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Glossário da gestão pública

Função e subfunção de governo

Função e subfunção formam a classificação funcional da despesa, que responde em que área da ação governamental (saúde, educação, urbanismo) o gasto é feito. É padronizada nacionalmente pela Portaria SOF 42/1999.

O que são função e subfunção de governo

Função e subfunção são as categorias da classificação funcional da despesa pública. Segundo o MCASP, a classificação funcional segrega as dotações orçamentárias em funções e subfunções, buscando responder basicamente à indagação “em que área” de ação governamental a despesa será realizada. A função representa o maior nível de agregação (por exemplo, Saúde, Educação, Assistência Social, Urbanismo), e a subfunção detalha a área de atuação (por exemplo, Atenção Básica, Educação Infantil, Administração Geral).

Quem definiu e de onde vem o código

A classificação foi instituída pela Portaria 42/1999 do então Ministério do Orçamento e Gestão, hoje divulgada pela Portaria SOF/ME 2.520/2022, e é composta de um rol de funções e subfunções prefixadas, de aplicação comum e obrigatória na União, nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios, o que permite a consolidação nacional dos gastos. O código tem cinco dígitos: os dois primeiros indicam a função (por exemplo, 12 – Educação) e os três últimos, a subfunção (por exemplo, 365 – Educação Infantil).

Para que serve

A classificação funcional dá uma linguagem comum a todos os entes. Com ela, é possível saber quanto o município gasta em saúde, educação ou urbanismo e comparar com outros municípios, com o Estado ou com a União. Também alimenta demonstrativos e sistemas de informação nacionais. A LRF exige que o Relatório Resumido da Execução Orçamentária traga o demonstrativo da execução das despesas por função e subfunção (art. 52, II, “c”).

Como funciona na prática

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que cria uma ação para reformar uma unidade básica de saúde. O processo de classificação é:

  1. O setor de planejamento identifica a área de atuação da despesa: saúde.
  2. Escolhe, no rol nacional, a função correspondente (Saúde) e a subfunção que melhor descreve a finalidade (por exemplo, Atenção Básica).
  3. Associa a ação ao programa definido no PPA, que é independente da função.
  4. Registra o código funcional completo na dotação da LOA.
  5. Na execução, todos os empenhos da ação herdam essa classificação, e o RREO mostra os totais por função e subfunção.

A função é independente dos programas. Um município organiza seus programas conforme o PPA, mas cada ação precisa receber um código de função e subfunção do rol nacional. Uma ação é, via de regra, classificada em uma única função, mas a subfunção pode variar conforme a finalidade do gasto.

Base legal

Diferença entre função e programa

A função diz em que área o governo atua; o programa diz para resolver qual problema. A função é padronizada para o país inteiro; o programa é definido pelo ente em seu PPA. Duas ações de programas diferentes podem pertencer à mesma função. Veja também a classificação funcional da despesa e a classificação institucional.

Cuidado: função não é “mínimo constitucional”

Uma confusão frequente é achar que tudo o que está classificado na função Saúde ou Educação conta para o cálculo do mínimo constitucional. Não é assim. Para o mínimo de saúde, valem as regras da Lei Complementar 141/2012 sobre ações e serviços públicos de saúde; para o de educação, as regras da LDB sobre manutenção e desenvolvimento do ensino. Uma despesa pode estar na função certa e, ainda assim, não ser computada.

Exemplo ilustrativo de escolha de função e subfunção

Imagine uma secretaria de educação que contrata a reforma de uma quadra escolar. A despesa se enquadra na função Educação. A subfunção dependerá da etapa de ensino que a escola atende: se for de educação infantil, a subfunção correspondente; se for de ensino fundamental, outra. Já a reforma da sede administrativa da própria secretaria pode ser classificada na função Educação, com subfunção de administração geral, conforme a finalidade. Em outro exemplo, a manutenção de uma praça é função Urbanismo, enquanto a compra de medicamentos é função Saúde, com subfunção de assistência hospitalar e ambulatorial ou de atenção básica, conforme a rede que os recebe. A escolha correta exige conhecer o rol nacional e consultar o manual local de classificação.

Como a classificação funcional ajuda na análise

Com a classificação padronizada, é possível comparar o gasto do município por área ao longo dos anos e com outros entes, calcular a participação de cada função no total e acompanhar a coerência entre prioridades anunciadas e valores executados. Para o vereador, o relatório por função é um ponto de partida para perguntar por que determinada área recebeu menos recursos do que o previsto. Para o gestor, serve para explicar escolhas e identificar distorções de classificação antes que os órgãos de controle apontem.

Erros comuns

  • Classificar a despesa na função errada por conveniência, para “inflar” saúde ou educação.
  • Usar subfunção que não corresponde à finalidade real do gasto.
  • Confundir função com programa ou com secretaria.
  • Presumir que o gasto na função Saúde ou Educação cumpre automaticamente o mínimo constitucional.
  • Não atualizar a classificação quando o rol nacional é alterado.
  • Deixar de enviar o demonstrativo por função e subfunção corretamente no RREO.

Perguntas frequentes sobre Função e subfunção de governo

O que é função e subfunção de governo?

É a classificação funcional da despesa, que responde em que área da ação governamental o gasto é realizado, como saúde ou educação. A função é o maior nível de agregação e a subfunção detalha a área de atuação. O rol é nacional e obrigatório para União, Estados e Municípios.

Como é composto o código da classificação funcional?

Tem cinco dígitos: os dois primeiros indicam a função (por exemplo, 12 para Educação) e os três últimos a subfunção (por exemplo, 365 para Educação Infantil). O código é registrado na dotação da LOA e acompanha a despesa até os demonstrativos fiscais.

Função é o mesmo que programa orçamentário?

Não. A função é padronizada nacionalmente e diz em que área a despesa é feita. O programa é definido por cada ente no PPA e diz para resolver qual problema. Ações de programas diferentes podem ter a mesma função, e cada ação precisa de um código funcional do rol nacional.

Gasto na função Saúde ou Educação cumpre o mínimo constitucional?

Não necessariamente. O mínimo de saúde segue as regras da Lei Complementar 141/2012 sobre o que conta como ações e serviços públicos de saúde, e o de educação segue a LDB sobre manutenção e desenvolvimento do ensino. A classificação funcional sozinha não garante o cômputo da despesa.

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Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)
  2. Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (texto atualizado, Câmara dos Deputados)

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