Contato

Glossário da gestão pública

Repasse de decêndio

O repasse de decêndio é o repasse feito a cada dez dias, até os dias 10, 20 e 30 de cada mês, de transferências baseadas na arrecadação, como o FPM, antecipado para o dia útil anterior em fim de semana ou feriado.

O que é o repasse de decêndio

Decêndio é o período de dez dias. Muitas transferências da União aos municípios, em especial o FPM, não são pagas de uma vez por mês: são pagas três vezes por mês, em intervalos de dez dias. Segundo a cartilha do Tesouro Nacional sobre o FPM, os valores relativos ao FPM devem ser creditados decendialmente aos Municípios, até os dias 10, 20 e 30 de cada mês, mediante crédito em conta aberta com essa finalidade no Banco do Brasil. Se a data cair em fim de semana ou feriado, o repasse é antecipado para o primeiro dia útil anterior.

Como o valor é calculado

O valor transferido toma por base a arrecadação líquida do IR e do IPI do decêndio anterior. Isso significa que o repasse oscila conforme o desempenho da arrecadação federal nos dez dias anteriores: meses de grande arrecadação (por exemplo, pelo vencimento de tributos) trazem repasses maiores, e há períodos de repasse menor. O município recebe, em cada decêndio, a proporção que lhe cabe, segundo o seu coeficiente.

E os repasses extras?

Os repasses extras do FPM (julho, setembro e dezembro) vêm de parcelas acumuladas e entregues no primeiro decêndio do mês. Isso significa que, naqueles meses, o primeiro decêndio traz um valor maior. Veja repasses extras do FPM.

Por que o controle dos decêndios é importante

No município, o controle dos decêndios permite projetar o fluxo de caixa. Recomenda-se acompanhar os valores no extrato bancário e nos demonstrativos de transferências e comparar com a previsão da LOA. Isso ajuda a perceber rapidamente se a receita está abaixo do previsto e a ajustar a programação financeira antes que o problema se agrave.

Como funciona na prática

  1. Calendário. A secretaria de fazenda registra as datas de repasse (dias 10, 20 e 30, com antecipação em dias não úteis).
  2. Conferência. A cada crédito, compara o valor recebido com o previsto, tomando por base o histórico e as informações do Tesouro Nacional.
  3. Registro. A contabilidade registra a receita e aplica as deduções legais, como Fundeb e Pasep.
  4. Fluxo de caixa. Atualiza o fluxo de caixa e a previsão de pagamentos.
  5. Ajuste. Se o repasse ficar abaixo do esperado por períodos prolongados, revisa a programação financeira.

Exemplo ilustrativo

Imagine um município que paga a folha de pagamento no quinto dia útil do mês seguinte e as contas de fornecedores em diferentes datas. A fazenda organiza o fluxo de caixa de acordo com os três decêndios do FPM: o repasse do dia 10 cobre as despesas da primeira quinzena, o do dia 20, as da segunda, e o do dia 30, a folha do mês. Quando um dos repasses vem abaixo do esperado, a equipe ajusta a ordem dos pagamentos e evita atrasos com fornecedores.

Cuidados com a programação financeira

Como os decêndios variam, é prudente não programar todos os compromissos com base no valor máximo já visto. Um colchão de caixa, ainda que modesto, protege o município de oscilações. Também é importante cuidar de datas de vencimento de contratos e de tributos, para não coincidirem com períodos de menor ingresso. Veja programação financeira.

Diferença entre decêndio e repasse mensal

Alguns repasses, como certas transferências estaduais, são mensais; outros, como o FPM, são decendiais. Conhecer a periodicidade de cada fonte permite montar um fluxo de caixa mais fiel. Veja FPM.

Dicas de gestão do caixa

Um instrumento simples, mas poderoso, é um calendário financeiro com três colunas, uma para cada decêndio, em que se lançam as receitas esperadas e as despesas que vencem em cada período. Com ele, a fazenda enxerga de antemão os momentos de aperto e pode negociar vencimentos, antecipar pagamentos quando há folga ou segurar compromissos quando a receita vem baixa. Também ajuda a conversar com fornecedores e com a folha, dando previsibilidade às datas de pagamento e reduzindo a necessidade de recorrer a operações de crédito de curto prazo.

Atenção às deduções

Antes de planejar o uso do recurso, a contabilidade deve separar as deduções legais incidentes sobre o repasse, como as destinadas ao Fundeb e ao Pasep, que reduzem o valor líquido disponível no caixa. Um erro comum é projetar o gasto com base no valor bruto divulgado, esquecendo que parte dele já tem destino definido.

Erros comuns

  • Projetar o fluxo de caixa com um valor médio mensal, sem considerar os três repasses.
  • Esquecer a antecipação para o dia útil anterior quando a data cai em feriado ou fim de semana.
  • Não conferir o valor creditado com a previsão da LOA.
  • Comprometer pagamentos com base no repasse mais alto do ano.
  • Esquecer as deduções legais ao calcular o recurso disponível.

Perguntas frequentes na prática

Por que o FPM varia tanto de um decêndio para outro?

Porque se baseia na arrecadação líquida do IR e do IPI do decêndio anterior, que oscila.

Quando o repasse cai em feriado?

É antecipado para o primeiro dia útil anterior, conforme a cartilha do Tesouro Nacional.

Perguntas frequentes sobre Repasse de decêndio

O que é repasse de decêndio?

É o repasse feito a cada dez dias, em transferências baseadas na arrecadação como o FPM. Segundo a cartilha do Tesouro Nacional, os valores do FPM são creditados até os dias 10, 20 e 30 de cada mês, em conta aberta no Banco do Brasil, com antecipação para o primeiro dia útil anterior se a data cair em fim de semana ou feriado.

Em quais datas o FPM é repassado?

Até os dias 10, 20 e 30 de cada mês. Se a data cair em fim de semana ou feriado, o repasse é antecipado para o primeiro dia útil anterior. Os repasses extras de julho, setembro e dezembro vêm de parcelas acumuladas e são entregues no primeiro decêndio desses meses.

Por que o valor do FPM muda a cada decêndio?

Porque o valor transferido toma por base a arrecadação líquida do imposto de renda e do IPI do decêndio anterior, que varia conforme o desempenho da arrecadação federal. Meses de grande arrecadação trazem repasses maiores, e há períodos de repasse menor, o que exige cuidado na programação financeira.

Como o município deve controlar os repasses de decêndio?

Acompanhando os valores no extrato bancário e nos demonstrativos de transferências, comparando com a previsão da LOA e atualizando o fluxo de caixa a cada crédito. Se os repasses ficarem abaixo do previsto por períodos prolongados, a programação financeira deve ser revista para evitar atrasos e desequilíbrio.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

No Observatório Evoluta

Fontes

  1. O que você precisa saber sobre as transferências fiscais da União: FPM (cartilha do Tesouro Nacional, março/2023)

Ver todos os termos

Fale no WhatsApp