço, sem tabela de temporalidade e autorização.
  • Deixar o arquivo da Câmara sem política própria.
  • Guardar documentos em condições que levem à perda física.
  • Não nomear responsável pelo arquivo.

Em resumo

A Lei de Arquivos obriga o poder público a cuidar de seus documentos. Com política clara, instrumentos técnicos e responsável designado, o município protege sua memória e reduz riscos.

Perguntas frequentes sobre Lei de Arquivos (Lei nº 8.159/1991)

O que é a Lei de Arquivos?

É a Lei nº 8.159/1991, que dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e estabelece o dever do Poder Público de fazer a gestão documental e proteger os documentos de arquivo, como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elemento de prova e informação.

Quem autoriza a eliminação de documentos públicos?

Segundo o art. 9º da Lei nº 8.159/1991, a eliminação de documentos produzidos por instituições públicas e de caráter público é realizada mediante autorização da instituição arquivística pública, na sua específica esfera de competência. No município, é o arquivo público municipal ou órgão equivalente.

O que acontece com quem destrói documento público de valor permanente?

Quem desfigurar ou destruir documentos de valor permanente ou considerados como de interesse público e social responde nas esferas penal, civil e administrativa, conforme o art. 25 da Lei nº 8.159/1991. Documentos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis (art. 10).

A Câmara Municipal também tem arquivo?

Sim. O art. 17, § 4º, da lei indica que são arquivos municipais o arquivo do Poder Executivo e o arquivo do Poder Legislativo. Cada um deve ter política de gestão documental, em articulação com a legislação municipal que define a organização, a vinculação e o acesso aos arquivos.

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Fontes

  1. Lei nº 8.159/1991 – Política Nacional de Arquivos (Planalto)

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