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Glossário da gestão pública

Bens de uso comum do povo

Bens de uso comum do povo são os bens de domínio público destinados ao uso de todos, como ruas, praças, pontes e redes de água e esgoto. No balanço, aparecem como ativos de infraestrutura e bens do patrimônio cultural.

O que são bens de uso comum do povo

Ruas, praças, pontes, calçadas, redes de água e de esgoto: tudo isso é patrimônio do município, mas ninguém tem a chave. São bens de domínio público destinados ao uso de todos, os chamados bens de uso comum do povo. O MCASP classifica os bens imóveis em bens de uso especial, dominiais, de uso comum do povo, imóveis em andamento e demais imóveis. Os bens de uso comum do povo são aqueles de domínio público, construídos ou não por pessoas jurídicas de direito público, e podem ser encontrados em duas classes de ativos: ativos de infraestrutura e bens do patrimônio cultural.

Ativos de infraestrutura

O manual define ativos de infraestrutura como aqueles que normalmente podem ser conservados por muito mais anos que a maioria dos bens do imobilizado, que são parte de um sistema ou rede, especializados por natureza e sem usos alternativos. Exemplos citados: redes rodoviárias, sistemas de esgoto, abastecimento de água e energia, redes de comunicação, pontes, calçadas e calçadões.

Para que serve o reconhecimento contábil

  • Mostrar, no Balanço Patrimonial, o patrimônio de infraestrutura que o município de fato controla.
  • Permitir o cálculo de depreciação, que reflete o desgaste dessas estruturas.
  • Indicar a necessidade futura de manutenção e reposição.
  • Subsidiar o planejamento de investimentos e o orçamento.

Como funciona na prática

O reconhecimento e a mensuração seguem a mesma base dos demais ativos imobilizados. Sem valor de mercado disponível, dada a natureza especializada, o valor justo pode ser estimado pelo custo de reposição depreciado. Etapas típicas:

  1. O município levanta o que existe: extensão de ruas e calçadas, redes, pontes, praças, equipamentos urbanos.
  2. Classifica cada item conforme o MCASP, distinguindo infraestrutura e demais bens.
  3. Atribui valor: pelo custo histórico, quando conhecido, ou pelo custo de reposição depreciado, quando não há mercado.
  4. Define a vida útil por tipo de bem, documentando os critérios.
  5. A contabilidade registra o bem no imobilizado e passa a calcular a depreciação.
  6. Ao longo do tempo, o inventário é atualizado com as obras novas e as baixas.

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que pavimentou ruas ao longo de décadas, sem nunca registrar essas obras como ativos. O balanço mostra apenas parte do patrimônio. Ao fazer o levantamento, com apoio de projetos antigos e de medições de campo, o município passa a registrar as vias pelo custo de reposição depreciado, e a depreciação mostra o desgaste. Com isso, o gestor enxerga quanto precisa investir em manutenção para não perder o patrimônio.

Um desafio comum

Para o município, reconhecer esses bens exige inventário de ruas, redes e equipamentos urbanos, com valor e vida útil, algo que a maioria ainda está construindo. A dificuldade não é conceitual, e sim prática: faltam cadastros, projetos antigos, equipes para o levantamento. A recomendação é avançar por etapas, começando pelos bens mais relevantes, documentar os critérios adotados e divulgar nas notas explicativas o estágio do processo.

Diferença entre bens de uso comum do povo e bens de uso especial

Os bens de uso comum do povo são destinados à coletividade, como as ruas e praças. Os bens de uso especial são os usados pela própria administração para prestar serviços, como prédios de escolas, hospitais e repartições. Ambos são imobilizado e têm tratamento contábil semelhante, mas a classificação é útil para o controle e para a gestão. Veja imobilizado e reavaliação de ativos.

Base legal e normas

  • MCASP, 11ª edição: classificação dos bens imóveis, ativos de infraestrutura e bens do patrimônio cultural.
  • Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas do Setor Público, do Conselho Federal de Contabilidade.

Por onde começar o levantamento

Um município que nunca registrou sua infraestrutura pode começar por uma ordem de prioridade simples. Primeiro, o que tem projeto e documentação: obras recentes, financiadas por convênios ou operações de crédito, normalmente têm projeto, medições e valor conhecido. Segundo, o que é mais relevante em valor: o sistema viário principal, as pontes e as redes de abastecimento. Terceiro, o que é possível levantar com baixo custo: extensões de vias e calçadas podem ser obtidas por cadastros existentes, imagens e levantamento de campo. A cada etapa, o município documenta o critério e atualiza o registro, melhorando a qualidade da informação ano após ano.

O resultado, além de melhorar o balanço, é uma ferramenta de gestão: com o inventário e a vida útil, o gestor sabe quando as vias precisarão de recapeamento e quando as redes chegarão ao fim da vida útil, podendo programar recursos no orçamento em vez de reagir a emergências.

Erros comuns

  • Deixar de registrar ruas, praças e redes no balanço.
  • Não definir vida útil e, por isso, não depreciar os ativos de infraestrutura.
  • Lançar valores sem documentar o critério, o que fragiliza a informação.
  • Misturar bens de uso comum com bens de uso especial na classificação.
  • Não atualizar o inventário com as obras novas e as baixas.

Perguntas frequentes sobre Bens de uso comum do povo

O que são bens de uso comum do povo?

São os bens de domínio público destinados ao uso de todos, construídos ou não por pessoas jurídicas de direito público, como ruas, praças, pontes e redes de água e esgoto. No balanço, aparecem em duas classes de ativos: ativos de infraestrutura e bens do patrimônio cultural.

O que são ativos de infraestrutura?

Segundo o MCASP, são ativos que normalmente podem ser conservados por muito mais anos que a maioria dos bens do imobilizado, que fazem parte de um sistema ou rede, especializados por natureza e sem usos alternativos. Exemplos: redes rodoviárias, sistemas de esgoto e abastecimento de água, redes de comunicação, pontes e calçadas.

Como se mensura o valor de uma rua ou de uma rede de água?

Sem valor de mercado disponível, dada a natureza especializada do bem, o MCASP admite estimar o valor justo pelo custo de reposição depreciado. O reconhecimento e a mensuração seguem a mesma base dos demais ativos imobilizados, o que exige inventário com valor e vida útil.

A maioria dos municípios já registra seus bens de uso comum?

Muitos ainda estão construindo esse inventário. Registrar ruas, redes e equipamentos urbanos, com valor e vida útil, exige levantamento de campo e definição de critérios, mas é necessário para que o balanço patrimonial reflita o patrimônio de infraestrutura que o município de fato controla.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)

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