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Glossário da gestão pública

Demonstração das mudanças no patrimônio líquido (DMPL)

A Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido (DMPL) mostra a evolução do patrimônio líquido no período. É obrigatória para estatais dependentes constituídas como S.A. e facultativa para os demais entes e órgãos.

O que é a Demonstração das Mudanças no Patrimônio Líquido

A DMPL, sigla de Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido, também chamada de Demonstração das Mudanças no Patrimônio Líquido, mostra como o patrimônio líquido do ente evoluiu de um período para outro. O patrimônio líquido é a diferença entre o que o ente tem (ativos) e o que ele deve (passivos). A DMPL explica, passo a passo, por que essa diferença aumentou ou diminuiu.

Segundo o MCASP, a DMPL demonstra a evolução (aumento ou redução) do patrimônio líquido da entidade durante um período, a partir do resultado do período, de itens reconhecidos diretamente no patrimônio líquido por norma específica (por exemplo, reavaliação), de ajustes de exercícios anteriores, da destinação do resultado e de transações de capital com os proprietários.

Para que serve

A demonstração funciona como uma ponte entre dois Balanços Patrimoniais. Ela permite ao leitor:

  • enxergar quanto da variação do patrimônio líquido veio do resultado do exercício e quanto veio de outros fatores;
  • identificar ajustes de exercícios anteriores, que indicam correção de erros ou mudanças de critérios;
  • acompanhar reavaliações de ativos reconhecidas diretamente no patrimônio líquido;
  • entender transações de capital entre o ente e seus proprietários, no caso das estatais.

Quando é obrigatória

O manual torna a DMPL obrigatória para as empresas estatais dependentes constituídas sob a forma de sociedades anônimas e facultativa para os demais órgãos e entidades. Na prática, a maior parte das prefeituras, que não possui estatal dependente constituída como S.A., não é obrigada a apresentá-la. Mesmo assim, o conceito é útil, porque a informação sobre a evolução do patrimônio líquido continua exigida em outro lugar: a LRF determina que o Anexo de Metas Fiscais da LDO contenha a evolução do patrimônio líquido nos últimos três exercícios, também com a origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos (art. 4º, §2º, III).

Como funciona na prática

  1. A contabilidade parte do saldo do patrimônio líquido no fim do exercício anterior, conforme o grupo 3 da classe 2 do PCASP.
  2. Soma ou subtrai o resultado do período, apurado na DVP.
  3. Considera itens reconhecidos diretamente no patrimônio líquido, como o resultado de uma reavaliação de ativos, quando a norma assim determina.
  4. Considera ajustes de exercícios anteriores e a destinação do resultado.
  5. Chega ao saldo final do patrimônio líquido, que deve coincidir com o do Balanço Patrimonial.

Imagine uma estatal dependente organizada como S.A. que, no ano, teve resultado positivo, reavaliou um imóvel e corrigiu um erro contábil de anos anteriores. A DMPL mostrará cada um desses itens separadamente, de modo que o leitor veja que o patrimônio líquido não cresceu apenas por causa do resultado do ano, mas também por reavaliação e por ajuste.

Diferença entre a DMPL, a DVP e o Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial mostra o saldo do patrimônio líquido em uma data. A DVP mostra o resultado patrimonial do período. A DMPL mostra todos os movimentos que levaram o patrimônio líquido de um saldo ao outro, e o resultado do período é só um deles. Em municípios sem a DMPL, a análise se faz combinando o Balanço Patrimonial e a DVP e consultando as notas explicativas.

Base legal e normas

  • MCASP, 11ª edição: conceito, obrigatoriedade para estatais dependentes S.A. e facultatividade para os demais.
  • LC 101/2000 (LRF), art. 4º, §2º, III: evolução do patrimônio líquido no Anexo de Metas Fiscais.
  • PCASP: grupo 3 (patrimônio líquido) da classe 2.

Como o gestor pode usar a informação mesmo sem a DMPL

Quando a DMPL não é obrigatória, o gestor ainda pode montar uma tabela simples de evolução do patrimônio líquido, que também atende ao anexo de metas da LDO. Basta registrar, para cada um dos últimos exercícios, o saldo inicial, o resultado patrimonial do ano, os ajustes de exercícios anteriores, eventuais reavaliações e o saldo final. Com isso, é possível comparar três anos lado a lado e identificar tendências: um patrimônio líquido que cai ano após ano, por exemplo, sinaliza que o ente consome patrimônio e não o repõe, o que pede atenção à conservação dos bens e ao controle de passivos.

Vale lembrar que o patrimônio líquido, no setor público, não é meta nem lucro. Ele serve como termômetro de sustentabilidade de longo prazo, e a análise deve considerar também a natureza dos serviços prestados, que nem sempre geram ativos, mas são essenciais, como saúde e educação.

Erros comuns

  • Achar que, por ser facultativa, a evolução do patrimônio líquido não precisa ser apresentada em lugar nenhum.
  • Deixar de conciliar o saldo final da DMPL com o patrimônio líquido do Balanço Patrimonial.
  • Lançar ajustes de exercícios anteriores sem explicação nas notas explicativas.
  • Esquecer de incluir a informação de evolução do patrimônio líquido no anexo de metas da LDO.

Perguntas frequentes sobre Demonstração das mudanças no patrimônio líquido (DMPL)

O que é a DMPL?

É a Demonstração das Mutações no Patrimônio Líquido, que mostra o aumento ou a redução do patrimônio líquido durante um período. Parte do resultado do período, de itens reconhecidos diretamente no patrimônio líquido, de ajustes de exercícios anteriores, da destinação do resultado e de transações de capital com os proprietários.

A DMPL é obrigatória para prefeituras?

Segundo o MCASP, é obrigatória para as empresas estatais dependentes constituídas sob a forma de sociedades anônimas e facultativa para os demais órgãos e entidades. Nas prefeituras sem estatais dependentes S.A., costuma ser facultativa, mas a evolução do patrimônio líquido é exigida no Anexo de Metas Fiscais.

Qual a relação entre a DMPL e o Anexo de Metas Fiscais?

A DMPL complementa o Anexo de Metas Fiscais da LDO, que deve conter a evolução do patrimônio líquido nos últimos três exercícios, conforme o art. 4º, §2º, III, da LRF. Mesmo quando a DMPL é facultativa, essa informação precisa constar do anexo da LDO.

Quais contas do PCASP alimentam a DMPL?

A DMPL é elaborada com o grupo 3, patrimônio líquido, da classe 2 do Plano de Contas Aplicado ao Setor Público. Ela mostra como os saldos desse grupo evoluem de um período para outro, por efeito do resultado, de reavaliações, de ajustes e de outras transações.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)
  2. Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (texto atualizado, Câmara dos Deputados)

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