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Glossário da gestão pública

Atricon

A Atricon é a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, entidade que representa conselheiros e ministros e coordena iniciativas nacionais, como o Programa Nacional de Transparência Pública e ações judiciais de interesse do sistema.

A Atricon reúne os membros dos tribunais de contas do País e atua em parceria com outras entidades do sistema, como o Instituto Rui Barbosa e a associação dos tribunais municipais. Entre suas iniciativas está o Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), criado em 2022 com o TCE-MT e o TCU. Para o gestor municipal, é importante saber o que a Atricon é, e o que não é: uma associação de classe com forte influência no sistema de controle, mas que não fiscaliza as contas de ninguém.

O que é a Atricon

É uma associação de caráter nacional que representa os conselheiros e ministros dos tribunais de contas e atua na defesa das prerrogativas do controle externo e na promoção de seu aperfeiçoamento. Como entidade associativa, define diretrizes e organiza ações conjuntas que os tribunais, cada um com sua autonomia, podem adotar. Seu nome completo é Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil.

O que a Atricon faz

  • Representação institucional: defende os interesses e as prerrogativas dos tribunais de contas perante os Poderes e o Judiciário.
  • Iniciativas nacionais: coordena programas como o PNTP, que avalia a transparência dos portais públicos.
  • Diretrizes e resoluções de apoio: produz orientações para uniformizar boas práticas entre os tribunais.
  • Atuação judicial: propõe ações perante o STF em temas de interesse do sistema de controle externo.

Um exemplo de atuação judicial: ADPF 982

A Atricon propôs a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 982. Segundo notícia do TCE-GO, o STF concluiu o julgamento em fevereiro de 2025, por unanimidade, e decidiu que prefeitos que atuam como ordenadores de despesas devem prestar contas, cabendo aos tribunais de contas julgar essa prestação. Quando houver irregularidade, a atuação dos tribunais fica restrita à imputação de débito e à aplicação de sanções fora da esfera eleitoral, sem depender de ratificação pelas câmaras municipais. É uma decisão importante para o gestor, que deve conhecer o tema: a distinção entre as contas de governo, em que o parecer do tribunal é julgado pela Câmara, e as contas de gestão do ordenador de despesas, julgadas pelo tribunal. Como se trata de decisão judicial com efeitos específicos, convém ler o acórdão e as orientações do tribunal de contas do seu estado, e consultar a procuradoria sobre seus efeitos.

O que a Atricon não é

Não é órgão de controle: não fiscaliza contas, não julga gestores e não aplica sanções. Também não substitui os tribunais, que são independentes e têm suas próprias leis orgânicas e regimentos. As orientações da Atricon não obrigam o município, mas costumam inspirar normas e práticas dos tribunais, que, estas sim, podem criar obrigações para os jurisdicionados.

Por que o gestor municipal deve conhecer a Atricon

  1. Para entender o PNTP: o ranking e os selos de transparência decorrem de iniciativa coordenada por ela com os tribunais.
  2. Para antecipar tendências do controle: diretrizes e decisões em que a Atricon atua influenciam a atuação dos tribunais.
  3. Para acompanhar decisões judiciais relevantes sobre competência dos tribunais de contas, como a ADPF 982.
  4. Para interagir com o tribunal de contas do estado, que costuma replicar suas iniciativas nacionais.

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que recebe do tribunal de contas do estado uma comunicação sobre a participação no PNTP. Ao pesquisar, o controlador descobre que o programa é uma iniciativa coordenada pela Atricon, baixa a matriz de critérios e organiza a revisão do portal. Entender a origem da iniciativa o ajuda a priorizar e a dialogar com o tribunal.

Atricon, IRB e tribunais: relação

Os tribunais de contas são os órgãos de controle externo. A Atricon é a associação dos seus membros. O Instituto Rui Barbosa é a organização civil criada pelos tribunais para aprimoramento técnico, com estudos, capacitações e normas de auditoria. Os três atuam de modo coordenado, mas com papéis diferentes. Para saber mais sobre o controle externo, veja tribunal de contas e controle externo.

Erros comuns

  • Achar que a Atricon fiscaliza ou julga contas de municípios.
  • Tratar diretrizes da associação como lei, quando não são obrigatórias por si.
  • Ignorar comunicações do tribunal de contas sobre iniciativas nacionais, como o PNTP.
  • Citar decisões judiciais sem verificar o alcance e o contexto, como no caso da ADPF 982.

Como acompanhar as iniciativas da Atricon

O caminho mais seguro é acompanhar os canais oficiais da associação e do tribunal de contas do seu estado, que costuma divulgar prazos e orientações dos programas nacionais. Para o controlador e para a assessoria jurídica, vale também acompanhar decisões do STF e dos tribunais superiores sobre competência e prerrogativas do controle externo, porque elas mudam a forma como as contas são julgadas e como os gestores respondem. Quando surgir uma decisão relevante, a recomendação é ler o inteiro teor e discutir com a procuradoria o impacto concreto para o município, evitando conclusões baseadas apenas em manchetes.

Perguntas frequentes sobre Atricon

O que é a Atricon?

É a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, entidade que representa conselheiros e ministros dos tribunais de contas e coordena iniciativas nacionais, como o Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP). Não é órgão de controle: não fiscaliza contas nem julga gestores.

A Atricon fiscaliza as contas das prefeituras?

Não. Quem fiscaliza e julga as contas são os tribunais de contas, cada um com sua competência legal. A Atricon é uma associação que representa seus membros e promove ações conjuntas, como o PNTP. Suas orientações não obrigam o município por si, mas podem inspirar normas dos tribunais.

O que foi a ADPF 982, proposta pela Atricon?

Segundo notícia do TCE-GO, o STF decidiu, em fevereiro de 2025, que prefeitos ordenadores de despesas devem prestar contas e que cabe aos tribunais de contas julgá-las, com imputação de débito e sanções fora da esfera eleitoral, sem ratificação pelas câmaras. Convém ler o acórdão e consultar a procuradoria.

Qual a relação entre Atricon e o PNTP?

O PNTP, iniciado em 2022, é uma iniciativa conjunta da Atricon, do TCE-MT e do TCU, hospedada no site da associação. Os entes fazem autoavaliação e auditores dos tribunais de contas validam as respostas, classificando os portais em níveis e concedendo os selos Prata, Ouro e Diamante.

Termos relacionados

Glossário de controle e transparência

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Fontes

  1. Atricon – Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP)
  2. TCE-GO: STF decide que compete aos tribunais de contas julgar prefeitos ordenadores de despesas (ADPF 982)

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