Contato

Glossário da gestão pública

Governo digital

O governo digital é o uso de tecnologias digitais, dados e novos modelos de gestão para melhorar a prestação de serviços públicos, ampliar a transparência e a participação e aumentar a eficiência da administração, tema da Lei 14.129/2021.

O governo digital é o uso de tecnologias digitais, de dados e de novos modelos de gestão para melhorar a prestação de serviços públicos, ampliar a transparência e a participação e aumentar a eficiência da administração. No Brasil, o tema tem base na Lei nº 14.129/2021 (Lei do Governo Digital). Governo digital não é apenas colocar formulários na internet: é redesenhar os serviços a partir da necessidade do cidadão, integrar sistemas, abrir dados e garantir segurança e privacidade. No plano federal, o portal gov.br reúne milhares de serviços digitais, e o governo mantém uma estratégia de governo digital e uma rede de apoio a estados e municípios.

Para que serve

Para o município, o governo digital é um caminho para atender mais com os mesmos recursos. Seus principais ganhos são:

  • reduzir filas, deslocamentos e papel;
  • permitir acesso aos serviços a qualquer hora e de qualquer lugar;
  • diminuir custos, erros e fraudes;
  • melhorar o controle, com registros e trilhas de auditoria;
  • dar transparência a processos, prazos e decisões;
  • liberar servidores de tarefas repetitivas para atividades de maior valor.

Os ganhos dependem de a digitalização ser bem planejada. Um serviço digital mal desenhado pode ser pior que o presencial, especialmente para quem tem pouca familiaridade com tecnologia.

Componentes do governo digital

  • Serviços digitais centrados no cidadão, com linguagem simples e acesso por celular.
  • Identidade digital e login único, quando possível (veja gov.br e identidade digital).
  • Assinatura eletrônica e meios de pagamento digitais (veja assinatura eletrônica).
  • Processo eletrônico e gestão de documentos (processo eletrônico).
  • Interoperabilidade: sistemas que conversam entre si, evitando pedir ao cidadão dados que o governo já possui (interoperabilidade).
  • Dados abertos e transparência (dados abertos).
  • Segurança da informação e proteção de dados (segurança da informação).
  • Inclusão digital, para que ninguém fique de fora (inclusão digital).
  • Governança e capacitação, com liderança, equipe preparada e orçamento.

Como implantar passo a passo

  1. Levante e priorize os serviços mais demandados, com dados de atendimento: quais geram mais filas, retornos e reclamações?
  2. Redesenhe o fluxo antes de digitalizar, eliminando etapas e exigências desnecessárias (simplificação administrativa).
  3. Defina a identidade, a assinatura e o pagamento que serão usados, aproveitando soluções existentes.
  4. Integre sistemas e bases oficiais, respeitando a LGPD.
  5. Teste com usuários reais e ajuste antes de lançar.
  6. Ofereça atendimento alternativo a quem não tem acesso digital.
  7. Divulgue o serviço e capacite os servidores do atendimento.
  8. Meça o uso e a satisfação e melhore continuamente.

Um exemplo hipotético: a prefeitura percebe que a emissão de segunda via de guias de tributos gera filas. Ela disponibiliza a emissão online, com autenticação simples, integrada ao sistema tributário, e mantém atendimento assistido no balcão para quem precisar. Após três meses, a maior parte das solicitações é digital, e os atendentes passam a se dedicar aos casos complexos.

Base legal

A Lei nº 14.129/2021 estabelece princípios, regras e instrumentos para o governo digital e o aumento da eficiência pública. Sua aplicação a estados e municípios depende de adoção por ato normativo próprio (veja Lei do Governo Digital). Outras normas relevantes são a Lei nº 13.460/2017 (direitos do usuário de serviços públicos), a Lei nº 12.527/2011 (acesso à informação) e a Lei nº 13.709/2018 (LGPD). Confira os textos vigentes no Planalto.

Erros comuns

  • Digitalizar o processo ruim, apenas trocando papel por tela.
  • Não oferecer atendimento alternativo a quem não tem acesso digital.
  • Criar sistemas que não conversam entre si e pedem os mesmos dados várias vezes.
  • Esquecer segurança da informação e proteção de dados.
  • Depender de um único fornecedor, sem controle sobre dados e códigos.
  • Lançar o serviço sem treinar quem atende e sem comunicar o público.

Indicadores para acompanhar

Defina desde o início como saber se o governo digital está funcionando. Alguns indicadores úteis: número de serviços disponíveis em formato digital; percentual de solicitações feitas pelo canal digital; tempo médio de atendimento antes e depois; taxa de conclusão (quantos começam e terminam o serviço online); satisfação medida por pesquisa curta; número de atendimentos presenciais evitados; e custo por atendimento. Divulgue os resultados e use-os para corrigir falhas e priorizar novos serviços.

Serviços proativos e experiência integrada

O estágio mais avançado do governo digital é o serviço que vai ao encontro do cidadão: em vez de esperar que a pessoa descubra e solicite um direito, a administração usa seus dados, com as devidas bases legais, para avisar, preencher informações e conceder benefícios automaticamente. Antes de chegar lá, é preciso resolver o básico: cadastros confiáveis, integração entre secretarias e regras de proteção de dados bem definidas.

Quem lidera dentro da prefeitura

A agenda digital funciona melhor quando tem um responsável com acesso ao prefeito e participação das áreas de tecnologia, planejamento, procuradoria, controle interno e atendimento. Em municípios menores, a liderança pode ficar com a secretaria de administração ou de governo, apoiada por consórcios e parcerias para suprir a capacidade técnica. O essencial é que a tecnologia não fique isolada da gestão.

Perguntas frequentes sobre Governo digital

O que é governo digital?

É o uso de tecnologias digitais, dados e novos modelos de gestão para melhorar os serviços públicos, ampliar a transparência e a participação e aumentar a eficiência da administração. No Brasil, tem base na Lei nº 14.129/2021, a Lei do Governo Digital.

Governo digital é só colocar serviços na internet?

Não. Envolve redesenhar os serviços a partir da necessidade do cidadão, simplificar processos, integrar sistemas, abrir dados, proteger informações e incluir quem não tem acesso digital. Digitalizar um processo burocrático sem mudá-lo apenas transfere a burocracia para a tela. Confira sempre a versão vigente das normas e a regulamentação do seu município.

O município precisa seguir a Lei do Governo Digital?

A aplicação da Lei nº 14.129/2021 a estados e municípios depende de adoção por ato normativo próprio. O município pode editar lei ou decreto adotando seus comandos e definindo cronograma. Mesmo sem adoção, a lei é referência de boas práticas, e outras normas, como a LGPD e a LAI, já se aplicam.

Por onde a prefeitura começa o governo digital?

Priorizando os serviços de maior volume e menor complexidade, redesenhando o fluxo antes de digitalizar, testando com usuários, garantindo atendimento alternativo e medindo tempo e satisfação. Também é preciso cuidar da segurança, da proteção de dados e da capacitação dos servidores.

Termos relacionados

Glossário de planejamento e inovação

No Observatório Evoluta

Fontes

  1. Lei nº 14.129/2021 – Lei do Governo Digital (LexML)
  2. Governo Digital – gov.br

Ver todos os termos

Fale no WhatsApp